Nitrogênio equilibrado possibilita maior produtividade do Algodoeiro

Leonardo Soares*

Leonardo, Soares, engenheiro agrônomo e especialista na cultura de Algodão da Yara Brasil

Leonardo Soares, engenheiro agrônomo e especialista na cultura de Algodão da Yara Brasil

Os mais recentes levantamentos da safra 2016/2017 são animadores para a cotonicultura. De acordo com os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea), em meados de maio de 2017 as vendas chegaram a 65,5% da produção estimada em 986,618 mil toneladas, mesmo considerando que a colheita iniciou apenas no final do mês. A Bahia, outro grande Estado produtor no País, segue o mesmo rumo.

No ciclo 2016/2017, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção da pluma no País deve alcançar 1,489 milhão de toneladas, o que representa um crescimento de 15,5% em relação ao ano anterior. Mas os recordes produtivos se devem a diversos fatores, e um dos mais relevantes é a tecnologia aplicada.

Recentemente o processo produtivo da cultura de algodão no Brasil passou por importantes inovações. Como o expressivo aumento da área de cultivo em sistema de segunda safra em Mato Grosso, normalmente após a soja, e a alta adoção por cultivares transgênicas tolerantes às herbicidas e resistentes às lagartas. Esse novo cenário altera consideravelmente o manejo da cultura, uma vez que as cultivares e o ambiente de produção são distintos.

O melhor controle de lagartas, obtido pela tecnologia Bt das cultivares, proporciona maior fixação de estruturas reprodutivas pelas plantas, o que pode elevar o potencial produtivo da planta e alterar a relação entre crescimento vegetativo e reprodutivo, em função de maior força de dreno gerada. Essa dinâmica afeta o balanço nutricional da cultura, demandando mais nutrientes.

O nitrogênio exerce grande impacto sobre o desenvolvimento e produtividade do algodoeiro. Conforme relatado pela Embrapa, em 2014, é possível considerar uma extração média de 315 quilos de nitrogênio para uma produtividade de 300@ / ha de algodão em caroço produzida, sendo que quase a metade, 48,6%, é exportada pelas sementes e fibras.

Por ser o nutriente com maior demanda pela planta, o manejo merece muita atenção. Dessa forma, independentemente do sistema de produção (primeira ou segunda safra), o desenvolvimento do algodoeiro é favorecido pelo fornecimento adequado de nitrogênio, que não pode ser garantido por fontes voláteis, como ureia, que precisam de umidade para redução de perdas. O manejo com fontes pouco eficientes dificulta a tarefa de combinar a aplicação do nitrogênio na correta fase fenológica da cultura (planejada) com a condição de umidade favorável.

Em trabalhos realizados, recentemente, em três importantes Estados produtores (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia) foi constatado um incremento significativo de produtividade para lavouras de algodão que receberam fontes de nitrogênio eficiente sem perdas por volatilização, combinação de N em diferentes formas químicas (nítrico e amoniacal) e S em forma de sulfato (100% solúvel).

Na busca por eficiência produtiva, o uso de fontes de N menos dependentes de condições climáticas, principalmente na tocante à volatilização, favorece o manejo nutricional da cultura, pois sua aplicação pode ser realizada no momento planejado, atendendo a demanda da planta na fase adequada e possibilitando maior flexibilidade operacional.

*é Doutor em Fitotecnia, engenheiro agrônomo e especialista na cultura de Algodão da Yara Brasil

 

Prêmio Josué de Castro de combate à fome abre inscrições

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo

Redação*

alimentacao_saudavel_fund julitaA partir de 17 de julho, o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea/SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista, recebe inscrições para o Prêmio Josué de Castro.

A iniciativa premiará a formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção de segurança alimentar e nutricional, em duas categorias – melhor pesquisa científica e melhor programa ou projeto de política pública.

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo. Os interessados podem se inscrever até 15 de agosto por meio do link.

Para outras informações, escreva para consea@consea.sp.gov.br ou ligue para (11) 5067-0444.

Josué de Castro

Influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista do combate à fome, publicou uma extensa obra, partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro. Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos são seus livros publicados. Morreu em 1973.

