Projeto Horta Escola estimula microempreendedorismo

Realizado em São José dos Campos, interior de São Paulo, programa é direcionado a população em vulnerabilidade social

IMG-20170511-WA0011

“Fiquei sabendo pela minha filha. Achei ótimo o curso, aprendi muita coisa – a fazer composto orgânico, em como cuidar da horta. Vendemos o que colhemos na feirinha a cada 15 dias e isso tem me ajudado bastante. E vai melhorar ainda mais quando a gente começar a fornecer para restaurantes”. O depoimento animador é de Joseli dos Santos Rodrigues, 53 anos, mãe de quatro filhos e catadora de material para reciclagem há dez anos.

Assim como ela, cerca de 20 famílias em São José dos Campos/SP, em situação de vulnerabilidade social, participam do Projeto Horta Escola, realizado pela ONG Instituto Alpha Lumen (IAL), com apoio de empresas da região.IMG_20170614_155816031 “Trabalhamos com projetos de impacto social e ambiental. Atuamos sob dois eixos – divulgar conhecimento e apoiar soluções criativas”, explica Nuricel Villalonga, fundadora do Instituto. “O que queremos com o Horta Escola é que estas pessoas se tornem microempreendedoras urbanas; que tenham mais recursos para melhorar a qualidade de vida”, completa.

Para isso, o projeto atua na capacitação dos interessados. No curso, que tem duração de seis meses, os participantes aprendem como fazer uma horta, técnicas de manejo e de plantio, além de aulas de educação financeira e também de marketing, para a venda dos produtos. Por conta do valor de mercado, hortaliças e condimentos têm sido priorizados. “Contamos com um grupo de profissionais e de voluntários, que vão de agrônomos, biólogos, administradores e de marketing, que fazem o programa ser uma realidade”, conta Nuricel.

Boa parte do que é produzido no Programa é dividido entre escolas e creches municipais próximas. E o restante é comercializado pelos participantes.

“O que queremos é transformar a realidade destas pessoas e usar a horta como um instrumento para estimularmos o microempreendedorismo” diz Silvia Kato, agrônoma e consultora técnica do curso. “Este curso me trouxe muito conhecimento. Está muito bem estruturado porque não nos ensina só a fazer a horta, mas como mantê-la. As aulas de marketing também foram muito interessantes”, conta Alice Ingrid Rodrigues Martins, 18 anos, aluna do 1º ano do ensino médio. “Minha mãe e minha avó também fizeram o curso e isso foi muito legal também”, diz.

IMG_20170614_161841452“Nossa maior dificuldade hoje é encontrar terrenos para arrendar e fazer a horta. O ideal é que este trabalho seja feito em áreas ociosas, inutilizadas”, diz Nuricel. “Nosso anseio é também de que estas pessoas que estão se formando, sejam multiplicadores de conhecimento e que depois de três ou quatro turmas, o projeto caminhe sozinho com a manutenção somente da consultoria técnica”, finaliza.

 

Projeto que une pesca artesanal e alimentação na rede pública tem reconhecimento das Nações Unidas

Realizado em 2016 em Brejinho de Nazaré/TO, ação beneficiou agricultura familiar e alimentação escolar da rede pública

pescadores“Mais do que o reconhecimento internacional, o que para nós extravasou os próprios resultados alcançados, foi a questão da parceria interinstitucional. Sem o apoio de todos os envolvidos, não teríamos feito do projeto uma experiência exitosa no desenvolvimento da agricultura familiar e na inserção de proteína de alto valor nutricional em escolas, creches e hospitais”, diz a veterinária Hellen Christina de Almeida Kato, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura.

O projeto, da Embrapa, que uniu expertises de instituições como Conab, Sebrae, SESC, CEULP/ULBRA (Centro Universitário Luterano de Palmas), Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins, Secretaria de Educação de Tocantins, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frigorífico Bonnutt Fish, do qual é atual responsável, foi condecorado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência das Nações Unidas. Realizado em Brejinho de Nazaré/TO, o programa tem como objetivo “fazer a ligação entre a pesca artesanal e a alimentação na rede pública de ensino”, diz.

