Climate fecha parceria com startups de tecnologia agrícola no Brasil

Plataforma de subsidiária da Monsanto, lançada há seis meses, já atinge 550 mil hectares oferecendo serviços de agricultura digital de diversos fornecedores

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Santos: “A revolução digital tem a mesma relevância no agronegócio”

Pela amostra de interesse por parte dos produtores brasileiros, as novas tecnologias na agricultura vão ter uma adoção mais rápida do que o esperado até por uma empresa do setor famosa pelas inovações que oferece ao mercado, a Monsanto. Pois, apresentada aos agricultores brasileiros em maio deste ano, a plataforma de agricultura digital Climate FieldView apresentou uma velocidade de adesão acima do esperado e já está sendo adotada comercialmente em 550 mil hectares de lavouras de soja e milho, tanto no cerrado quanto no sul. A revelação foi feita pelo CEO da empresa na América do Sul, Rodrigo Peixoto Santos, em evento nesta quarta-feira, 06, em São Paulo.

“ A revolução digital acontece em todos os setores da economia e acreditamos que no agronegócio ela tem o mesmo impacto e a mesma relevância”, disse Santos, para quem o crescimento da produção de alimentos, fibras e energia terá que contar com essas tecnologias para se viabilizar. “As ferramentas digitais vão potencializar todas as revoluções que já aconteceram na agricultura nas últimas décadas, como as de melhoramento genético, biotecnologia, defensivos biológicos e práticas agrícolas como o plantio direto”, afirmou.

Para acelerar a oferta de novas tecnologias aos produtores, a Climate fez parcerias com diversas startups, inclusive brasileiras, e funciona como uma plataforma que o agricultor acessa e contrata o serviço para gerenciar sua produção e melhorar a gestão da propriedade. Em uma analogia com uma tecnologia que todo mundo usa, seria o smartphone com seus aplicativos.

Entre as parcerias anunciadas, estão a Checkplant, do Rio Grande do Sul, com o produto Farmbox, uma plataforma de gestão; a AEGRO, também gaúcha, com um software de gestão operacional e financeira; o brasileiro IBRA Laboratórios, para análise de solo e recomendações agronômicas individualizadas; e a norte-americana Veris Technologies, para leitura do solo em tempo real.

Essas empresas costumam ser ágeis e inovadoras, mas não conseguem acesso a todos os agricultores. Aí que entra a Monsanto, oferecendo, através de sua rede de RTVs e distribuidores, diversas tecnologias desenvolvidas por essas pequenas empresas, reunidas em uma mesma plataforma.

Sem revelar valores de quanto esperam faturar, Pedro Rocha, gerente de produtos da Climate para a América do Sul, diz que o preço limite por hectare é de R$ 15, em assinatura anual para ter acesso ao sistema e que o valor varia conforme a área. Além disso, o agricultor não é obrigado a adotar todos os “aplicativos”.

Segundo ele, a empresa já conversa “ativamente” com mais 25 parceiros e que a vantagem das startups brasileiras é que, além da multinacional incentivar a inovação no país, ela passa a contar com tecnologias desenvolvidas pensando nas peculiaridades da agricultura tropical.

Questionado sobre as limitações de conexão à internet nas áreas rurais do país, Rocha explicou que o agricultor reúne os dados no campo em seu tablet estando off line e depois o sincroniza no escritório, quando tem acesso à internet.

Ao produtor resistente em perder controle sobre seus dados, o CEO da Monsanto garante que eles “ pertencem ao produtor e que ele escolhe com quem vai compartilhá-los”.

Perguntado sobre quanto do US$ 1,6 bilhão que a Monsanto Company investe anualmente em desenvolvimento de novas tecnologias a empresa está direcionando para a Climate, Santos disse que não tem como saber,  mas que o futuro da empresa é na “agricultura digital” e que o retorno só virá no médio e longo prazos. “Essas tecnologias vieram para ficar e vão mudar a cara das empresas do agro e do perfil de seus profissionais “, completou.

