Resgate da mata atlântica

Parque das Neblinas, uma reserva da Suzano Papel e Celulose na região de Mogi das Cruzes/SP, gerida pelo Instituto Ecofuturo, promove eventos, treinamentos e programas de ecoturismo para sensibilizar a população pela preservação do bioma

Cristina Rappa

Passarelas suspensas permitem ao visitante do Parque apreciar melhor a mata

Abrir as porteiras de sua RPPN, ou Reserva Particular do Patrimônio Natural, para a comunidade pode ser uma boa alternativa para mantê-la. Se em locais turísticos tradicionais como Bonito/MS, isso já é realidade, com os fazendeiros destinando parte de sua área para a exploração do ecoturismo e, com isso, ajudar a bancar os custos da propriedade e ainda conservar o ambiente, maior patrimônio da região, a prática – ainda incipiente em boa parte do país – também foi adotada no Parque das Neblinas, uma reserva de 6,1 mil hectares nos municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga, em plena Serra do Mar.

A área da reserva já foi dominada pelo cultivo de eucaliptos e foi muito degradada nos anos 1940 e 50, com a retirada das árvores para a produção de carvão para uso em uma siderurgia. Nos anos 60, foi adquirida pela Suzano Papel e Celulose, que passou a explorar o eucalipto existente na região para a produção de celulose e, em 1988 inicia um plano de manejo visando sua recuperação e adequação ao Código Florestal vigente na época. Em 1997, parte da área (1.300 ha) é transformada em reserva.

Cristina Rappa

Eucalipto emerge do meio de árvores da mata atlântica, entre elas a juçara

Quem resgata a história é o engenheiro florestal Paulo Groke, diretor de Sustentabilidade do Instituto Ecofuturo, ONG criada em 1999 nas comemorações dos 75 anos da Suzano e responsável pelo gerenciamento da reserva. “O Parque das Neblinas, inaugurado em 2004, já com 2.800 ha, ganhou nova área da Suzano em 2013, chegando aos atuais 6.100 ha, dos quais 518 são uma RPPN”, conta Groke, também colocando em números os recursos naturais do lugar: 400 nascentes, 238 espécies de aves, 315 de árvores, 59 de anfíbios, 35 de mamíferos e 96 orquídeas. Na área ainda foram realizados 58 trabalhos científicos.

O diretor da Ecofuturo explica que, quando da oficialização da criação do parque, em 2004, foi iniciado uma projeto de reintrodução de sementes de juçara, palmeira de onde é retirado o palmito, ameaçada e fundamental para garantir a sobrevivência de inúmeras espécies de animais durante o período em que a mata tem menos alimento disponível, como no inverno.

Ecoturismo para sensibilizar

Cristina Rappa

O tangará, uma das aves que podem ser avistadas na reserva

Como a educação ambiental e a sensibilização da comunidade são importantes para a conservação do bioma, a Ecofuturo lançou em 2003 um programa de visitas ao parque, que desde então recebe estudantes, pesquisadores e pessoas que querem visitar, pesquisar e passar um dia na mata, aproveitando o que restou da mata atlântica brasileira. Entre as atividades que o parque oferece estão: canoagem no rio Itatinga, que corta a reserva e possui corredeiras, passeios de bicicleta, trilhas autoguiadas ou monitoradas a pé, banhos de cachoeira e camping. “Estamos pensando em incentivar a prática de birdwatching aqui, já que a reserva é rica em espécies, cuja relação foi levantada pelo Prof. Reginaldo Donatelli, do Instituto de Biociências da Unesp de Bauru”, anuncia Groke.

Um dos objetivos do programa é que o Parque ajude a desenvolver a comunidade local e que ela passe a valorizar e preservar mais o ambiente. Por isso, além dos funcionários, os monitores que atuam no parque são moradores do distrito próximo de Taiaçupeba, ou seja, conhecem muito bem a região e se beneficiam da criação da reserva.

Durante os passeios, os visitantes podem experimentar sucos e pratos que levam cambuci e frutos da palmeira juçara, ingredientes praticamente desconhecidos da maioria dos brasileiros e lá encontrados. As refeições são preparadas por uma empresa também da comunidade local, a Natural da Mata, que procura usar os produtos nativos da mata atlântica.

Em 2010, a ONG criou o programa Reservas Ecofuturo, que presta assessoria a outras RPPNs, e hoje ainda conta com outros programas, como o de incentivo a leitura e instalação de bibliotecas comunitárias. A entidade já implantou 107 dessas bibliotecas em 112 estados brasileiros, a partir da doação de livros cujo acervo é selecionado pelo Fundo Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Contribuir para a melhoria da educação e da cultura das comunidades também é uma ação sustentável.

 

Serviço:

Como agendar? Pelos tels.: (11) 4724-0555 e 4724-0556.

