Prêmio Josué de Castro de combate à fome abre inscrições

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo

Redação*

alimentacao_saudavel_fund julitaA partir de 17 de julho, o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea/SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista, recebe inscrições para o Prêmio Josué de Castro.

A iniciativa premiará a formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção de segurança alimentar e nutricional, em duas categorias – melhor pesquisa científica e melhor programa ou projeto de política pública.

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo. Os interessados podem se inscrever até 15 de agosto por meio do link.

Para outras informações, escreva para consea@consea.sp.gov.br ou ligue para (11) 5067-0444.

Josué de Castro

Influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista do combate à fome, publicou uma extensa obra, partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro. Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos são seus livros publicados. Morreu em 1973.

*Com informações da assessoria de imprensa

Adubação equilibrada gera tomates mais bonitos e duradouros

Bruno Dittrich*

Bruno DittrichO tomate é uma das principais frutas consumidas no Brasil, presente em saladas e molhos clássicos de massas, sendo também amplamente utilizado em dietas restritivas, já que cada fruto possui em média 25 calorias. Com muitas propriedades diuréticas e grandes quantidades de vitamina C, que colabora na absorção de ferro pelo organismo, a exigência do consumidor é o ponto chave que determina o funcionamento de toda a cadeia dessa cultura.

Frutos mais padronizados, sem defeitos, com boa coloração, firmeza de casca, sabor e durabilidade estão entre as principais características que as grandes redes de Hortifruti e os clientes finais observam. No início dessa cadeia está o agricultor, que precisa produzir um tomate que tenha essas qualidades, visando sua produtividade e rentabilidade, mas ao mesmo tempo com menor custo de produção, o que implica em uma tarefa difícil por conta de fatores previsíveis e outros nem tanto, como o clima, por exemplo.

Dentre os itens controláveis, um dos principais e que possui impacto direto nestas características finais do produto, é a nutrição da planta. Um cenário que ainda leva em conta aspectos tradicionais, com práticas antigas e não ajustadas a nova genética disponível no mercado. Hoje em dia, ainda há nutrição feita com fórmulas antigas muito tradicionais, como o famoso 04.14.08, o principal adubo de plantio utilizado na tomaticultura, porém, desequilibrado e incompleto para a necessidade da planta.

Adubação equilibrada

De acordo com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o recomendável para o tomate de mesa é até 800 kg de P2O5/ha. Se o agricultor seguir essa recomendação, utilizando a fórmula 04.14.08, ele fornece mais de 450 quilos de K2O nas fases iniciais da planta, além de uma alta dose de N. A consequência de uma adubação de plantio desequilibrada é a salinização do solo, o que resulta em uma difícil absorção de água e demais nutrientes pela planta.

Outro ponto crítico é a falta de uniformidade, que leva uma segregação durante o transporte e aplicação, gerando uma distribuição desuniforme dos nutrientes no campo. Mais um importante ponto que diferencia a adubação da nutrição são os micronutrientes e macronutrientes secundários. Alguns deles devem ser fornecidos no plantio do tomateiro para o desenvolvimento equilibrado da planta e o crescimento do sistema radicular.

Hoje, já existem fórmulas especialmente desenvolvidas para o plantio da cultura do tomate com maior teor de fósforo em relação ao nitrogênio e potássio, possibilitando a aplicação de todo o P necessário sem o risco de problemas por excesso de nitrogênio e ou potássio.

Principais nutrientes para o tomate

Alguns elementos são fundamentais na fase inicial, onde o primeiro a ser lembrado é o fósforo, não só pelo enraizamento e o sistema energético do tomateiro, como pela sua baixa mobilidade no solo. Nitrogênio e potássio devem ser aplicados em doses menores no plantio, pois, seu fornecimento pode se dar em cobertura em fases de maior necessidade da cultura.

O tomateiro se desenvolve com muito mais qualidade quando se usa 20% aproximadamente de nitrogênio amoniacal e 80% de nitrogênio nítrico, mas, a distribuição do fornecimento do nitrogênio deve ser a fonte amoniacal no plantio, que favorece a absorção de fósforo e nítrica na cobertura.

Uma dose inicial de cálcio também deve fazer parte do programa, por que sem o suprimento desse nutriente, a planta terá um desenvolvimento radicular muito menor, enquanto o enxofre é importante para tornar essas raízes mais fundas e para que a planta absorva mais água.

Já dentre os micronutrientes fundamentais na fase de plantio, está o boro, essencial na divisão das novas células do ápice da raiz, o zinco, que atua no crescimento do vegetal, e o manganês, que transforma o nitrogênio amoniacal em aminoácido dentro da planta.