Raio-X da lavoura

Martin Braun, um dos primeiros a adotar

Braun: pioneiro

Os irmãos Martin e Daniel Braun, que cultivam grãos em Primavera do Leste/MT, foram os primeiros a adotar a plataforma FieldView no Brasil, experimentalmente, em 2.200 ha em setembro do ano passado. “Sempre gostamos de mexer com tecnologia e nossas máquinas já eram compatíveis”, disse Martin. Segundo eles, a plataforma permitiu identificar problemas com maior facilidade. “Dá um raio-X da lavoura”, afirmou, assegurando que vão continuar a adotar.

Já Vanessa Bomm, que não é agrônoma e sim arquiteta, foi chamada pelo pai para ajudá-lo na gestão da fazenda, em Palotina/PR.

Vanessa

Vanessa

“Meu pai, que tem 70 anos, ficou interessadíssimo pela plataforma quando a conheceu, e eu o apoiei. Sua adoção, há uns seis meses, foi um dos fatores que me atraíram para trabalhar na gestão da fazenda”, contou.

Bayer anuncia compra da Monsanto

Valor da transação será de US$ 66 bilhões

Redação*

O grupo farmacêutico alemão Bayer anunciou nesta quarta-feira (14) a compra da norte-americana Monsanto. O valor da transação foi de US$ 66 bilhões. “Bayer e Monsanto assinaram nesta quarta-feira um acordo de fusão”, de 128 dólares por ação, disse a Bayer Global em comunicado.

A oferta representa um prêmio de 44% sobre o preço de ação da Monsanto dia 9 de maio, data em que a Bayer fez a primeira proposta escrita à Monsanto. Além do valor em dinheiro pelas ações, a Bayer se compromete a pagar US$ 2 bilhões à Monsanto caso a negociação não seja aprovada pelos órgãos reguladores.

O negócio é reflexo de um processo crescente de concentração na indústria agroquímica, como a fusão da Dow Chemical e DuPont; e o desejo da ChemChina em comprar a Syngenta. Juntas, Bayer e Monsanto se transformarão em uma gigante mundial de sementes e defensivos agrícolas, com volume anual de negócios de 23 bilhões de euros.

A transação ainda depende de algumas aprovações, como dos acionistas da Monsanto e de órgãos regulatórios, mas a previsão é de que todo o processo de aquisição se concretize até 2017.

Monsanto investe em startups brasileiras do agro

Empresa ingressa em fundo criado pela Microsoft visando a acelerar a inovação no setor

Cristina Rappa

Santos, da Monsanto (centro): “nosso objetivo é acelerar a inovação na agricultura brasileira”

A partir desta 3a feira (05), startups com projetos para o agronegócio podem ser inscrever para receber aportes de uma das gigantes do setor, a Monsanto. A multinacional anunciou nesta 2a feira, durante o Global Agribusiness Forum (GAF16), sua entrada no Brasil Aceleradora de Startups – BR Startup, um fundo criado pela Microsoft Participações em que atuará como o “braço do agro”. O objetivo é contribuir para acelerar a inovação na agricultura brasileira, revelou Rodrigo Santos, presidente da Monsanto para a América do Sul.

Os investimentos serão de R$ 250 mil a R$ 1,5 milhão por startup, sendo que estão aptas a concorrer ao recurso empresas com pelo menos dois sócios e faturamento anual entre R$ 300 mil e R$ 10 milhões. Interessados devem se inscrever pelo link http://www.fundacity.com/fundo-br-startups/apply/990.

“Queremos apoiar soluções que contribuam para aumentar a produtividade agrícola. Acreditamos na colaboração e na troca de know how “, disse Santos, para quem a inovação tecnológica é crucial para a agricultura neste momento de revolução digital.

De acordo com o presidente da Monsanto, existem hoje no Vale do Silício (região no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, famosa por abrigar empresas de tecnologia) cerca de 400 startups trabalhando com projetos voltados ao desenvolvimento agrícola. Nesse país, a companhia mantém um fundo de investimentos, chamado Monsanto Growth Ventures (MGV), que, desde janeiro, tem investido em startups com projetos na área agrícola.