Qual é o perfil das mulheres que atuam no agronegócio?

Levantamento realizado com 862 mulheres em todo o Brasil apontou alguns dados sobre a participação feminina num setor dominado por homens

Congresso Mulheres do AgroEncomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e realizada pela IPESO, a pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio” foi apresentada hoje (17) no primeiro dia do 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio – Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada”, em São Paulo. O estudo, feito em junho e julho deste ano, entrevistou 862 mulheres de todas as regiões do País e, por meio de um questionário com 48 perguntas, abordou temas como perfil da propriedade rural, setores de atuação, jornada de trabalho, família e sucessão, anseios e preocupações e também valores, interesses e opiniões.

“A pesquisa mostra a mulher como uma aceleradora de mudanças. É uma nova imagem do agronegócio para a sociedade urbana”, disse José Luiz Tejon, coordenador do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), durante a apresentação dos resultados.

“Além de termos um universo muito maior de mulheres em relação ao ano passado (que foi 300), a pesquisa se mostrou mais completa por conta de sua abrangência nacional. Contamos com o cadastro do CNA/SENAR para chegar até elas, que foram escolhidas mediante sorteio”, explicou Victor Trujillo, presidente da IPESO.

“Importante lembrar que a pesquisa falou com gente empreendedora, independente do tamanho da propriedade. Não nos debruçamos, por exemplo, sobre o papel das mulheres em assentamentos rurais. Este seria um trabalho muito mais hercúleo”, completou Tejon.

Resultados

De acordo com o levantamento, 49,5% das entrevistadas atuam em minifúndio, 26,1% em pequenas propriedades, 13,5% em médias e 10,9% em grandes fazendas. Em relação ao tipo de atividade, 73,1% trabalham dentro das fazendas, 13,9% nos elos da cadeia produtiva após a fazenda e 13%, antes da porteira. Quando o assunto é o tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham em atividades dentro da propriedade rural, 3,7% em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro; 2,8% estão no comércio, 2,3% atuam em segmentos ligados a governo e 2,1% trabalham em atividades da agroindústria.
O estudo apontou ainda que quanto à posição ocupada no negócio, a maioria (59,2%) é proprietária ou sócia; 30,5% é funcionária ou colaboradora e 10,4% é composto por gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.

Gênero

Mais de 61% das entrevistadas afirmou não ter sofrido problemas de liderança nos últimos dois anos pelo fato de ser mulher. Porém, quando o assunto é preconceito, 44,2% responderam ter sofrido preconceito evidente, 30% apontaram preconceito sutil e 25,8% diz não ter sofrido preconceito. “O preconceito existe, mas as mulheres mostraram também que têm disposição de enfrentá-lo com trabalho”, disse Tejon.

“Pesquisas nos trazem momentos de reflexão. Olhando pra estes dados, eu me pergunto – o que trouxe as mulheres até aqui? Foi a Educação. Ultrapassamos o paradigma de que as mulheres têm o papel de curadoria da sociedade para a consciência de que elas têm o poder de tomar decisões, de gerir carreira e pessoas”, disse Vera Ondei, editora chefe da revista Dinheiro Rural.

A pesquisa completa estará disponível nos sites da Abag e do evento a partir de 20/10.

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Estudo aponta que produtor rural está cada vez mais conectado à tecnologia da informação

De acordo com o Sebrae Agronegócios, o pequeno produtor está se modernizando e, com isso, profissionalizando os caminhos de seu negócio

foto_fazenda_rebanhoUma pesquisa realizada pelo Sebrae Agronegócios revelou o que há muito vem sendo reflexo de um setor desenvolvido no País – o produtor rural está cada vez mais conectado. O estudo, realizado no período de 29 de março a 12 de abril deste ano com 4.567 produtores de todos os estados do Brasil apontou que “o pequeno produtor rural está se modernizando, incorporando novas tecnologias e profissionalizando os caminhos de seu negócio”, diz Andrea Restrepo, analista do Sebrae Agronegócio.

“Até termos os dados em mãos, não sabíamos qual era o nível de conectividade deste público. E, com a pesquisa, podemos afirmar que estes produtores estão sim conectados”, completa. De acordo com a analista, o estudo mostra quatro aspectos muito importantes. “O primeiro deles é de que pudemos observar que quanto maior o faturamento deste produtor, maior é também a sua acessibilidade à tecnologia da informação; o segundo refere-se à idade – quanto mais jovem, mais conectado ele está; o terceiro mostra que a falta de conectividade não está relacionada à falta de interesse, mas sim à falta de infraestrutura; e o último, mas não menos importante, é a qualidade da internet, que na zona rural apresenta-se muito inferior à das cidades”, diz Andrea.

