Produtor rural ganha cartilha sobre aproveitamento de resíduos da produção de bovinos de corte e de leite

Publicação, lançada esta semana pelo Mapa, traz orientações de como reduzir emissão de gases de efeito estufa, gerar renda e diminuir custos

Redação*

Imagem_rebanho_2O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou cartilha sobre o aproveitamento econômico dos resíduos bovinos de corte e de leite. A publicação tem o objetivo de auxiliar o produtor a gerar renda a partir dos resíduos e diminuir os custos de produção e também de reduzir os efeitos de gases de efeito estufa (GEE).

O estudo promovido pelo Projeto “Pecuária de Baixa Emissão de Carbono: Geração de valor na produção intensiva de carne e leite”, como parte do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), coordenado pelo Mapa com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), identificou e selecionou as tecnologias de produção sustentáveis passíveis de serem implantadas nas condições de produção de bovinos de corte e leite em sistemas intensivos brasileiros.

A pesquisa contemplou as tecnologias de gestão racional da água e dos alimentos, implantação de biodigestores, geração de energia elétrica por meio do uso do biogás produzido pelos dejetos, compostagem mecanizada e também o sistema de cama de serragem.

As atividades descritas no estudo priorizam o aproveitamento econômico dos resíduos e o consequente aumento de renda dos pecuaristas. O material também contém informações que estimulam o uso adequado do biofertilizante.

Atualmente, a agricultura, incluindo a pecuária, contribui com 14% das emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE), sendo o terceiro maior setor responsável pela emissão desses gases. Do total de emissões de metano (CH4) e óxido nitroso (N²O), a pecuária contribui em termos globais com 35% e 65% dos respectivos gases, sendo que a América Latina ocupa a segunda posição na lista dos principais emissores de metano entérico, responsável por 23,9% do total, ficando atrás da Ásia.

O material foi produzido por consultores que, em 2017, mapearam as alternativas sustentáveis e economicamente viáveis de tratamento dos dejetos. As tecnologias são preconizadas pelo Plano ABC. Os técnicos percorreram os principais estados produtores de bovinos de leite e corte em sistemas intensivos, centros de pesquisas e propriedades modelos em tratamento de resíduos.

A cartilha apresenta ainda uma análise de viabilidade econômica das tecnologias de tratamento de dejetos de bovinos mitigadoras de emissões de gases de efeito estufa. Os processos tecnológicos consistiram na geração de energia elétrica a partir do biogás produzido dos dejetos de bovinos tratados em biodigestores e na compostagem dos dejetos e produção de biofertilizantes.

*Com informações do Mapa

 

 

Manejo adequado do rebanho pode reduzir emissões de metano

Pesquisa da Embrapa mostra que a emissão do gás varia conforme a alimentação do animal e, quanto menos fibrosa, maior ganho de peso e menor impacto no meio ambiente. Adoção de ILPF também contribui para a redução do gás de efeito estufa

Marcílio Frota/Embrapa

Animal misto de nelore com curraleiro-de-pé-duro pastando, com floresta de babaçu ao fundo

Na condução de pesquisa para sua tese de doutorado, o analista Marcílio Nilton Lopes da Frota, da Embrapa Meio-Norte, com sede em Teresina/PI, concluiu que, no período chuvoso, quando os rebanhos bovinos costumam ser alimentados com ração de boa qualidade, a emissão de metano nos pastos é cerca de nove vezes menor do que no período seco, quando as pastagens são escassas e apresentam menos nutrientes.

De acordo com os resultados obtidos por Frota, na região de Cocais Maranhenses, na divisa dos biomas Cerrado e Amazônia, quanto menos fibroso e mais digestível for o alimento consumido pelo animal, menos metano será produzido. “Nessa situação, o animal ganha mais peso, leva menos tempo para ser abatido e, consequentemente, diminui o impacto no meio ambiente”, assegura o pesquisador.

A pesquisa foi conduzida durante o ano de 2016 e só considerou alimentação a pasto e com adição de sal mineral apenas. A raça analisada foi a que é resultado de cruzamento entre nelore e o curraleiro-de-pé-duro, adaptado ao clima quente da região. “Nossa ideia com esse trabalho era também avaliar a conservação dessa floresta de babaçu, que é a maior formação de plantas oleaginosas do mundo, e a viabilização de seu consórcio com as pastagens; ou seja, aliar a produção de carne com a extração do coco babaçu”, conta Frota.

