Campanha quer estimular o consumo de carne suína no Brasil

Idealizada pela Cooperativa Frimesa, do sudoeste paranaense, ação conta com o lançamento de um portal com informações sobre consumo, preparo e segurança alimentar

Conversamos com Valter Vanzella, presidente da Frimesa, a respeito de consumo de carne suína no Brasil e no mundo e também sobre a iniciativa que lançaram em outubro deste ano. Confira!

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Valter Vanzella, presidente da Frimesa

1 – Por que motivo a carne suína é tão pouco consumida aqui no Brasil em relação aos outros países do mundo?

A carne suína é a mais consumida no mundo e, no Brasil, encontra cada vez mais espaço para crescer. Temos o desafio junto à cadeia produtiva de desmistificar e valorizar o alimento ainda visto de forma errônea, como gorduroso e prejudicial à saúde. Diante de uma realidade bem diferente, de uma carne indicada por especialistas como excelente fonte de proteína e dependendo do corte com menos gordura que a de frango e boi, é preciso levar informação.
Em países da Europa como Alemanha, Itália, Espanha, Suíça, Holanda e Suécia, as características da carne suína são muito apreciadas. Lá, a carne suína lidera a preferência com um consumo per capita de quase 40 quilos habitante/ano. Áustria é a recordista europeia, onde o consumo chega a 53 kg e na China o consumo chega a 38 kg ao ano. Esses dados são divulgados pela FAO, órgão vinculado a ONU, que aponta que a carne suína em todo mundo fica com quase 40% do mercado, à frente das demais carnes.
No Brasil, o consumo vem crescendo ano a ano. O ano de 2016 deve fechar com consumo per capita acima dos 15,1 quilos, um crescimento de 3% em relação ao ano anterior.

2 – Quais os benefícios de seu consumo?

Filé mignon, alcatra e até mesmo o coxão mole suínos são classificados como cortes magros. Isso porque a gordura é extramuscular. Na carne suína, muitos cortes possuem uma capa externa, enquanto a gordura de outras fontes de proteína animal apresenta-se de forma intramuscular – interna e não visível. Assim sendo, se o consumidor optar por ingerir uma carne sem gordura, basta retirar esta capa.
Os benefícios podem surpreender os consumidores. No caso do complexo B, os nutrientes essenciais ajudam a converter os alimentos em combustível, o que permite ficar energizado durante todo o dia.
A carne suína é a principal fonte animal de tiamina (vitamina B1) e quando comparada às carnes bovina e de frango, pode conter até 10 vezes a mais da vitamina. A cada 100g, por exemplo, pode se alcançar 20% da recomendação diária.
Um bife de carne suína é fonte de um importante mineral, o potássio, que regula os níveis de sódio e auxilia pessoas que sofrem com pressão alta. O zinco é importante para fortalecer as defesas do corpo. Encontramos ainda na carne suína – ferro, cálcio, cálcio e fósforo.
É saudável: Cortes como lombo, coxão mole e filé mignon possuem menor gordura e colesterol que peito de frango. Além de ser rica em proteína, é fonte de vitaminas do complexo B, ferro, zinco, potássio e sódio;
É saborosa e suculenta podendo ser assada, cozida, grelhada ou frita;
É Segura: A produção de suínos é tecnificada e os produtores devem seguir programas rígidos desde a alimentação do rebanho, instalações que priorizam o bem-estar animal, genética e sustentabilidade.
É versátil: São 60 tipos de cortes que permitem infinitas formas de preparo nas refeições diárias. Picanha, alcatra, lombo, carré, sobrepaleta, entre outros aceitam todo tipo de ingrediente ou de condimento e as mais variadas guarnições.

3 – Há alguma restrição em relação ao consumo?

Antigamente, muitas décadas atrás, a regra geral era criar os animais em situações precárias de saneamento, alimentando-os com restos de comida, que muitas vezes já estava contaminada. Por isso, poderiam ocorrer casos de cisticercose. Hoje, a carne suína é produzida em criadouros com tecnologia, estrutura, higiene e segurança. Existem cooperativas qualificadas, que alimentam os animais somente com ração, passam por um controle rigoroso de vigilância sanitária e tudo é atestado por laudos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Afirmações como “grávidas não devem comer carne suína”, ou “os judeus devem ter um motivo para não comê-la” acabam por espalhar alguns mitos sobre o alimento.
Considerá-la uma carne perigosa, por exemplo, é uma das afirmações que, segundo o nutricionista José Dorea, professor da Universidade de Brasília (UnB), já não faz sentido há pelo menos uns 100 anos. Segundo o especialista, o medo de adquirir uma doença depois de comer carne suína nasceu porque, no passado, os animais eram criados no entorno das casas, sem qualquer condição de higiene ou saneamento. Uma realidade bastante diferente da que se vive atualmente.

4 – Que tipos de ações a Cooperativa promove para estimular o consumo de carne suína no País?

Vamos mostrar para o brasileiro o que o mundo todo já sabe; que a carne suína é a mais consumida no mundo porque é segura, saborosa, faz bem para a saúde e existem infinitas formas de consumi-la. A iniciativa quer levar informações sobre tudo o que envolve a carne suína e estimular o seu consumo no dia a dia das famílias.
Diante do custo-benefício da carne suína nesse momento de crise que afeta a renda das famílias brasileiras, é necessária uma maior conscientização sobre os valores nutricionais e a qualidade desta carne.

5 – Quando foi lançado o site “acarnequeomundoprefere.com.br” e o que os consumidores podem encontrar por lá?

O portal foi lançado na segunda quinzena de outubro. A plataforma apresenta conteúdos divididos em cinco seções: Segurança, com vídeos e textos que mostram a cadeia produtiva, a procedência da carne e todo o cuidado que temos na produção dos cortes, bem como as questões de rastreabilidade, higienização e certificação; Mitos e Verdades, trazendo o que é verdade ou não sobre a carne suína e seus benefícios à saúde, sabor e conveniência, além de esclarecer dúvidas em relação à produção e consumo; Receitas com 60 receitas, cinco para cada corte; Nutrição, um espaço que apresenta informações nutricionais dos cortes, saudabilidade, cortes indicados para dietas de baixa calorias etc. E, por fim, Produtos com toda a linha de cortes e derivados de carne suína.

 

Mercado sul-coreano abre as portas para carne suína brasileira

Segundo Mapa, potencial de exportação é de USS 108 milhões

Redação*

porcos-Morguefile-300x221Pela primeira vez, o Brasil poderá embarcar carne suína in natura para a Coreia do Sul. Isso porque, depois de dez anos de negociação, o governo coreano decidiu autorizar a importação da carne produzida em Santa Catarina. Os dois países esperam concluir ainda este ano todas as formalidades da transação comercial para permitir as primeiras exportações.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o potencial de exportação de Santa Catarina para aquele país é de US$ 108 milhões, o que representa 33 mil toneladas do produto.

“A Coreia do Sul é um dos maiores importadores mundiais de carne suína. Hoje, a União Europeia, os Estados Unidos, o Canadá e o Chile são os maiores fornecedores do produto para esse mercado. A produção local da Coreia do Sul está sendo afetada pelos surtos de febre aftosa e de diarreia epidêmica suína (PEDV). O Brasil é o parceiro que poderá oferecer produto saudável e seguro ao consumidor sul-coreano”, diz em nota, Tatiana Palermo, secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa.

Ainda segundo a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, a carne suína de Santa Catarina foi escolhida pelas autoridades sanitárias sul-coreanas porque esse é o único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

*Com informações do Mapa