De acordo com o estudo, 58% dos empreendedores rurais que informaram não utilizar a conexão de internet móvel dizem que não o fazem, predominantemente, porque não há sinal ou provedor em sua região. Esta também foi a justificativa de 64% dos produtores que disseram não usar tecnologias digitais para a gestão do negócio. “Estes são dados importantes porque mostram que a exclusão digital está diretamente ligada à falta de políticas públicas voltadas para o pequeno empreendedor rural”, conclui Andrea.

A pesquisa “Tecnologia da Informação no Agronegócio” identificou que 71% dos donos de microempresas rurais e 85% dos proprietários de empresas de pequeno porte no campo usam smartphones para acessar a web. “Estes produtores têm a percepção de que quanto mais informados e conectados estiverem, mais rentável e competitivo será seu negócio”, analisa Andrea.

 

Estudo aponta que leite é uma das fontes mais baratas de nutrientes que existem

Pesquisa coordenada pela Embrapa analisou o custo benefício dos lácteos, em termos econômicos e nutricionais em comparação a outros produtos típicos da dieta brasileira

leite-II-300x199“A ideia do projeto surgiu em 2012 quando participei do Congresso Internacional de Lácteos, na África do Sul, ocasião em que foi apresentado um programa parecido. A pesquisa fazia um estudo comparativo, em termos nutricionais e econômicos, com comida de rua, largamente consumida por lá, e produtos lácteos”, conta Kennya Siqueira, engenheira de alimentos com doutorado em economia aplicada e também pesquisadora da Embrapa Gado de Leite. “Voltei pro Brasil e, em conversa com colegas, vimos que havia uma demanda deste tipo na área de nutrição associada à economia por aqui”, completou.

No final de 2015, uma equipe da Embrapa Gado de Leite em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) iniciou uma pesquisa para analisar o custo benefício dos lácteos, em termos econômicos e nutricionais em comparação a outros produtos típicos da dieta brasileira. “Hoje no Brasil, um dos fatores que tem maior influência na escolha alimentar das pessoas ainda é o preço”, diz a pesquisadora.

O estudo utilizou como base a tabela nutricional e os produtos listados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009 do IBGE. Foram investigados 443 produtos, entre alimentos e bebidas, consumidos pelos brasileiros. Destes, 43 eram produtos lácteos. “Fizemos a coleta de preços em abril e em outubro de 2016. Foram coletados os menores preços de todos os produtos em 16 supermercados virtuais de 10 estados brasileiros”, informa Kennya.

“Selecionamos oito nutrientes essenciais para a saúde humana (proteína, cálcio, fibra, ferro, vitaminas A, C, D, E) e para cada um deles foi feito um ranking”, explica a pesquisadora. De acordo com a especialista, a seleção desses nutrientes foi baseada na definição de alimento saudável da agência americana Food and Drug Administration e também nas deficiências nutricionais da população brasileira, segundo o IBGE. Foi considerado ainda o atendimento de 30% das recomendações diárias de um adulto saudável.

“Os resultados nos mostraram que os produtos lácteos, além de fazerem bem para saúde, têm custo baixo”, diz. O estudo apontou que a maioria dos produtos lácteos supre as necessidades de um indivíduo a um custo inferior a R$ 5,00. O leite integral, por exemplo, pode suprir 30% das necessidades de cálcio de um adulto saudável ao custo de R$ 0,97.

Os derivados do leite também ocuparam as primeiras posições no ranking de custo da vitamina D e obtiveram boa colocação no ranking de proteína e vitamina A. Quanto à proteína, o leite integral perdeu apenas para carnes, amendoim moído e ovo de galinha. Em relação à vitamina A, o lácteo mais bem colocado foi o creme de leite, seguido pelo leite em pó desnatado, leite semidesnatado, manteiga e requeijão. A tabela traz que o custo para se adquirir 30% das necessidades diárias de vitamina A com derivados lácteos é de menos de R$ 2,00. Com o mesmo valor, adquire-se também 30% de vitamina D, consumindo leite pasteurizado, integral, semidesnatado e desnatado; ou leite em pó (desnatado e integral).

Para ter acesso à tabela completa com os resultados, clique aqui.