Cai produtividade na pecuária

De acordo com a Agroconsult, realizadora do Rally da Safra, redução nos investimentos em tecnologia e cenário político-econômico refletiram no resultado

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André Pessoa (esq.) e Maurício Nogueira, da Agroconsult, durante coletiva de imprensa

“Este foi um ano de muitas emoções, do ponto de vista dos acontecimentos que afetaram a cadeia e a produção de carne brasileiras. Havia sim preocupação, mas a dinâmica que o Rally proporcionou como um fórum de debate foi bastante interessante”. Foi assim que André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, abriu a coletiva de encerramento do Rally da Pecuária. “Podemos dizer que melhoramos em qualidade. O nível de discussão e a disposição dos pecuaristas em responder aos questionários foram superiores ao de anos anteriores”, completou Maurício Nogueira, coordenador da expedição e sócio da Agroconsult, realizadora do Rally.

De acordo com Nogueira, a redução de investimento em tecnologia provocou uma queda de 18% na produtividade, que passou de 10,6@/ha/a para 8,9 @/ha/a. “Essa queda já era prevista e foi fruto de uma decisão incorreta do produtor de segurar investimentos no pacote tecnológico; a queda na receita foi muito maior do que a economia que fez”, explicou o coordenador.

A estimativa pré-Rally de que haveria aumento do peso médio do animal estocado em 2017 se confirmou; o que deverá elevar a oferta no mercado. O peso médio saiu de 9,8 @/cabeça no ano passado para 10,7 @/cabeça.

Ainda segundo Nogueira, o confinamento deverá ser superior ao ano passado. “Pela atratividade do preço do milho e pela necessidade do produtor em segurar mais animais por hectare”, disse. “Temos de pensar também que um diferencial do Brasil é que temos a possibilidade de criar vaca com alta tecnologia e a pasto”.

Pastagem

“Há uma exclusão muito acelerada na pecuária. O pecuarista que não consegue cuidar da pastagem está sumindo”, disse Nogueira.

Os dados da Agroconsult mostram que há no País cerca de 165 milhões de hectares de pastagem, dos quais 50% em processo de degradação. Deste total, 3% estão degradados. “O que o produtor precisa entender é que pastos ruins custam mais caro”. De acordo com o coordenador do Rally, pastos com qualidade 2 (que estão em processo de degradação, mas ainda têm capim), correspondem a 11% da área total e custam cerca de R$ 1479/ha. Já áreas consideradas degradadas custam em torno de R$ 3043/ha para serem recuperadas.

 

 

Transparência e boas histórias

Por Coriolano Xavier*

23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana FerroTrês meses e três potentes torpedos impactaram a percepção dos consumidores em relação ao mercado de carne. Primeiro, em meados de março, foi o impacto da “operação carne fraca” (razoavelmente bem arrefecido em curto tempo). Depois, foi a vez da delação premiada dos irmãos Batista, que também impactou esse mercado, pois eles representam o maior grupo empresarial de proteína animal do planeta. Por fim, veio a proibição das importações de carne bovina brasileira in natura, pelos Estados Unidos, por conta de questões sanitárias. Que balanço se pode fazer agora, pensando no comportamento do consumidor, estratégias de marketing e defesa do setor?

As pessoas vão parar de comer carne? Claro que não. Mas a tendência é acontecer alguma movimentação no mercado, em função desses episódios. Por exemplo: em pesquisa divulgada em maio¹ e realizada antes da bomba da delação, 37% das pessoas disseram ter reduzido em algum grau o seu consumo de carne, no período imediatamente posterior à divulgação da “carne fraca”. Uma fatia menor, de 7%, afirmou ter parado de consumir e 16% informaram ter trocado de marca. São movimentações de mercado normais, algumas temporais, diante de impactos naconfiabilidade de marcas ou categorias de produtos. No mundo de hoje multimidiático, não poderia ser diferente.