Quanto custa? Os valores variam: acampar por uma noite custa R$ 40; percorrer uma trilha de 10 km de bicicleta, R$ 60; e canoagem, R$ 95.

Informações: parquedasneblinas@ecofuturo.org.br

 

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Abertas inscrições para projetos de pesquisa em unidades de conservação da Caatinga e da Mata Atlântica

Chamada pública é de iniciativa do ICMBio, CNPq e FAPs

Redação*

Estão abertas as inscrições para apoio à chamada pública de apoio a projetos de pesquisa em 19 unidades de conservação federais nos biomas Caatinga e Mata Atlântica. De iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o CNPq e as fundações estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), o apoio consistirá de itens de custeio e bolsas.

A duração máxima dos projetos será de 36 meses. O objetivo é beneficiar pesquisadores, estudantes, educadores, técnicos, comunidades locais, gestores de unidades de conservação e formuladores de políticas públicas, entre outros.

De acordo com a coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Katia Torres Ribeiro, os projetos vão contribuir para a implementação das estratégias de manejo, uso sustentável e conservação, além de fortalecer as capacidades de pesquisa interdisciplinar, a inclusão social e a inserção das UCs no desenvolvimento regional sustentável.

As propostas deverão abarcar um conjunto de oito diretrizes e aderir a pelo menos um dos temas previstos na chamada. As orientações buscam garantir a participação comunitária, a comunicação à sociedade e a aplicabilidade dos resultados das pesquisas à conservação da biodiversidade.

As propostas devem ser encaminhadas pelo site do CNPQ.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente.

Olhos da Mata Atlântica é o novo livro apoiado pela FMC

Obra sobre a mata atlântica é lançada no Dia do Meio Ambiente, pela empresa de defensivos, que já homenageou outros biomas

Lagamar

Uma da fotos do livro traz o guará (Eudocimus ruber), uma das aves da nossa mata atlântica que pode ser avistado no litoral sul de SP. 

Pensando em promover as belezas naturais que representam a diversidade da flora brasileira, a FMC Agricultural Solutions e o Ministério da Cultura lançam, em 5 de junho, nas comemorações do Dia do Meio Ambiente, o livro Olhos da Mata Atlântica. A obra reproduz a região Sudeste desse bioma, que em sua totalidade ocupa uma área de 1.110.182 Km² e corresponde a 13% do território nacional. 

“A data tem como objetivo chamar a atenção da população das belezas naturais e situação ambientais deste bioma para ampliarmos o conhecimento e a importância da preservação dos recursos naturais”, afirma, em nota, a FMC.

Para fazer as fotos que ilustram o livro, o fotógrafo Tiago Lima Marcelino, com ajuda do biólogo José Ataliba, percorreu os principais parques estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro entre novembro de 2016 e janeiro deste ano. Segundo a empresa, o trajeto foi escolhido para ressaltar os principais ecossistemas que o bioma apresenta: Mangues e Restingas (Vale do Ribeira-SP e Itatiaia-RJ), Floresta Ombrófila Densa (Serra do Mar-SP), Floresta Ombrófila Mista (Campos do Jordão-SP) e Floresta Estacional Semidecidual (Porto Ferreira-SP).

“Durante nossa expedição, capturamos o máximo de imagens que pudessem expressar a grandeza e diversidade da nossa querida e ameaçada mata atlântica. Concentramos nossos olhares na região sudeste do País para conhecermos os diversos ecossistemas presentes nesse bioma. Variações de latitude e altitude em sua extensão determinavam diferentes fisionomias. Dunas, manguezais, restingas, florestas estacionais e ombrófilas em uma experiência única de observação, contato e reflexão”, explica Marcelino. Segundo ele, no total, foram tiradas 8571 fotos e, para o livro selecionamos 285 imagens. 

Muriqui do sul

O muriqui do sul

De acordo com o Presidente da FMC América Latina, Ronaldo Pereira, cerca de 70% da população brasileira vive no território compreendido pela mata atlântica. “Estamos divulgando e ressaltando uma parte do país que está tão próxima a nós, mas que muitas vezes não paramos para apreciar. Parabenizo o Tiago e o José pela sensibilidade em realizar esse projeto. A FMC se orgulha de apoiar um trabalho que enaltece uma das florestas mais ricas em biodiversidade do planeta”, diz Pereira.

O título é parte integrante do projeto “Publicação de Livros Fotográficos – Pantanal, Mata Atlântica e Pampas”, do Pronac, nº 1410573 –- aprovado na Lei Nacional de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. Sua distribuição é gratuita e está sendo direcionada a bibliotecas públicas e centros de cultura.

A versão eletrônica do livro está disponível para apreciação e download no link: https://www.fmcagricola.com.br/coletaneafmc.aspx