Inovações na cafeicultura são tema de evento no Pensa/USP

Foram apresentados também 10 estudos de caso realizados em propriedades de MG e ES em 2016

cafe-verdeillycaffè e Università Del Caffè Brazil em parceria com a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), da Universidade de São Paulo, realizaram na manhã desta quinta-feira (16) o seminário “Fazendo mais e melhor: inovações no agronegócio café”.

Falando sobre possibilidades de criação de valor por meio de inovações, Andrea Illy, presidente da illycaffè, abriu o ciclo de palestras. “Para que a inovação crie valores, ela deve ser vista como uma fórmula financeira”, disse. “Trabalhar com inovação é também estar ciente dos riscos tecnológicos, comerciais, de propriedade intelectual, legais, de segurança e saúde etc”, completou.

O empresário falou também sobre as inovações na agricultura com o uso de novos produtos, tecnologias e o surgimento de novos mercados para produtos de valor agregado. “Estamos num momento bom para investir. O consumo de café no mundo está crescendo; estamos numa fase de recuperação da economia global e o fenômeno da globalização vem cessando”, disse. “Precisamos investir não só em melhorias de gestão, mas em tecnologias que nos ajudem a tornar a atividade, de fato, sustentável”.

“A importância da inovação está diretamente ligada à redução de recursos disponíveis no mundo”, disse o Prof. Dr. Decio Zylbersztajn, professor da FEA/USP e fundador do Centro de Conhecimento em Agronegócio (PENSA/FIA). “Os drivers da inovação estão conectados também a outras percepções que não o preço – de mercado, à sensibilidade do inovador, que é uma competência única que não se consegue replicar em outro lugar”.

Na sequência, o professor falou sobre coinovação, em que há interação do adotante da tecnologia ou da estratégia de gestão com Universidades, especialistas etc. “Além disso, o perfil da assistência técnica mudou muito. Tanto a iniciativa privada quanto cooperativas oferecem pacotes tecnológicos completos para o produtor”, disse.

“Não podemos nos esquecer também do que chamamos de microinovação, que nada mais é do que rotinas; de pequenas mudanças que o produtor faz em sua propriedade, mas que representam muito no custo total de sua produção”, lembrou o professor. “E, por fim, podemos citar inovações do sistema agroindustrial como a produção de insumos, processamento, novos sistemas de distribuição e tudo o que envolve esta cadeia”.

A seguir, foram apresentados estudos de caso realizados em propriedades de café do Sul de Minas, do Cerrado Mineiro, de Matas de Minas e do Espírito Santo, em 2016, pelos Profs. Drs. Samuel Ribeiro Giordano e Christiane Leles Rezende De Vita, da Unoversità Del Caffè Brazil.

 

Seminário discute necessidade de integração entre a ciência, o agro e a sociedade

Evento fez parte da programação do Centro de Conhecimento em Agronegócios (PENSA/USP)

Reunindo especialistas, pesquisadores, professores, estudantes e interessados, sob a realização do Centro de Conhecimento em Agronegócios (PENSA) e a iniciativa do Fórum do Futuro, aconteceu na manhã desta segunda-feira (3) o seminário “O agro do futuro”, na FEA/USP.

O tema central da discussão foi a necessidade da integração e da melhoria da comunicação entre a comunidade científica, lideranças do agronegócio e a sociedade, em torno da potencialidade do Brasil na produção de alimentos, energia e fibras em bases sustentáveis. “Uma pesquisa realizada pela FAPESP apontou que apenas 8% da população brasileira é capaz de entender o discurso do agronegócio; 23% relaciona ciência a alimento e 15% consegue citar o nome de uma agência de pesquisa brasileira”, conta Fernando Barros, jornalista e gerente executivo do Instituto Fórum do Futuro.

“Aqui no Brasil, ao contrário de outros lugares do mundo, a palavra business soa pejorativa associada ao agro e, para conseguirmos comunicar, precisamos mudá-la de nome. Falar, por exemplo, em produção de alimentos é algo aceitável pelo público leigo. É preciso mudar a narrativa do agronegócio para que não perpetuemos este erro”, completa Barros.

