Brasil deve processar 43 milhões de toneladas de soja em 2018

Estimativa de recorde é da Abiove, que enxerga no B10 um estímulo à produção de biodiesel

Da esquerda para direita - Daniel Furlan Amaral, gerente de Economia da Abiove e Fábio Trigueirinho, presidente da Abiove

Daniel Furlan Amaral (à esq.), gerente de Economia, e Fábio Trigueirinho, presidente da Abiove

“Este foi um ano de recordes de produção. Foram quase 105 milhões de toneladas de soja, com ganhos expressivos de produtividade (cerca de 3,38 toneladas/hectare). Isso se deveu muito ao clima favorável do início do ano. Em relação às exportações, fechamos também com recorde (US$ 31,5 bilhões)”. Foi em tom positivo e também de boas perspectivas para o próximo ano que Fábio Trigueirinho, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), fez um balanço sobre o setor em 2017.

A entidade estima que para 2018, a produção da oleaginosa atinja cerca de 109,5 milhões de toneladas. Além disso, o processamento deve atingir 43 milhões de toneladas, por conta da demanda de óleo de soja para produção de biodiesel, cujo percentual adicionado ao diesel fóssil aumentará de 8 para 10% a partir de março (B10). As exportações e os preços devem se manter estáveis.

Lei Kandir

Uma questão levantada por Trigueirinho, durante evento de balanço do ano nesta 3a feira (12) em São Paulo, foi a proposta de emenda constitucional pelo Senado Federal (PEC 37/2007) de revogar a Lei Kandir, de 1996, que isenta de ICMS produtos primários e semielaborados, além de serviços, destinados à exportação.

“Tributar as transações interestaduais vai fazer com que o Brasil perca competitividade”, afirmou o presidente da Abiove, para quem a Lei Kandir precisa ser aperfeiçoada. “Sugerimos que a taxação [da transferência de matérias-primas entre os Estados], que é de 12%, passe a ser 4%. De qualquer forma, não acreditamos que esta emenda seja aprovada, já que para isso seria necessário o voto favorável de 308 deputados”, completou.

China

Para atender às demandas chinesas nos próximos anos, a Abiove acredita que o Brasil deveria focar na criação de um mecanismo de interlocução do agronegócio, que envolvesse o Governo Federal, as instituições e o setor privado. “A China é um país com questões políticas muito fortes. Precisa haver essa organização integrada da nossa parte”, disse Trigueirinho.

Outro ponto abordado pelo presidente da entidade foi a criação de uma cota mínima de importação de farelo de soja pela China. “A gente não consegue vender farelo para eles. Precisamos agregar valor às exportações chinesas”, disse.

 

 

 

 

 

 

 

Fruticultura tem valor de produção recorde em 2016

Dado do IBGE mostra ainda que em relação a 2015, o aumento foi de 26%

Redação*

Fruit Pikovice-1Pesquisa divulgada ontem (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a fruticultura nacional registrou no ano passado recorde no valor de produção, com total de R$ 33,3 bilhões. Em relação a 2015, o montante teve um aumento de 26%. “Foi o maior valor de produção da série histórica iniciada em 1974”, disse Larissa Leone Issac Souza, supervisora da pesquisa.

As maiores altas em 2016 foram registradas nas culturas de limão (52%), laranja (47,2%), banana (43,4%) e maçã (25,8%). Em valores absolutos, a liderança é da laranja, que concentra 25,1% do valor de produção, com R$ 8,4 bilhões; e da banana (25%), com valor de produção de R$ 8,3 bilhões.

O Estado de São Paulo respondeu por 30,9% do valor de produção nacional da fruticultura, o que significou R$ 10,3 bilhões, com destaque para a cultura da laranja (59,2%). Por municípios, a liderança ficou com Petrolina/PE.

As frutíferas são compostas por 22 produtos, incluindo lavouras temporárias (abacaxi, melancia e melão) e permanentes (abacate, banana, caqui, castanha de caju, coco-da-baía, figo, goiaba, laranja, limão, maçã, mamão, manga, maracujá, marmelo, noz, pera, pêssego, tangerina e uva).

Laranja

Em 2016, o Brasil produziu 17,2 milhões de toneladas da fruta, 1,8% a mais que no ano anterior. A área colhida foi de 659 mil hectares e o valor de produção teve expansão de 47,2%, alcançando R$ 8,4 bilhões.laranja

De acordo com o IBGE, houve redução na área dedicada à laranja na última década, devido ao avanço da cana-de-açúcar em São Paulo. O Estado continua sendo o maior produtor nacional de laranja, 74,5% do total em 2016, com 13 milhões de toneladas e valor de produção de R$ 6,1 bilhões. Por municípios, a maior produção foi registrada em Casa Branca (SP), com 694 mil toneladas.

*Com informações da Agência Brasil

 

 

Produção brasileira de cana-de-açúcar deve cair nesta safra

Volume de 646,34 milhões de toneladas, estimado pela Conab, é 1,7% inferior ao da temporada passada

Redação*

Canavial-Ed-300x246Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou números do 2º levantamento da safra 2017/2018 de cana-de-açúcar. De acordo com a Companhia, a safra atual deve ser de 646,34 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 1,7% comparada às 657,18 milhões da temporada passada.

A área colhida apresenta uma redução de 3,1%, passando de 9,05 milhões para 8,77 milhões de hectares. A queda deve-se à desistência e à devolução de áreas de fornecedores distantes das unidades de produção, principalmente aquelas em que há dificuldade de mecanização.

De acordo com a Conab, o recuo na produção só não é maior graças ao aumento de 1,5% na produtividade, que deve passar das 72,62 toneladas por hectare da safra anterior para 73,73 toneladas por hectare.

A prioridade continua sendo a produção de açúcar, que deve atingir 39,39 milhões de toneladas, aumento de 1,8% em relação à safra anterior, de 38,69 milhões de toneladas. Com esta tendência, a produção de etanol registra redução de 6,1%, passando de 27,81 para 26,12 milhões de toneladas.

A queda ocorre apenas no etanol hidratado, aquele que vai direto para as bombas de combustível. O anidro tem mercado garantido na mistura com a gasolina e não apresenta variações na produção. Enquanto o hidratado cai 10,2% e sai de 16,73 para 15,02 bilhões de litros, o anidro sobre de 11,07 para 11,09 bilhões de litros, com aumento de 0,2%.

O levantamento também divulgou o percentual de colheita mecanizada no país – a estimativa desta safra é de que 90,2% da área de colheita adote a tecnologia. Na Região Centro-Sul, o percentual é de 95,6%, enquanto que no Norte-Nordeste é de apenas 23,2%, devido à dificuldade de atuação mecânica num relevo mais acidentado.

Os dados deste segundo levantamento da Conab foram coletados no período de 30 de julho a 12 de agosto.

*Com informações do Mapa