Para além dos aspectos racionais que decidem a compra dos alimentos (qualidade, segurança, nutrição), ou dos clássicos quesitos de preço e sabor, a alimentação é uma sensação e um sentimento pessoal, o que confere ao alimento uma dimensão emocional de compra muito forte. Alimentação é sobrevivência; damos alimentos a nossas crianças, por exemplo. Alimento também é saúde. Também é um dado sociocultural extremamente relevante e está presente em celebrações e tradições culturais de todo o tipo, aqui no Brasil e no mundo inteiro. Por isso, existe um fio condutor essencial, e de natureza emocional, na percepção dos alimentos, que é a confiança. Quebrar esse elo significa romper um padrão decisório de compra e isso pode estar acontecendo agora, em alguma medida.

Quando cresce o grau de ceticismo em um mercado, abrem-se oportunidades para mobilidade entre categorias e marcas. Na semana da delação dos Batista, por exemplo, observou-se aumento de R$ 2,5 bilhões no valor da BRF (uma concorrente), depois de dois anos de queda, em que seu valor recuou mais de R$ 20 bilhões. Em tese, essa marca pode ter agora uma chance para retomar parte da participação de mercado que perdeu nos últimos três anos. Por outro lado, o gigante brasileiro da carne (JBS) tende a adotar uma atitude menos agressiva em marketing e mais conservadora em finanças, abrindo um flanco para os competidores, principalmente no pequeno varejo, que em geral trabalha com apenas duas marcas.

Hora boa, por exemplo, para a emergência de frigoríficos menores, ou de qualidade diferenciada, no mercado de carne bovina. O mesmo vale para a carne suína fresca, setor que vem fazendo um trabalho mercadológico notável, para mudança de conceito entre os consumidores, e pode ter agora um impulso extra. Uma coisa, entretanto, precisa ficar clara: para aproveitar essas oportunidades é essencial explosão e agilidade de distribuição, qualidade e, principalmente, dois fatores chave na gestão de produtos em mercados com crise de confiabilidade: transparência nas ações e uma narrativa de marketing forte.

Se o desafio for todo um setor – seja a carne ou outros alimentos – lembro aqui o depoimento de uma mãe, durante uma pesquisa, falando algo mais ou menos assim: “se tem notícia de um problema e não entendo direito, paro de consumir até ver que tudo bem; com dúvida, não vou dar para meu filho”. De novo àqueles dois pontos chave: ser transparente e contar boas histórias. O importante a essa altura é não se perder a perspectiva evolutiva do setor, pois há pecuaristas, suinocultores e avicultores desenvolvendo um excepcional trabalho em eficiência zootécnica, produção sustentável, segurança do produto e marketing responsável. Eles são futuro. Padrões de referência para construir uma ponte com a sociedade e os consumidores.

(1)     “Efeito Carne Fraca”, Revista Exame, ed. 1.138, pesquisa Dunnhumby.

*Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.

Valor bruto de produção é estimado em R$ 536 bilhões

Montante representa um aumento de 4,3% em relação ao ano passado

Redação*

algodaochapadao-300x200Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estimou nesta quinta-feira (13) o valor bruto da produção (VBP) em R$ 536 bilhões. O montante é 4,3% maior do que o alcançado no ano passado.

De acordo com a SPA, as 20 principais lavouras apresentam aumento real de 9,8% e a pecuária, um recuo de 6%. O valor das lavouras é de R$ 367,6 bilhões. Milho e soja representam 44,7% do valor das lavouras. A pecuária é estimada em R$ 168,4 bilhões. O aspecto mais relevante no resultado deste ano é o ganho de produtividade, cujo aumento médio é de 22,3%.

Os resultados mais relevantes são os do algodão (17,1%), arroz (18,8%), feijão (21,7%), milho (32,1%) e da soja (17,1%). O feijão de segunda safra teve acréscimo de 27,2% e o milho de segunda safra, de 43,4%.

Os dados de VBP regional mostram São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são os estados com maior nível de faturamento, representando 54,7% do VBP total. As regiões Sul e Centro-Oeste são responsáveis pela maior parte do valor bruto, seguidas pelo Sudeste, Nordeste e Norte. Os resultados favoráveis deste ano possibilitaram a recuperação de alguns estados como Piauí, Bahia e Maranhão que no ano passado tiveram fortes perdas econômicas por problemas de seca especialmente.

*Com informações do Mapa