O jornalista falou ainda da urgência para o setor em criar elos entre a Medicina, a Agricultura e a Nutrição. “Temos de fazer isso senão alguém vai produzir a desconstrução”, disse.

Na sequência, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, e também instituidor e presidente do conselho consultivo do Fórum do Futuro, deu continuidade ao discurso de uma comunicação mais efetiva entre a cadeia, a ciência e o público em geral. “Na década de 70, nosso grande problema era a falta de conhecimento e isto foi resolvido. Criamos uma agricultura tropical em pouquíssimo tempo. Hoje além de produzir alimentos, produzimos alimentos mais saudáveis e sustentáveis”, disse.

Rebatendo algumas das questões postas em discussão, o professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e instituidor do PENSA, Decio Zylbersztajn, questionou a falta de incentivo à pesquisa em rede. “O que precisamos pensar é como criar mecanismos estruturadores de pesquisa? Como trazer à tona o potencial científico no Brasil? Nós, da Academia, não somos motivados a levar a pesquisa, o estudo ao consumidor e sim, a publicar”, pontuou.

“Temos muito o que dizer, mas nos falta organização”

Isso é o que diz Marcos Jank, vice-presidente de assuntos corporativos da BRF Foods na Ásia, a respeito dos desafios da inserção do Brasil no agronegócio mundial

palestra_JankCom o propósito de discutir os desafios da inserção do Brasil no Agronegócio mundial, o Centro de Conhecimento em Agronegócios, Pensa USP, reuniu na manhã desta quinta-feira (23) especialistas, representantes de entidades, professores, profissionais e estudantes para ouvir a experiência de Marcos Sawaya Jank, vice-presidente de assuntos corporativos e desenvolvimento de negócios da BRF na Ásia-Pacífico, no mercado asiático.

Há um ano e meio em Cingapura para o processo de expansão da BRF Foods na Ásia, Jank iniciou sua palestra mostrando números em relação à região e ao consumo de carnes, lácteos e açúcar do continente. “51% da população mundial encontra-se na Ásia. A área responde por 19% do PIB mundial; 18% da terra disponível; 23% da água renovável. Em contrapartida, o consumo de carnes (28% carne de aves e 20% carne bovina) lá está abaixo da média global”, apontou. “Para quem vende comida, está aí uma oportunidade, de exportação e de investimento”, acrescentou.

Falando sobre as diferenças de desenvolvimento da cadeia da carne no mundo que passam, segundo o executivo, por fases como segurança alimentar; segurança do alimento; valor agregado e novas demandas, Jank observou que nesta escala, o uso de tecnologia aumenta para depois reduzir, atendendo, por exemplo, às exigências do mercado europeu de carnes sem antibiótico e/ou transgênicos. “Quando falamos em novas demandas, identificamos um consumidor muito mais preocupado com a qualidade do que com o preço”, disse.

Para Jank, o maior desafio global neste setor é conseguir que segurança alimentar, alimentos seguros e de qualidade, baixa inflação e sustentabilidade interajam e se integrem. “Os países não integram suas cadeias de valor”, disse. Como exemplo de uma cadeia de valor totalmente unificada e internacionalizada, o palestrante falou sobre o iPhone, da Apple.

“O caso da soja é um sucesso no Brasil, mas que nos obriga a pensar além dela, porque temos uma estrutura de baixa eficiência de exportação”, disse. “Numa cadeia de valor, que se comporta de maneira vertical (grãos-ração-produtores-processamento-distribuição-varejo), ainda não somos capazes de integrá-la de maneira global. A Austrália dá um banho no Brasil porque mostra para o seu consumidor todo o processo de rastreabilidade da carne. E não fazemos isso, não é porque não existe, mas porque não comunicamos”, disse.

“Temos muito o que dizer, mas nos falta organização. A sanidade é um exemplo de uma área com um papel setorial em desenvolvimento e um nacional que não existe. Temos de pensar num processo de comunicação muito mais estruturado, mais amplo. Países muito menores do que Brasil fazem isso”, concluiu.