Estudo aponta que produtor rural está cada vez mais conectado à tecnologia da informação

De acordo com o Sebrae Agronegócios, o pequeno produtor está se modernizando e, com isso, profissionalizando os caminhos de seu negócio

foto_fazenda_rebanhoUma pesquisa realizada pelo Sebrae Agronegócios revelou o que há muito vem sendo reflexo de um setor desenvolvido no País – o produtor rural está cada vez mais conectado. O estudo, realizado no período de 29 de março a 12 de abril deste ano com 4.567 produtores de todos os estados do Brasil apontou que “o pequeno produtor rural está se modernizando, incorporando novas tecnologias e profissionalizando os caminhos de seu negócio”, diz Andrea Restrepo, analista do Sebrae Agronegócio.

“Até termos os dados em mãos, não sabíamos qual era o nível de conectividade deste público. E, com a pesquisa, podemos afirmar que estes produtores estão sim conectados”, completa. De acordo com a analista, o estudo mostra quatro aspectos muito importantes. “O primeiro deles é de que pudemos observar que quanto maior o faturamento deste produtor, maior é também a sua acessibilidade à tecnologia da informação; o segundo refere-se à idade – quanto mais jovem, mais conectado ele está; o terceiro mostra que a falta de conectividade não está relacionada à falta de interesse, mas sim à falta de infraestrutura; e o último, mas não menos importante, é a qualidade da internet, que na zona rural apresenta-se muito inferior à das cidades”, diz Andrea.

De acordo com o estudo, 58% dos empreendedores rurais que informaram não utilizar a conexão de internet móvel dizem que não o fazem, predominantemente, porque não há sinal ou provedor em sua região. Esta também foi a justificativa de 64% dos produtores que disseram não usar tecnologias digitais para a gestão do negócio. “Estes são dados importantes porque mostram que a exclusão digital está diretamente ligada à falta de políticas públicas voltadas para o pequeno empreendedor rural”, conclui Andrea.

A pesquisa “Tecnologia da Informação no Agronegócio” identificou que 71% dos donos de microempresas rurais e 85% dos proprietários de empresas de pequeno porte no campo usam smartphones para acessar a web. “Estes produtores têm a percepção de que quanto mais informados e conectados estiverem, mais rentável e competitivo será seu negócio”, analisa Andrea.

 

Estudo aponta que leite é uma das fontes mais baratas de nutrientes que existem

Pesquisa coordenada pela Embrapa analisou o custo benefício dos lácteos, em termos econômicos e nutricionais em comparação a outros produtos típicos da dieta brasileira

leite-II-300x199“A ideia do projeto surgiu em 2012 quando participei do Congresso Internacional de Lácteos, na África do Sul, ocasião em que foi apresentado um programa parecido. A pesquisa fazia um estudo comparativo, em termos nutricionais e econômicos, com comida de rua, largamente consumida por lá, e produtos lácteos”, conta Kennya Siqueira, engenheira de alimentos com doutorado em economia aplicada e também pesquisadora da Embrapa Gado de Leite. “Voltei pro Brasil e, em conversa com colegas, vimos que havia uma demanda deste tipo na área de nutrição associada à economia por aqui”, completou.

No final de 2015, uma equipe da Embrapa Gado de Leite em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) iniciou uma pesquisa para analisar o custo benefício dos lácteos, em termos econômicos e nutricionais em comparação a outros produtos típicos da dieta brasileira. “Hoje no Brasil, um dos fatores que tem maior influência na escolha alimentar das pessoas ainda é o preço”, diz a pesquisadora.

O estudo utilizou como base a tabela nutricional e os produtos listados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009 do IBGE. Foram investigados 443 produtos, entre alimentos e bebidas, consumidos pelos brasileiros. Destes, 43 eram produtos lácteos. “Fizemos a coleta de preços em abril e em outubro de 2016. Foram coletados os menores preços de todos os produtos em 16 supermercados virtuais de 10 estados brasileiros”, informa Kennya.

“Selecionamos oito nutrientes essenciais para a saúde humana (proteína, cálcio, fibra, ferro, vitaminas A, C, D, E) e para cada um deles foi feito um ranking”, explica a pesquisadora. De acordo com a especialista, a seleção desses nutrientes foi baseada na definição de alimento saudável da agência americana Food and Drug Administration e também nas deficiências nutricionais da população brasileira, segundo o IBGE. Foi considerado ainda o atendimento de 30% das recomendações diárias de um adulto saudável.

