Ex-ministro Paolinelli critica falta de recursos para pesquisa agrícola

Segundo chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, parceria com o setor produtivo é fundamental para dar alívio ao caixa do governo  

Abisolo_ronaldoO ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, criticou nesta quinta-feira (06), em evento em Campinas (SP), a diminuição de recursos para pesquisa agrícola no País. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do qual a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é vinculada foi um dos mais atingidos pelo corte do orçamento feito pelo governo federal.

Segundo Paolinelli, o investimento em pesquisa agrícola é fundamental para manutenção da vanguarda tecnológica da agricultura brasileira. “A pesquisa em agricultura tropical é a arma mais potente que temos de competitividade. Temos que definir prioridades e a pesquisa é uma delas”, disse, durante o Fórum da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). “Vamos pagar caro por isso. Cortar dinheiro para pesquisa é a economia mais porca que um país pode fazer”, acentuou Paolinelli.

Também presente ao evento, o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Augusto Boechat Morandi, afirmou que ao longo dos anos a empresa foi “engolida pela burocracia estatal”. Morandi fez questão de ressaltar que o atual presidente da Embrapa, Maurício Lopes, vem garimpando novas oportunidades de financiamento, como, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com o setor produtivo.

“Em Jaguariúna, sede da Embrapa Meio Ambiente, 30% do nosso orçamento é fruto de convênios com a iniciativa privada”, revelou Morandi, acrescentando que “é preciso flexibilizar as regras para que este tipo de aliança avance cada vez mais, e assim dê alívio para o caixa do governo”.

Crise ameaça fechar única instituição de pesquisa no interior da Amazônia

Sem repasse de recursos do governo federal, mais de 50 pesquisas foram paralisadas

Redação*

fotoA redução de mais de 60% no repasse de recursos do governo federal ameaça fechar a única instituição de pesquisa no interior da Amazônia – o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizado no município de Tefé.

Em 2015, a expectativa era receber aproximadamente R$ 27 milhões, mas foram repassados R$ 16 milhões. Já para este ano, a previsão orçamentária é de R$ 9 milhões. De acordo com o diretor-geral do instituto, Helder Lima de Queiroz, para reduzir os custos foi necessário demitir 42% dos integrantes da entidade, cerca de 75 pessoas entre pesquisadores, bolsistas e funcionários.

Segundo Queiroz, 65% dos projetos em andamento, que correspondem a mais de 50 pesquisas, tiveram de ser paralisadas. Além disso, a falta de recursos foi responsável pelo fechamento de sete das 12 bases de campo do Instituto Mairauá. Os projetos mais prejudicados são os que orientam as comunidades que vivem no interior da floresta a explorarem os recursos naturais de forma sustentável.

*Com informações da Agência Nacional