ESALQ apresenta opções de reciclagem de resíduos da cadeia do pescado

Objetivo das pesquisas é viabilizar coprodutos de alta qualidade

Redação*

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Para tentar minimizar o desperdício gerado no processo de filetagem de carne de pescado, um trabalho de pesquisa realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) procura reciclar resíduos do processamento de pescado visando obter coprodutos com valor agregado. “Desperdícios e resíduos do pescado chegam a representar 70% do total da produção em todo o mundo e da coleta seletiva dos resíduos é possível obter óleo, farinha, concentrado e hidrolisado proteico, silagem, adubo, ração, minerais, entre outros”, diz em nota a professora e coordenadora do estudo, Marilia Oetterer, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da ESALQ.

“Os estudos buscam a sustentabilidade da cadeia produtiva, a minimização do impacto ambiental e o aumento da receita na empresa processadora”, completa Marilia. Segundo a pesquisadora, ao selecionar os resíduos é possível obter frações mais específicas, o que possibilita a obtenção de coprodutos de maior valor. “A silagem é uma forma pouco onerosa, independente de escala, que utiliza para a sua elaboração, as próprias enzimas tissulares e das vísceras do pescado e que pode se constituir em fonte proteica para a alimentação animal”, diz.

*Com informações da assessoria de imprensa

Projeto monitora pela primeira vez pirarucu em cativeiro

Tecnologia utilizada em oceanos está sendo usada agora para observação do ciclo reprodutivo de um dos maiores peixes de água doce do planeta

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Adriana Lima, pesquisadora da Embrapa responsável pelo trabalho.

Realizado pelo Sebrae em parceria com a Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) e o Ministério da Pesca (agora Mapa), em vários estados da região Norte do País, o Projeto Pirarucu (iniciado em janeiro deste ano) faz uso pela primeira vez no Brasil da telemetria em cativeiro. A técnica, que consiste na colocação de chips eletrônicos para traçar o trajeto de tubarões, tartarugas e golfinhos em águas abertas, foi implantada na cavidade abdominal do pirarucu com o objetivo de descobrir detalhes comportamentais do animal, principalmente de seu ciclo reprodutivo. “Não temos muitas informações a respeito do comportamento reprodutivo da espécie em cativeiro. Com esse estudo, pretendemos descobrir o máximo potencial produtivo do animal para que a médio prazo possamos começar a atender a demanda de mercado pelo peixe”, explica a engenheira de pesca Adriana Lima, pesquisadora da Embrapa responsável pelo trabalho.

Até o momento, três animais estão sendo monitorados em uma fazenda parceira ao projeto no município de Porto Nacional, no Tocantins. “Em dezembro, iniciaremos a fase mais importante dessa etapa de validação da metodologia do estudo. É no período das chuvas que acontece o ciclo reprodutivo da espécie”, diz Adriana.

Segundo a pesquisadora, esse experimento é de médio prazo, já que para que consigam respostas mais precisas é necessária a observação de três ciclos reprodutivos do peixe, ou seja, daqui a três anos, aproximadamente. “Quanto maior for o número de indivíduos monitorados, mais robustos serão nossos resultados com a pesquisa”, completa a engenheira.

O pirarucu

projeto pirarucuO pirarucu (Arapaima gigas) é um dos maiores peixes de água doce do planeta. Nativo da Amazônia, ele promove benefícios para o ecossistema e para as comunidades que vivem da pesca. Quando adulto, seu comprimento varia de dois a três metros, e seu peso pode chegar de 150 Kg a 200 Kg.

A espécie está ameaçada de extinção devido à pesca predatória praticada ao longo de muitos anos. Isso fez com que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) criasse em 2004 uma Instrução Normativa que regulamenta a pesca do pirarucu na Amazônia, proibindo-a em alguns meses do ano e estabelecendo tamanhos mínimos para pesca e comercialização do peixe.

De acordo com Adriana, um dos esforços para evitar que a espécie desaparecesse foi a implantação de projetos para o manejo do pirarucu. “Há produtores, pescadores treinados e capacitados na região para manejar a espécie de forma adequada para assegurar a sobrevivência do animal e a viabilidade da atividade pesqueira”, diz.

Demanda

De carne branca e sabor suave, sem a presença de espinhos, a procura de restaurantes pelo pirarucu é grande, mas esbarra em um problema. “Temos muita dificuldade de mantê-lo no mercado porque há uma descontinuidade no fornecimento do produto. A demanda pela espécie, principalmente da gastronomia japonesa é grande, mas infelizmente a oferta ainda não dá conta”, diz Adriana.

“Esperamos que esse estudo inovador de utilizar tecnologias usadas em oceanos em cativeiros, possa nos trazer resultados positivos e que assim, consigamos aumentar a produtividade da espécie”, anseia a pesquisadora.