*Com informações da assessoria de imprensa

Adubação equilibrada gera tomates mais bonitos e duradouros

Bruno Dittrich*

Bruno DittrichO tomate é uma das principais frutas consumidas no Brasil, presente em saladas e molhos clássicos de massas, sendo também amplamente utilizado em dietas restritivas, já que cada fruto possui em média 25 calorias. Com muitas propriedades diuréticas e grandes quantidades de vitamina C, que colabora na absorção de ferro pelo organismo, a exigência do consumidor é o ponto chave que determina o funcionamento de toda a cadeia dessa cultura.

Frutos mais padronizados, sem defeitos, com boa coloração, firmeza de casca, sabor e durabilidade estão entre as principais características que as grandes redes de Hortifruti e os clientes finais observam. No início dessa cadeia está o agricultor, que precisa produzir um tomate que tenha essas qualidades, visando sua produtividade e rentabilidade, mas ao mesmo tempo com menor custo de produção, o que implica em uma tarefa difícil por conta de fatores previsíveis e outros nem tanto, como o clima, por exemplo.

Dentre os itens controláveis, um dos principais e que possui impacto direto nestas características finais do produto, é a nutrição da planta. Um cenário que ainda leva em conta aspectos tradicionais, com práticas antigas e não ajustadas a nova genética disponível no mercado. Hoje em dia, ainda há nutrição feita com fórmulas antigas muito tradicionais, como o famoso 04.14.08, o principal adubo de plantio utilizado na tomaticultura, porém, desequilibrado e incompleto para a necessidade da planta.

Adubação equilibrada

De acordo com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o recomendável para o tomate de mesa é até 800 kg de P2O5/ha. Se o agricultor seguir essa recomendação, utilizando a fórmula 04.14.08, ele fornece mais de 450 quilos de K2O nas fases iniciais da planta, além de uma alta dose de N. A consequência de uma adubação de plantio desequilibrada é a salinização do solo, o que resulta em uma difícil absorção de água e demais nutrientes pela planta.

Outro ponto crítico é a falta de uniformidade, que leva uma segregação durante o transporte e aplicação, gerando uma distribuição desuniforme dos nutrientes no campo. Mais um importante ponto que diferencia a adubação da nutrição são os micronutrientes e macronutrientes secundários. Alguns deles devem ser fornecidos no plantio do tomateiro para o desenvolvimento equilibrado da planta e o crescimento do sistema radicular.

Hoje, já existem fórmulas especialmente desenvolvidas para o plantio da cultura do tomate com maior teor de fósforo em relação ao nitrogênio e potássio, possibilitando a aplicação de todo o P necessário sem o risco de problemas por excesso de nitrogênio e ou potássio.

Principais nutrientes para o tomate

Alguns elementos são fundamentais na fase inicial, onde o primeiro a ser lembrado é o fósforo, não só pelo enraizamento e o sistema energético do tomateiro, como pela sua baixa mobilidade no solo. Nitrogênio e potássio devem ser aplicados em doses menores no plantio, pois, seu fornecimento pode se dar em cobertura em fases de maior necessidade da cultura.

O tomateiro se desenvolve com muito mais qualidade quando se usa 20% aproximadamente de nitrogênio amoniacal e 80% de nitrogênio nítrico, mas, a distribuição do fornecimento do nitrogênio deve ser a fonte amoniacal no plantio, que favorece a absorção de fósforo e nítrica na cobertura.

Uma dose inicial de cálcio também deve fazer parte do programa, por que sem o suprimento desse nutriente, a planta terá um desenvolvimento radicular muito menor, enquanto o enxofre é importante para tornar essas raízes mais fundas e para que a planta absorva mais água.

Já dentre os micronutrientes fundamentais na fase de plantio, está o boro, essencial na divisão das novas células do ápice da raiz, o zinco, que atua no crescimento do vegetal, e o manganês, que transforma o nitrogênio amoniacal em aminoácido dentro da planta.

O passo número 1 para produzir um tomate de mais qualidade está nas mãos do agricultor e na qualidade do plantio. Para buscar atender as necessidades do mercado e ter uma plantação produtiva, é necessário buscar novas tecnologias, realizar uma nutrição equilibrada, que leva em conta esses principais pontos mencionados e, assim, resultar em uma colheita farta e rentável.

*Bruno Dittrich é engenheiro agrônomo e especialista na cultura de Tomate da Yara Brasil