“Os resultados nos mostraram que os produtos lácteos, além de fazerem bem para saúde, têm custo baixo”, diz. O estudo apontou que a maioria dos produtos lácteos supre as necessidades de um indivíduo a um custo inferior a R$ 5,00. O leite integral, por exemplo, pode suprir 30% das necessidades de cálcio de um adulto saudável ao custo de R$ 0,97.

Os derivados do leite também ocuparam as primeiras posições no ranking de custo da vitamina D e obtiveram boa colocação no ranking de proteína e vitamina A. Quanto à proteína, o leite integral perdeu apenas para carnes, amendoim moído e ovo de galinha. Em relação à vitamina A, o lácteo mais bem colocado foi o creme de leite, seguido pelo leite em pó desnatado, leite semidesnatado, manteiga e requeijão. A tabela traz que o custo para se adquirir 30% das necessidades diárias de vitamina A com derivados lácteos é de menos de R$ 2,00. Com o mesmo valor, adquire-se também 30% de vitamina D, consumindo leite pasteurizado, integral, semidesnatado e desnatado; ou leite em pó (desnatado e integral).

Para ter acesso à tabela completa com os resultados, clique aqui.

 

ABMRA divulga dados da 7ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural

Aumento no uso de tecnologias e participação das mulheres em funções de decisão na propriedade foram alguns destaques do estudo

cecafe_prod_info_3Por meio de propagandas a respeito do campo, veiculadas com um intervalo de 38 anos, a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) apresentou alguns resultados da sétima edição da Pesquisa Hábitos do Produtor Rural. “Em 1979, falava-se em êxodo rural”, disse Ricardo Nicodemos, diretor de Pesquisas da ABMRA, referindo-se à Campanha que tinha como mote “Quando o campo é pobre, a esperança vem morrer na cidade”; “Hoje, temos “Agro – a indústria-riqueza do Brasil”, a campanha veiculada pela Rede Globo de Televisão que diz que ‘agro é pop, agro é tech, agro é tudo’.

Associada à essa mudança, o diretor falou também a respeito do PIB agrícola e, consequentemente, da importância e da participação do setor na Economia do País. “Em 1994, o PIB Agropecuário foi de US$ 35 milhões. Em 2016, o valor foi de US$ 1,8 trilhão”, pontuou.

A pesquisa ouviu 2.835 agricultores e pecuaristas de 15 estados de todas as regiões do Brasil e mostrou o perfil desses produtores em relação a dados demográficos, hábitos de compra, envolvimento com novas tecnologias e mídias, fontes de informação, compra e uso de insumos etc. “Observamos que a idade média dos produtores hoje é de 46,5 anos – 3,1% menor em relação ao estudo feito em 2013 e que 21% deles têm curso superior. Isso nos mostra que há um interesse da nova geração em fazer parte da gestão da propriedade rural”, disse Marcelo Claudino, diretor de Inteligência de Negócios da FNP Informa, instituto responsável pela pesquisa.

“Outro dado interessante refere-se à presença das mulheres em funções de decisão nos empreendimentos rurais. Hoje, 1/3 (31%) das propriedades apresentam mulheres no gerenciamento e, ainda de acordo com o estudo, 81% consideram a participação das mulheres vital ou muito importante”, completou.

Em relação à exposição dessa população aos meios de comunicação, a televisão é o veículo mais usado, seguido do rádio e da internet. Jornais e revistas apresentaram queda em relação à última pesquisa de 2013.

Uma outra mudança apontada pelo estudo foi o uso de smartphones, que na edição anterior mostrou que 17% dos produtores usavam a tecnologia; hoje é de 61%. Além disso, cerca de ¾ dos produtores têm acesso à internet e usam redes sociais. “Desse universo, 96% usa o Whatsapp, 67% o Facebook, 24% o Youtube.

Como o agro se enxerga e como é enxergado

Segundo a pesquisa, 68% dos produtores rurais se dizem otimistas em relação à sua atividade e 91% diz ter orgulho em ser produtor rural. Mas quando a pergunta se refere à percepção da população urbana sobre o campo, “mais de 50% respondeu que as pessoas precisam conhecer mais sobre a realidade da população rural e de suas dificuldades”, disse Marcelo Claudino.

“Tem se buscado melhorar a imagem do agronegócio, mas não há preocupação da mídia em divulgar uma imagem positiva do setor. Embora sejamos um pilar da economia de nosso país, ainda não somos motivo de orgulho dos brasileiros, como acontece no futebol, por exemplo”, finalizou Jorge Espanha, presidente da ABMRA.