Além da questão da alimentação, a emissão de gás metano no ambiente depende também do sistema de produção. A pesquisa ainda apontou que propriedades que utilizam o Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), em vez de emitir gases, os sequestram. 

“As críticas à pecuária brasileira advêm do grande número de animais no rebanho (mais de 200 milhões) e dos baixos índices da pecuária extensiva, com tempo de abate superior a três anos e meio”, explica Frota.

Segundo ele, o valor adotado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC (56 quilogramas de metano por ano para animais de corte jovens, criados na América Latina) não é preciso, porque os animais não ficam isolados, mas são inseridos em um sistema de produção. “Esses valores de emissão variam ao longo do ano e não podem ser estáticos e pré-definidos para todo o País”, diz.

O pesquisador defende que deva ser levada em conta a emissão por quilo de produto gerado, uma vez que o animal pode estar bem alimentado, emitir uma quantidade maior de metano, mas ter um rápido desenvolvimento, ser abatido em menos tempo e assim gerar uma menor emissão por quilo de carne produzido. 

Em ILPF, emissões podem ser anuladas

Para Frota, em sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, com a pastagem feita anualmente e com o capim na fase ideal para consumo, a emissão de metano será menor do que a observada atualmente. “Além disso, nesse tipo de sistema, a captação de gases pelo solo poderá anular as emissões dos bovinos”, declara, informando que foi considerada a floresta de babaçu no trabalho, mas que em outras regiões pode se considerar o eucalipto.

O trabalho de Frota ressalta a importância dos sistemas silvipastoris, que apresentam pastos com maior valor nutritivo ao longo do ano e maior conforto térmico ao rebanho. “Os animais perderam menos energia em forma de metano do que quando criados em pleno sol. Foi emitido, em determinadas épocas do ano, 20% menos metano do que os organismos internacionais estão apontando. Temos que buscar resultados próprios nacionais para evitar que divulguem informações negativas sobre a contribuição da pecuária brasileira para a emissão de metano”, afirma o pesquisador da Embrapa.

Sistemas de produção de gado de corte com animais adaptados às considões da região e pastagens bem manejadas têm ainda potencial para apresentar um balanço de carbono positivo, mesmo sem a introdução de árvores, como ocorre no sistema Lavoura-Pecuária.

Na pesquisa, Frota observou ainda que não houve diferenças na emissão de gases pelos bovinos em sistemas com árvores e em monocultivo na região dos Cocais Maranhenses. A prática de desmatar totalmente a área para a instalação de pastagem também não trouxe ganhos na produtividade animal e foi equivalente a um sistema silvipastoril contendo 67 árvores de babaçu por hectare, consorciada com pastagem.

Foto: Marcílio Frota/Embrapa.

Estimativa do VBP em 2018 tem queda de 5,2%

Dado é do MAPA, que projetou o valor da produção agropecuária em R$ 515,9 bilhões

Pulverizador 4630O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) projetou nesta 3a feira (13) o valor da produção agropecuária (VBP) de 2018 em R$ 515,9 bilhões. O valor é 5,2% menor do que o registrado em 2017, consolidado em R$ 544,2 bilhões.

No detalhamento por segmentos, o valor das lavouras deve fechar o ano em R$ 346,1 bilhões, 5,7% abaixo do desempenho do ano passado. A estimativa de VBP para a pecuária é de R$ 169,8 bilhões, 4,1% menor do que o consolidado de 2017.

Dos produtos da lavoura, nove vêm seguindo tendência de redução de valor, como arroz, cana-de-açúcar, feijão, milho, laranja e uva, e oito apresentam apresentam aumento de faturamento, entre os quais algodão, batata, cacau, café, soja, tomate e trigo.

Já na produção da pecuária, a queda projetada de 4,1% no faturamento se deve, principalmente, ao pior desempenho do frango, da carne suína, de leite e de ovos. A diminuição do preço de aves já vem acontecendo há mais de dois anos, de acordo com o MAPA.

Entre as regiões, o Centro-Oeste ocupa a liderança do ranking do VBP, seguido de Sul, Sudeste, Nordeste e Norte. Até 2017, o Sul ocupava a primeira colocação. Entre os estados, o melhor desempenho está, até o momento, com o Mato Grosso.

*Com informações da Agência Brasil