Biotecnologia aumenta produção de grãos e renda de agricultores, aponta estudo

Incremento oriundo da produção de soja, milho, algodão e canola transgênicos alcançaria 514 milhões de toneladas e elevação do rendimento médio dos agricultores chegaria a US$ 100 por hectare, diz consultoria inglesa

Soja - lavoura verde bonita

Redação*

Estudo da consultoria inglesa PG Economics, divulgado nesta terça-feira (31) e denominado GM Crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2014, mostra que as culturas geneticamente modificadas (GM) teriam favorecido a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, proporcionando melhorias para a produtividade e para a renda do agricultor. De acordo com o levantamento, em 19 anos de adoção da biotecnologia agrícola, as culturas GM foram responsáveis por uma produção adicional de 158,4 milhões de toneladas de soja e 321,8 milhões de toneladas de milho. Além disso, a tecnologia também teria contribuído para um acréscimo de 24,7 milhões de toneladas de algodão e 9,2 milhões de toneladas de canola.

Essa produção extra se deve ao fato de as lavouras transgênicas permitirem que os agricultores reduzam perdas e adotem práticas mais sustentáveis, resultando em incremento de produtividade e, assim, reduzindo a pressão sobre florestas nativas. Se a biotecnologia agrícola não estivesse disponível para os 18 milhões de produtores que a adotaram em 2014, a manutenção dos níveis de produção global teria exigido 20,7 milhões de hectares extras plantados com soja, milho, algodão e canola. Essa área é equivalente a um terço das terras agricultáveis do Brasil.

Ainda de acordo com o novo relatório da PG Economics, a biotecnologia teria contribuído para uma redução significativa das emissões de gases do efeito estufa. Isso porque, como o manejo dessas culturas é simplificado e requer menos aplicações de defensivos agrícolas para o controle de plantas daninhas e/ou insetos-pragas, há menor necessidade de utilização de combustíveis para esses manejos. Em 2014, essa diminuição evitou que 22,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono fossem jogadas na atmosfera, o equivalente à remoção de 10 milhões de carros das ruas por um ano.

Para a bióloga e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, o levantamento da consultoria inglesa soma-se a outros trabalhos que comprovam que os transgênicos, além de seguros, trazem benefícios. “É cada vez maior o número de estudos científicos sobre transgênicos e todos eles têm confirmado que os organismos geneticamente modificados (OGM) são tão seguros para alimentação humana, animal e para o meio ambiente quanto as variedades convencionais”.

Por fim, nos 19 anos de utilização da biotecnologia agrícola analisados pelo relatório (1996 a 2014), os ganhos econômicos globais com a adoção de transgênicos foram de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 540 milhões). “Quando os agricultores optam pelo cultivo GM, os benefícios econômicos são claros e, em 2014, eles representaram um crescimento médio de US$ 100 por hectare”, afirma Graham Brookes, diretor da PG Economics e coautor do relatório. Em 2014, nos países em desenvolvimento, os agricultores receberam US$ 4,42 para cada dólar investido, enquanto o retorno para os agricultores dos países desenvolvidos ficou na casa dos US$ 3,14 por dólar investido.

*com informações da assessoria do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).