Fórum debate expansão das relações comerciais entre Brasil e países árabes

Realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, evento reuniu representantes do País e do bloco de 23 nações do Oriente Médio e Norte da África

logo_forum_br_paises-arabesReunindo empresários, autoridades e especialistas do Brasil e dos países do Oriente Médio e Norte da África para discutir caminhos conjuntos para ampliação e fortalecimento das relações comerciais entre o País e o bloco de países árabes, aconteceu em São Paulo, nesta quarta-feira (5) o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes. Realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o evento abordou temas como economia mundial, logística, transporte, finanças, certificação halal e inovações no mundo árabe. “Este, certamente, é um marco no estreitamento das relações entre os países. Atrás somente de Estados Unidos, China e Argentina nas transações comerciais brasileiras, este bloco árabe composto por 23 países, além de grande consumidor, tem enorme potencial agrícola e industrial. Isso sem falar nas reservas de combustíveis e minérios e do forte capital humano empreendedor”, disse Marcelo Nabih Sallum, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Dados da Câmara apontam que em 2015, entre importações e exportações entre Brasil e estes países houve uma transação de US$ 19 bilhões. Dentre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes, açúcar, minérios, cereais, sementes, máquinas, pedras preciosas, café, entre outros. Já quando falamos em importação, os principais produtos são combustíveis minerais, fertilizantes, plásticos, sal, alumínio, aparelhos e materiais elétricos, vestuário, peixes e crustáceos, entre outros.

Economia e finanças

“Para falar de paz precisamos discutir o fortalecimento do comércio”. Foi com essas palavras que a economista da XP Investimentos, Zeina Latif, iniciou sua fala para discorrer sobre economia mundial e o Brasil. “Há uma desaceleração global; uma estagnação e aqui no Brasil estamos numa fase de profunda recessão; de inflação elevada. A prioridade do governo é equilibrar contas públicas para recuperar alicerces”, completou.

“Apesar do quadro econômico frágil, houve melhoras nos índices de confiança por conta da mudança política no País; há uma expectativa positiva de empresas e consumidores porque identificam uma agenda econômica clara desta nova gestão”, disse Zeina. “Ainda não há nenhum sinal de melhora e o espaço para erros é mínimo. O Governo sabe disso, tem esse diagnóstico e, por isso trilha um caminho mais pragmático agora para depois retomar uma agenda progressista”, acredita a economista.

“Toda base das finanças islâmicas, bem como todos os aspectos da vida muçulmana está no Alcorão”, disse Ângela Martins, representante da CRO-Nbad. “Nestes países, o banco é sempre solidário. Não se compra e vende dívida. Todo dinheiro tem de ser colocado para agregar valor à sociedade”, acrescentou.

Ângela explicou ainda que como a usura é inaceitável no Alcorão, os bancos não cobram juros de quem solicita empréstimo ou faz um financiamento, por exemplo. “Não há cobrança de juros, mas a instituição tem direito a uma parte do lucro da transação. Nesta região, o dinheiro é um meio de troca e jamais pode ser usado para fins especulativos”, explicou.

Halal

“Halal é tudo que é lícito, permitido, autorizado. É o resultado de um sistema de produção que busca criar mecanismos que contribuam para a saúde humana, para o equilíbrio”, disse Mohamed Zoghbi, presidente da Fambras. “O conceito vai muito além do abate de animais, como muitos pensam. Refere-se ao bem-estar do indivíduo, a forma como se vive, se veste, como interage com o seu próximo etc”, explicou Zoghbi.

Quando um produto recebe a certificação halal significa que ele foi produzido de acordo com os preceitos e as normas ditadas pelo Alcorão e pela Jurisprudência Islâmica. Não podem conter ingredientes proibidos ou parte deles. É proibido, por exemplo, o consumo de todo e qualquer tipo de alimento modificado geneticamente, de produtos minerais e químicos tóxicos que causem danos à saúde, de carne de porco e seus derivados, entre outras normas.

“Este é o mercado que mais cresce no mundo e aqui no Brasil tem não só crescido anualmente, como também de forma expansiva”, disse Zoghbi. Para se ter uma ideia, hoje 45% da proteína animal exportada pelo País é halal. “No sistema halal há um controle absoluto sobre o processo de rastreabilidade e segurança. E as empresas brasileiras estão cada vez mais buscando essa certificação para se inserir neste mercado de maneira robusta”, afirmou.

“A projeção é de que em 2050 haja 2,7 bilhões de muçulmanos, ou seja, 1/3 da população mundial. Portanto, este é um mercado certo, garantido”, finalizou Zoghbi.

Certificação online

Durante o evento, Michel Alaby, secretário-geral da Câmara Árabe, falou a respeito do processo de certificação online, que está sendo implementado nos países árabes. “O serviço já está sendo implantado este ano no Egito. Para o ano que vem, Arábia Saudita e Jordânia conseguirão certificar desta forma também”, informou.

“A exigência será a mesma. Haverá a checagem de 26 itens nos documentos de exportação. A diferença é que o processo que dura hoje, em média, 15 dias, passará a ter no máximo cinco”, disse.

Aqui no Brasil, além das embaixadas, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira será a primeira instituição a certificar produtos.