O passo número 1 para produzir um tomate de mais qualidade está nas mãos do agricultor e na qualidade do plantio. Para buscar atender as necessidades do mercado e ter uma plantação produtiva, é necessário buscar novas tecnologias, realizar uma nutrição equilibrada, que leva em conta esses principais pontos mencionados e, assim, resultar em uma colheita farta e rentável.

*Bruno Dittrich é engenheiro agrônomo e especialista na cultura de Tomate da Yara Brasil

Nutrição do trigo: desenvolvimento radicular é fundamental para altas produtividades

Diego Guterres*

Diego GuterresA definição do alto potencial produtivo de uma cultura começa no estabelecimento, que é o momento de assentamento da lavoura. Muitos fatores podem impactar esta etapa, interferindo positivamente no desenvolvimento e na produtividade na lavoura. Um manejo nutricional que favoreça o crescimento inicial das raízes de trigo pode fazer toda a diferença a favor do desempenho da triticultura.

Um fator fundamental para o trigo é a máxima redução de alumínio tóxico do solo, pois esse elemento pode danificar os tecidos radiculares, que são responsáveis pela formação da primeira raiz da planta, causando sérios problemas como menor desenvolvimento radicular. Nesse sentido, deve-se realizar um intenso trabalho de correção da acidez aplicando calcário, para eliminação do efeito desse nutriente na camada explorada pelas raízes. Também é necessário dar preferência a fertilizantes com baixo potencial de acidificação do solo, principalmente com fontes de nitrogênio e de enxofre.

O nitrogênio é, sem dúvidas, o nutriente mais importante para a produtividade e qualidade de grãos de trigo, já desde o início do desenvolvimento da planta. Dependendo da forma do elemento encontrado, a planta pode ter diversas maneiras de aproveitamento. A presença de nitrogênio na forma amoniacal favorece o crescimento das raízes, levando a maior produção de citocininas, hormônio responsável pelo crescimento e pela arquitetura do sistema radicular.

Por outro lado, se a cultura anterior for uma gramínea com palhada de alta relação, como o milho, podemos ter imobilização de nitrogênio pela microbiota do solo. Por isso, a aplicação equilibrada deste nutriente nas formas combinadas (nítrica e amoniacal) se encaixa perfeitamente para a produtividade da lavoura.

Outro elemento fundamental para o desenvolvimento radicular é o fósforo, importante na transferência de energia da célula, na respiração e na fotossíntese. A disponibilidade do elemento nas fases iniciais também é essencial para a recuperação do efeito subletal de temperatura baixa, razão pela qual se recomenda sempre o uso de uma dose de fósforo no sulco da semeadura, mesmo que o solo tenha alta concentração desse nutriente.

Já o potássio, por sua vez, atua no controle das concentrações de sais nos tecidos ou nas células, o que determina a pressão de água interna celular, forçando a célula a se expandir. A carência de potássio, portanto, no início do desenvolvimento, pode retardar o crescimento radicular. Vários motivos, principalmente a questão operacional, têm levado parte dos agricultores a optar pela aplicação de toda a dose de potássio em superfície. Para isso, o primeiro aspecto a ser considerado é a disponibilidade do nutriente no solo. A aplicação do elemento deve ser feita obrigatoriamente próximo ao sulco de semeadura, a não ser que a disponibilidade de potássio no solo seja alta. Mesmo assim, a temperatura elevada do solo pode dificultar o processo de absorção do potássio pelo solo.

Em trabalhos de campo, uma equipe de agrônomos observou um incremento médio de 6,9 sc/ha em comparação da aplicação de fertilizante NPK (com as duas formas de nitrogênio) em relação a produtos convencionais na adubação de base do trigo. Por fim, em micronutrientes, o zinco merece grande destaque para o estabelecimento da lavoura de trigo. Dentre as suas funções, destaca-se a importância na síntese de triptofano, aminoácido precursor das auxinas, hormônios que regulam o crescimento das plantas. Porém, vários fatores podem provocar indisponibilidade desse nutriente, como a elevada alcalinidade e aplicação de altas doses de fósforo no sulco da semeadura.

Nesse contexto, o ótimo estabelecimento da lavoura de trigo é fundamental para lavouras produtivas, lucrativas e de menor risco. Plantas com maior desenvolvimento radicular suportam melhor os períodos de estiagem, sofrendo muito menos estresse. Esse é um dos aspectos do manejo da lavoura e parte importante do programa nutricional desenvolvido para a triticultura, que envolve a combinação de produtos que auxiliam o produtor a escolher a melhor fonte de nutrientes, aplicação na dose, época e local corretos para elevar os níveis de produtividade e proporcionar um produto final melhor e de mais qualidade.

*Diego Guterres é engenheiro agrônomo e especialista nas culturas de Trigo e Soja da Yara Brasil