Gasolina tem reajuste de 0,5% e diesel de 2,5%, nas refinarias

Novos preços passam a valer a partir de hoje

Redação*

Abastecimento-Etanol_0006-300x225O preço da gasolina nas refinarias terá aumento de 0,5% e do diesel, de 2,5%. Os reajustes, que valem a partir de hoje (31), foram decididos pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços da Petrobrás.

Em nota, a estatal informou que ao longo de agosto, a área técnica da companhia realizou ajustes acumulados com altas de 3,4% na gasolina e de 2,2%, no diesel.

De acordo com a Petrobrás, os ajustes realizados dentro da nova política de preços, anunciada em junho, têm sido suficientes para garantir o equilíbrio dos valores praticados pela empresa com a volatilidade dos mercados de derivados e ao câmbio.

*Com informações da Agência Brasil

Consumo de etanol bate recorde em 2015, apesar da perda de competitividade em relação à gasolina

Venda do hidratado cresceu 37,2%, uma alta histórica. Crise financeira deve ser explicação, levando à opção pelo menor gasto no abastecimento em relação à gasolina, acredita consultoria Datagro

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O consumo de etanol hidratado (o que é usado diretamente no tanque do veículo) no Brasil em 2015 foi de 17,82 bilhões de litros, em crescimento de 37,2% com relação a 2014. E justamente em uma época em que o biocombustível perdeu competitividade na bomba em relação à gasolina, ficando a relação etanol hidratado/gasolina em São Paulo, onde já é tradicionalmente menor, em 0,75* nos últimos meses do ano. Nesse estado, ele foi mais usado no ano passado que a gasolina, o que não acontecia há cinco anos.

“Ocorreu uma evolução até surpreendente do consumo de etanol combustível no Brasil, apesar da falta de uma política pública mais consistente no país para incentivar o seu uso”, afirmou Plínio Nastari, presidente da consultoria Nastari, na manhã desta 2a feira, 22, em conversa com jornalistas. Surpreendente mesmo se considerando que nos últimos dez anos o consumo de combustíveis do Ciclo Otto no Brasil (gasolina e etanol) dobrou, passando de 26,82 bilhões de litros de gasolina equivalente em 2005 para 53,64 bilhões de litros em 2015, crescendo a uma taxa anual de mais de 7%, superior à da expansão do PIB do país. Sendo que o etanol correspondeu, no ano passado, a 42% desse mercado.

Teria baixado uma consciência ecológica no consumidor brasileiro, que levaria, a despeito da falta de economia, à preferência por um combustível menos poluente e de fonte renovável?

Nada disso: os especialistas da consultoria Datagro creditam esse aumento do consumo do etanol por parte dos motoristas brasileiros à crise econômica, já que encher o tanque com o biocombustível significa um dispêndio de dinheiro menor do que com gasolina.

Questionado pelo CenárioAgro se esta tendência de alta do etanol em relação à gasolina deve se manter este ano, mesmo com o preço do barril de petróleo por volta dos US$ 30, Nastari disse que não acredita que a Petrobrás vá baixar o preço da gasolina nas refinarias, porque precisa “fazer caixa”, por conta dos problemas financeiros que tem enfrentado. Sendo assim, o preço da gasolina ao consumidor se manteria elevado, mesmo com o petróleo barato, e o consumo de etanol hidratado mais o anidro – que é misturado à gasolina – deve se manter nos 30 bilhões de litros/ano.

De acordo com a ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, em janeiro, as vendas de combustíveis em geral caíram 12,7% (10,5 bilhões de litros), sendo que as de etanol, 3,2% (1,2 bilhão de litros), em relação ao mês anterior.

Exportação com créditos de carbono

Na safra 2015/16, o Brasil moeu, de acordo com levantamento da Datagro, 668 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, das quais 620 milhões foram produzidas no Centro-Sul. A produção do Norte-Nordeste caiu mais de 7% em função da seca, que comprometeu a produtividade no ano passado. E se o El Niño deve deixar de prejudicar o clima no país a partir do meio deste ano, outro fenômeno, a La Niña, é esperada a partir de setembro.

Por conta disso, o Brasil deve continuar a importar cerca de 650 milhões de litros de etanol para suprir a demanda nas regiões Norte e Nordeste. A boa notícia é que a balança comercial desse setor é favorável, uma vez que o Brasil tem importado etanol de milho, mais barato, mas, por outro lado, exportado cerca de 1,8 bilhão de litros de etanol “premium” para os Estados Unidos, especialmente para a Califórnia que paga prêmios a produtos de baixo carbono, vindos de unidades de co-geração de energia e, ainda, ao etanol de 2a geração (2G), ou seja, que apresentam atributos ambientais. Os créditos de carbono pagos pela Califórnia chegaram a US$ 127/metro cúbico em janeiro.

*No cálculo da vantagem econômica etanol x gasolina, como, apesar do preço do litro do primeiro ser menor, seu consumo pelos motores flex é maior, costuma-se recomendar o uso do segundo quando a relação for superior a 0,70.