Mulheres e jovens rurais serão tema de pesquisa no Brasil

Estudo que será realizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura quer detectar principais necessidades destes grupos e dar subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas

Redação*

Mulher agricultora - dreamstimeMulheres e jovens rurais serão prioridade da nova diretoria do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Isso porque a instituição vai coordenar este ano no Brasil uma pesquisa sobre estes grupos que vivem no campo. O objetivo do estudo é detectar suas principais necessidades e dar subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas.

Serão feitos levantamentos em países representativos da América e o Brasil é um deles. “Mulheres e jovens, sejam da área rural ou urbana, são os grupos menos atendidos da região. São os que têm menos atenção por parte das políticas públicas e representam um setor extremamente importante”, disse Jorge Werthein, assessor especial da diretoria do IICA.

“Juventude que não tem sistema educacional, que não tem cultura, não tem possibilidade, vai embora do campo, não tem perspectiva de futuro. A droga tem penetrado no campo e está capturando esses jovens”, completou.

O projeto será desenvolvido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 15% dos brasileiros vivem em áreas rurais, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015. Cerca da metade é mulher, o que totaliza aproximadamente 14,1 milhões. Elas são responsáveis por 44% das compras feitas por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal.

Os jovens são cerca de 8 milhões, com idade de 18 a 29 anos. Eles foram responsáveis por acessar 37,4% dos recursos destinados ao Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), entre os anos de 2002 e 2013.

*Com informações da Agência Brasil

 

Mulheres conectadas e amantes da vida no campo

Pesquisa com mais de 850 mulheres apresentada durante o 2o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que começou nesta terça-feira, 17, em São Paulo, aponta que as entrevistadas dizem gostar da vida rural e que mais de 90% usa o Facebook para se comunicar e relacionar

Redação*

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Na questão sobre as razões de escolher trabalhar na agropecuária, a pesquisa revelou que 36,2% das mulheres disseram ter optado pelo agronegócio por gostar da vida no campo, 34% afirmaram que já possuíam integrantes da família atuando na área, 15,6% já eram proprietárias ou sócias de propriedade rural, e 10,7% foram para o campo por ver na atividade uma oportunidade de trabalho.

Em relação a divisão das tarefas domésticas, a pesquisa constatou que 42,7% disseram que elas são divididas com os demais integrantes da família, enquanto 20,9% responderam que os familiares ajudam um pouco. Apesar de a maioria (64,1% das entrevistadas) não desejar ter filhos, 73,1% das que possuem filhos afirmaram que gostariam que os filhos continuassem com as atividades no agronegócio.

Sobre as perspectivas e o comportamento das mulheres do campo, o levantamento constatou que elas são conectadas com a maioria das modernas ferramentas de comunicação. Entre os principais instrumentos de comunicação, 92,9% utilizam o Facebook, 95,1% o WhatsApp, 68,8% o YouTube, 54,8% o Instagram e 65,3% o Messenger.

Conhecimentos

A respeito dos assuntos sobre os quais as mulheres do campo mais gostariam de aprofundar seus conhecimentos, destacam-se temas relacionados com a formação profissional e ao trabalho: gestão de pessoas (56,8%); gestão empresarial (54,5%); Finanças (33%); e 27,3% negociação. Elas afirmaram se interessar também por: gastronomia (25,8%); tecnologia (20,1%); bolsa de valores (21,5%); e viagens (21,6%).

Por fim, sobre as principais preocupações da mulher do campo, os temas mais relacionados foram: estabilidade financeira (56,2%); sua saúde (53,6%); família (46,7%); equilíbrio entre vida familiar, profissional e social (38,4%); o futuro dos filhos (32,8%), e sua realização profissional (30,7%). Já sobre ambientes ou atividades que lhe dão maior satisfação, as respostas predominantes foram: família (73,2%); viagens (57,9%); trabalho (45,2%); e filhos (40,8%).

*com informações da Abag.

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Levantamento realizado com 862 mulheres em todo o Brasil apontou alguns dados sobre a participação feminina num setor dominado por homens

Congresso Mulheres do AgroEncomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e realizada pela IPESO, a pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio” foi apresentada hoje (17) no primeiro dia do 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio – Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada”, em São Paulo. O estudo, feito em junho e julho deste ano, entrevistou 862 mulheres de todas as regiões do País e, por meio de um questionário com 48 perguntas, abordou temas como perfil da propriedade rural, setores de atuação, jornada de trabalho, família e sucessão, anseios e preocupações e também valores, interesses e opiniões.

“A pesquisa mostra a mulher como uma aceleradora de mudanças. É uma nova imagem do agronegócio para a sociedade urbana”, disse José Luiz Tejon, coordenador do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), durante a apresentação dos resultados.

“Além de termos um universo muito maior de mulheres em relação ao ano passado (que foi 300), a pesquisa se mostrou mais completa por conta de sua abrangência nacional. Contamos com o cadastro do CNA/SENAR para chegar até elas, que foram escolhidas mediante sorteio”, explicou Victor Trujillo, presidente da IPESO.

“Importante lembrar que a pesquisa falou com gente empreendedora, independente do tamanho da propriedade. Não nos debruçamos, por exemplo, sobre o papel das mulheres em assentamentos rurais. Este seria um trabalho muito mais hercúleo”, completou Tejon.

Resultados

De acordo com o levantamento, 49,5% das entrevistadas atuam em minifúndio, 26,1% em pequenas propriedades, 13,5% em médias e 10,9% em grandes fazendas. Em relação ao tipo de atividade, 73,1% trabalham dentro das fazendas, 13,9% nos elos da cadeia produtiva após a fazenda e 13%, antes da porteira. Quando o assunto é o tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham em atividades dentro da propriedade rural, 3,7% em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro; 2,8% estão no comércio, 2,3% atuam em segmentos ligados a governo e 2,1% trabalham em atividades da agroindústria.
O estudo apontou ainda que quanto à posição ocupada no negócio, a maioria (59,2%) é proprietária ou sócia; 30,5% é funcionária ou colaboradora e 10,4% é composto por gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.

Gênero

Mais de 61% das entrevistadas afirmou não ter sofrido problemas de liderança nos últimos dois anos pelo fato de ser mulher. Porém, quando o assunto é preconceito, 44,2% responderam ter sofrido preconceito evidente, 30% apontaram preconceito sutil e 25,8% diz não ter sofrido preconceito. “O preconceito existe, mas as mulheres mostraram também que têm disposição de enfrentá-lo com trabalho”, disse Tejon.

“Pesquisas nos trazem momentos de reflexão. Olhando pra estes dados, eu me pergunto – o que trouxe as mulheres até aqui? Foi a Educação. Ultrapassamos o paradigma de que as mulheres têm o papel de curadoria da sociedade para a consciência de que elas têm o poder de tomar decisões, de gerir carreira e pessoas”, disse Vera Ondei, editora chefe da revista Dinheiro Rural.

A pesquisa completa estará disponível nos sites da Abag e do evento a partir de 20/10.

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