Três demandas do agronegócio que ainda carecem de investimento e inovação

Por Igor Chalfoun*

IgorCEO_TBIT-cred_MarceloGoulartResponsável por um superávit de mais de US$ 48 bilhões neste ano, o agronegócio é uma área ainda aberta a novas ideias e investimentos, em razão da diversidade de culturas existentes e de possíveis inovações tecnológicas que venham a aumentar, ainda mais, a produtividade do setor.

No entanto, os empreendedores precisam ficar atentos às peculiaridades do agronegócio. É importante conhecer em detalhes as legislações do segmento onde se pretende atuar. Cada um deles tem suas normas particulares e isso impacta diretamente na atuação da empresa. As especificidades nas relações comerciais, as oscilações na demanda devido à sazonalidade, além do papel das mudanças climáticas, também são fatores a serem considerados em um plano de negócios.

Para quem pretende investir no agronegócio, selecionei três principais gargalos do setor que ainda carecem de inovação e merecem atenção especial:

  1. Dependência de mão de obra

Ofereça produtos que consigam minimizar a dependência de mão de obra, cada vez mais escassa no agronegócio. A mecanização é, de fato, uma tendência cada vez mais forte, porque aumenta a produtividade e elimina a subjetividade humana na análise de culturas. Isso não significa que haverá uma “robotização total”, mas sim que a inteligência e as habilidades humanas serão aplicadas em outras áreas, como a de gestão estratégica de recursos. Além disso, soluções tecnológicas que reduzem a dependência de mão de obra estão sendo procuradas por gigantes do setor, o que representa oportunidade de captação de investimentos para o seu negócio.

  1. Otimização de recursos

No agro, mais do que em outras áreas, inovações que otimizem recursos têm apelo muito forte porque impactam diretamente o bolso dos produtores. Isso pode significar tempo e custos de produção menores e, consequentemente, lucros maiores. Portanto, os efeitos são positivos para toda cadeia produtiva do agronegócio. Investir em otimização de recursos também pode destacar seu negócio em um meio muito competitivo, já que todas as empresas querem tornar seus processos produtivos mais simples e eficazes.

  1. Dados para tomada de decisão

As empresas do agronegócio lidam com uma quantidade enorme de informações antes de tomar decisões. São dados que vão desde o tipo de semente a ser utilizado a mudanças climáticas que podem impactar a colheita. Então, investir em plataformas que organizem esses dados pode ser uma vantagem crucial. Uma solução como essa permitirá decisões mais rápidas e mais precisas, trazendo benefícios para todo o setor.

*é CEO e cofundador da Tbit, startup mineira que cria sistemas de análise de sementes a partir de Inteligência Artificial e processamento digital de imagens.

 

 

Ex-ministro Paolinelli critica falta de recursos para pesquisa agrícola

Segundo chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, parceria com o setor produtivo é fundamental para dar alívio ao caixa do governo  

Abisolo_ronaldoO ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, criticou nesta quinta-feira (06), em evento em Campinas (SP), a diminuição de recursos para pesquisa agrícola no País. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do qual a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é vinculada foi um dos mais atingidos pelo corte do orçamento feito pelo governo federal.

Segundo Paolinelli, o investimento em pesquisa agrícola é fundamental para manutenção da vanguarda tecnológica da agricultura brasileira. “A pesquisa em agricultura tropical é a arma mais potente que temos de competitividade. Temos que definir prioridades e a pesquisa é uma delas”, disse, durante o Fórum da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). “Vamos pagar caro por isso. Cortar dinheiro para pesquisa é a economia mais porca que um país pode fazer”, acentuou Paolinelli.

Também presente ao evento, o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Augusto Boechat Morandi, afirmou que ao longo dos anos a empresa foi “engolida pela burocracia estatal”. Morandi fez questão de ressaltar que o atual presidente da Embrapa, Maurício Lopes, vem garimpando novas oportunidades de financiamento, como, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com o setor produtivo.

“Em Jaguariúna, sede da Embrapa Meio Ambiente, 30% do nosso orçamento é fruto de convênios com a iniciativa privada”, revelou Morandi, acrescentando que “é preciso flexibilizar as regras para que este tipo de aliança avance cada vez mais, e assim dê alívio para o caixa do governo”.

Crise ameaça fechar única instituição de pesquisa no interior da Amazônia

Sem repasse de recursos do governo federal, mais de 50 pesquisas foram paralisadas

Redação*

fotoA redução de mais de 60% no repasse de recursos do governo federal ameaça fechar a única instituição de pesquisa no interior da Amazônia – o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizado no município de Tefé.

Em 2015, a expectativa era receber aproximadamente R$ 27 milhões, mas foram repassados R$ 16 milhões. Já para este ano, a previsão orçamentária é de R$ 9 milhões. De acordo com o diretor-geral do instituto, Helder Lima de Queiroz, para reduzir os custos foi necessário demitir 42% dos integrantes da entidade, cerca de 75 pessoas entre pesquisadores, bolsistas e funcionários.

Segundo Queiroz, 65% dos projetos em andamento, que correspondem a mais de 50 pesquisas, tiveram de ser paralisadas. Além disso, a falta de recursos foi responsável pelo fechamento de sete das 12 bases de campo do Instituto Mairauá. Os projetos mais prejudicados são os que orientam as comunidades que vivem no interior da floresta a explorarem os recursos naturais de forma sustentável.

*Com informações da Agência Nacional