Cerrado será monitorado por satélite a partir do ano que vem

Assim como já acontece com a Amazônia, dados sobre o desmatamento do bioma serão divulgados anualmente

Redação*

CerradoO Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou que a partir do próximo ano os números oficiais de desmatamento no Cerrado, assim como ocorre na Amazônia, serão divulgados anualmente. “Esperamos que essa informação possa contribuir para as políticas públicas e sensibilizar a sociedade sobre a importância do bioma e a necessidade de conservá-lo”, disse o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Sarney Filho disse também que está prevista a implantação de um sistema de alerta de detecção de desmatamento via satélite, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para apoiar os órgãos ambientais nas ações de fiscalização.

De acordo com o MMA, de 2013 a 2015, o Cerrado perdeu 18,9 mil Km² de vegetação nativa. Para conter este avanço, o ministro sugeriu o uso de recursos do Fundo Amazônia para financiar projetos no Cerrado nos estados que não fazem parte da Amazônia Legal, já que 20% dos recursos podem ser utilizados em sistema de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas.

Seguindo políticas já executadas na Amazônia, o ministro defendeu a necessidade de se estabelecer, no Cerrado, a moratória da soja e um termo de ajustamento de conduta para a carne. “Trata-se de uma necessidade tanto socioambiental como econômica, visto que o mercado internacional tem deixado muito claro que haverá cada vez menos espaço para a agropecuária sem base sustentável”, disse Sarney Filho.

A moratória da soja é um pacto ambiental voluntário, firmado entre o setor produtivo, organizações ambientais e governo, que proíbe o comércio, aquisição e financiamento de grãos produzidos em áreas desmatadas de maneira ilegal. Na Amazônia, teve início em 2006, como medida para conter o desmatamento.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente

 

 

 

Walmart amplia compromisso de monitoramento de 100% da carne bovina para todo o Brasil

Empresa é a primeira do setor varejista a monitorar toda carne vinda da Amazônia

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Solange Liebl, à esquerda, falando sobre sua experiência com o projeto.

Dando continuidade ao compromisso assumido em 2010 de garantir que a partir de 2015 toda carne bovina comprada do Brasil, por todas as operações do Walmart no mundo, não contribuísse com o desmatamento da Amazônia, a empresa anunciou na manhã desta quarta-feira (25) em evento realizado em São Paulo, que, além de atingir a meta de monitorar 100% da carne vinda deste bioma, vai ampliar esse programa (“Pecuária mais Sustentável”) para todo o Brasil. “Este certamente é um marco para o Walmart, como também para todo o setor de varejo. O resultado que apresentamos hoje é fruto de um longo processo repleto de desafios”, disse Flávio Contini, CEO do Walmart Brasil.

O sistema de monitoramento dos riscos ambientais envolve a integração de dados relativos a desmatamento, terras indígenas e unidades de conservação, legislação ambiental e trabalho escravo. Analisa todas as fazendas que fornecem aos frigoríficos das empresas JBS, Marfrig, Boiforte e Masterboi, parceiras do Walmart. São mais de 75 mil fazendas fornecendo carne para cerca de 30 unidades frigoríficas.

Na ocasião, a empresa também apresentou projeto desenvolvido em São Felix do Xingu, no Pará, em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) e a Marfrig, em que o Walmart promete fornecer aos hipermercados da rede uma carne mais sustentável, fruto de um modelo de produção que propõe aumento de produtividade e maior aproveitamento de pastagens degradadas. Sob o selo “Rebanho Xingu”, a carne estará nas lojas de Brasília a partir de junho.

“Todo mundo costuma dizer que a pecuária é a grande vilã da história do desmatamento. Eu prefiro dizer que o problema não está na atividade, mas sim na maneira como ela é conduzida. Acredito que nosso maior problema é a regularização fundiária. Precisamos de apoio do Governo para isso. Ninguém preserva se não tiver rentabilidade”, disse Solange Liebl, pecuarista em São Felix do Xingu e participante do projeto “Carne mais sustentável: do Campo à Mesa”, que garante às lojas da rede do Walmart carne com o selo “Rebanho Xingu”.

“Venho de uma família que sempre teve como norte uma cultura de preservação. Hoje somos referência na região onde estamos. Todos querem saber o que estamos fazendo para recuperar pastagens e como conseguimos mais que dobrar nossa produtividade”, conta Solange.
São Felix do Xingu tem o maior rebanho bovino do País e é um dos líderes no ranking de desmatamento da Amazônia.

“Um caminho longo e robusto foi seguido, mas o problema continua. O desafio persiste. Está mais do que na hora de outras empresas assumirem esse compromisso. É preciso haver um maior engajamento do setor varejista com a causa”, disse Adriana Charoux, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

Desmatamento

Novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica foram divulgados hoje pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) referentes ao período de 2014 a 2015.

O estudo aponta desmatamento de 18.433 ha ou 184 Km² de remanescentes florestais nos 17 estados da Mata Atlântica, um aumento de 1% em relação ao período anterior (2013-2014).

Minas Gerais, Piauí e Bahia lideram a lista geral. O Paraná foi o estado que apresentou o aumento mais brusco, de 921 ha de florestas para 1.988 ha neste último relatório.

O desmatamento nas florestas com araucária é o principal ponto de alerta no estado paranaense segundo o documento.

“O Cerrado ficou para trás nesse esforço de diminuição do desmatamento; ficou esquecido”, disse Sergio Rocha, diretor-presidente da AgroTools, empresa responsável pela tecnologia de monitoramento das fazendas do projeto “Pecuária mais Sustentável”, do Walmart.