Mesmo com queda de exportações em 2017, ABPA enxerga boas perspectivas para o setor produtivo para o próximo ano

Aumento de produção, retomada e conquista de mercados estão no horizonte da entidade em 2018

Ao microfone, Francisco Turra, presidente da ABPA

Ao microfone, Francisco Turra, presidente da ABPA

Depois de viver a pior crise de imagem, causada pela Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) contabiliza os prejuízos e traça boas perspectivas para o setor produtivo no próximo ano. “Dos 77 países que impuseram algum veto à carne brasileira, apenas três mantém o bloqueio (Santa Lúcia, Trinidad e Tobago e o Zimbábue). Internamente, o problema foi resolvido com mais facilidade e retomamos o consumo, mas lá fora foi mais difícil e até hoje sofremos consequências”, disse Francisco Turra, presidente da ABPA, em coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira (13), em São Paulo. “Só nos três primeiros meses após a Carne Fraca, deixamos de exportar 150 mil toneladas de carne. Isto ainda não foi recuperado”, completou.

Apesar disso, Turra enfatizou a retomada de mercados pelo Brasil e questões como a estabilidade do câmbio, a disponibilidade de milho e soja com bons preços e o aumento do consumo interno, que vinha caindo nos últimos dois anos. “Esta boa oferta de insumos e também os preços devem se manter em 2018. Não acreditamos em maior importação de milho, além dos núcleos onde isso se faz necessário, por questões logísticas”, disse Ariel Antônio Mendes, diretor de relações institucionais da ABPA.

Frango

De acordo com a ABPA, a produção brasileira de frango deverá fechar o ano em 13,056 milhões de toneladas, volume que supera em 1,2% 2016. A entidade prevê um crescimento de 2% a 4% para o próximo ano. As exportações totalizaram 4,320 milhões de toneladas (-1,2%), com uma receita de US$ 7,2 bilhões, valor 6% superior ao ano anterior. Para 2018, a expectativa é de que haja elevação de 1% a 3% em volume.

“Levando em consideração o aumento do consumo interno e as consequências da Operação Carne Fraca, não consideramos o resultado ruim. Não podemos nos esquecer de questões pontuais como a queda na importação pela China devido à maior oferta de carne suína, proteína mais consumida neste país. Não perdemos muito, mas deixamos de ganhar. Se não fosse a crise por que passamos, certamente estaríamos comemorando resultados bem mais expressivos”, disse Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados, da ABPA.

Suíno

A produção de suíno no País deve totalizar 3,758 milhões de toneladas, volume 0,5% superior ao produzido no ano passado. A ABPA acredita que em 2018, este volume seja superado de 2% a 3%. Foram exportadas 693 mil toneladas, queda de 5,4% em relação a 2016, mas com uma receita 9,5% superior, de US$ 1,624 bilhão. A perspectiva para o próximo ano é de o volume cresça de 4% a 5% em volume.

Ovos

O Brasil deve fechar 2018 com uma produção de ovos de 39,9 bilhões de unidades. O número é 1,8% superior ao obtido no ano passado. Para ABPA, a produção em 2018 deverá ser de 5% a 6% maior. Foram exportadas 5,834 mil toneladas (queda de 44%), com uma receita de US$ 8,1 milhões, retração de 42,5% na receita em relação a 2016.

Consumo interno

Segundo a ABPA, houve aumento do consumo interno. “Isso é devido à reação da economia a partir do segundo semestre deste ano”, disse Turra. O consumo per capita de frango ficou em 42 Kg/ano (+1,8%); o de carne suína foi de 14,7 Kg/ano (+1,7%) e o de ovos foi de 192 unidades/ano (+0,8%).

 

Ação em Dubai deve gerar US$ 250 milhões em negócios para exportadores avícolas

Exportadores de carne de frango e de ovos voltaram de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com expectativas de negócios de US$ 250 milhões em 12 meses, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que organizou ação em feira em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) 

Redação*

Divulgação ABPAA ABPA liderou, em parceria com a Apex-Brasil, uma ação na Gulfood Trade Show, a maior feira de alimentos do Oriente Médio, encerrada nesta quinta-feira (02) em Dubai. Dezesseis agroindústrias produtoras e exportadoras participaram da iniciativa, em uma área exclusivamente estruturada para os Projetos Setoriais Brazilian Chicken e Brazilian Egg – mantidos pela ABPA e pela Apex-Brasil.

Clientes e potenciais importadores de todo o Oriente Médio e de outros países da Ásia e África visitaram o espaço brasileiro. Mais de 2,5 mil sanduíches de Shawarma e 1,5 mil omeletes foram servidos na área de degustação estruturada pelo setor de promoção comercial da ABPA.

Além da prospecção e dos negócios consolidados (foram mais de US$ 15 milhões apenas durante o evento), a ação teve como objetivo reforçar os laços junto aos importadores e consumidores que visitaram a Gulfood. Materiais promocionais em inglês e árabe foram distribuídos, com informações sobre o perfil dos produtos e do sistema produtivo brasileiro, além de contatos das agroindústrias exportadoras.

“Realizamos em Dubai nossa maior ação de estímulo às exportações do primeiro semestre. Os bons resultados alcançados mostram a importância das boas relações entre o Oriente Médio e a cadeia avícola do Brasil, maior produtor e exportador de frango halal do planeta, que desempenha um papel fundamental no auxílio à segurança alimentar dos países árabes há mais de quatro décadas”, afirmou em nota Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA.

*com informações da ABPA.