Durante todo o ano de 2016, os pescadores foram capacitados em questões sobre boas práticas, documentações e estrutura organizacional do negócio, além de orientados por profissionais da Lúcia Brito _peixe_cmsUniversidade Federal do Tocantins em assuntos ligados ao bem-estar, saúde e ergonomia de suas atividades. “Dos 36 trabalhadores que se engajaram no projeto, 15 conseguiram cumprir os pré-requisitos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e foram remunerados. No total, foram comercializados mais de 8.000 Kg de pescado, que resultou em um incremento de R$ 5.500 na renda anual desses pescadores”, conta Hellen.

A instituição de ensino beneficiada foi a Escola Municipal Monteiro Lobato, que atende a 700 crianças em Palmas/TO. “Fizemos um trabalho com as crianças e merendeiras para que pudéssemos aumentar a ingestão de proteína rica em o que chamamos de aminoácidos essenciais; preparamos um cardápio especial com tortas, bolos, escondidinhos e outros pratos usando carne mecanicamente separada de peixe”, explica a pesquisadora.

“Esperamos que a partir deste projeto, governos municipais e estaduais possam enxergá-lo como um caminho, uma possibilidade de melhorar a vida desses agricultores familiares e também de promover uma alimentação escolar de alta qualidade. Com a nossa história sendo divulgada pelo FIDA, nossa esperança é de que a experiência seja replicada em outros lugares. O que nós queremos é que todo mundo coma peixe”, finaliza.Hellen Kato_projeto pescado_onu

 

Biotecnologia aumenta produção de grãos e renda de agricultores, aponta estudo

Incremento oriundo da produção de soja, milho, algodão e canola transgênicos alcançaria 514 milhões de toneladas e elevação do rendimento médio dos agricultores chegaria a US$ 100 por hectare, diz consultoria inglesa

Soja - lavoura verde bonita

Redação*

Estudo da consultoria inglesa PG Economics, divulgado nesta terça-feira (31) e denominado GM Crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2014, mostra que as culturas geneticamente modificadas (GM) teriam favorecido a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, proporcionando melhorias para a produtividade e para a renda do agricultor. De acordo com o levantamento, em 19 anos de adoção da biotecnologia agrícola, as culturas GM foram responsáveis por uma produção adicional de 158,4 milhões de toneladas de soja e 321,8 milhões de toneladas de milho. Além disso, a tecnologia também teria contribuído para um acréscimo de 24,7 milhões de toneladas de algodão e 9,2 milhões de toneladas de canola.

Essa produção extra se deve ao fato de as lavouras transgênicas permitirem que os agricultores reduzam perdas e adotem práticas mais sustentáveis, resultando em incremento de produtividade e, assim, reduzindo a pressão sobre florestas nativas. Se a biotecnologia agrícola não estivesse disponível para os 18 milhões de produtores que a adotaram em 2014, a manutenção dos níveis de produção global teria exigido 20,7 milhões de hectares extras plantados com soja, milho, algodão e canola. Essa área é equivalente a um terço das terras agricultáveis do Brasil.

Ainda de acordo com o novo relatório da PG Economics, a biotecnologia teria contribuído para uma redução significativa das emissões de gases do efeito estufa. Isso porque, como o manejo dessas culturas é simplificado e requer menos aplicações de defensivos agrícolas para o controle de plantas daninhas e/ou insetos-pragas, há menor necessidade de utilização de combustíveis para esses manejos. Em 2014, essa diminuição evitou que 22,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono fossem jogadas na atmosfera, o equivalente à remoção de 10 milhões de carros das ruas por um ano.

Para a bióloga e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, o levantamento da consultoria inglesa soma-se a outros trabalhos que comprovam que os transgênicos, além de seguros, trazem benefícios. “É cada vez maior o número de estudos científicos sobre transgênicos e todos eles têm confirmado que os organismos geneticamente modificados (OGM) são tão seguros para alimentação humana, animal e para o meio ambiente quanto as variedades convencionais”.

Por fim, nos 19 anos de utilização da biotecnologia agrícola analisados pelo relatório (1996 a 2014), os ganhos econômicos globais com a adoção de transgênicos foram de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 540 milhões). “Quando os agricultores optam pelo cultivo GM, os benefícios econômicos são claros e, em 2014, eles representaram um crescimento médio de US$ 100 por hectare”, afirma Graham Brookes, diretor da PG Economics e coautor do relatório. Em 2014, nos países em desenvolvimento, os agricultores receberam US$ 4,42 para cada dólar investido, enquanto o retorno para os agricultores dos países desenvolvidos ficou na casa dos US$ 3,14 por dólar investido.

*com informações da assessoria do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).