Produção de conillon em Rondônia cresce mais de 20% ao ano

Irrigação por gotejamento e fertirrigação, aliadas às boas condições para a cafeicultura no estado, permitem colher até mais de 200 sacas por hectare

café II

O estado de Rondônia vem se destacando na produção de café conillon em função de suas condições favoráveis, como o alto regime de chuvas (de 3000 a 3200 mm por ano), temperaturas elevadas e a forte radiação solar durante todo o ano. Alguns produtores dos municípios de Nova Brasilândia e Rolim de Moura, por exemplo, apresentaram produtividades acima de 160 sacas/ha na safra cheia de 2017/18, contra a média de 20 sacas/ha do estado. O segredo dessa produtividade “fora do comum” pode estar no uso de irrigação por gotejamento, combinado com a fertirrigação.

Segundo Igor Nogueira Lapa, coordenador agronômico da Netafim, os resultados apresentados nos primeiros três anos de implantação desse sistema que os técnicos chamam de “irrigação inteligente” – que provê doses de água e nutrientes controladas e pontuais ao longo do dia – têm quebrado paradigmas e feito a produção de robusta no estado do Norte surpreender cafeicultores de regiões tradicionais de robusta, como o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.

“A irrigação amplifica o que o produtor tem lá no norte e ajuda a florescer, contrariando o que se acreditava”, conta Lapa, dizendo que os cafezais parecem verdadeiros campos de algodão na época de florada. “Bahia e Espírito Santo não conseguem ter essas mesmas condições”, completa o agrônomo.

Refeições balanceadas

Em épocas de seca, como aconteceu de maio a agosto deste ano em Rondônia, a irrigação foi fundamental para garantir a produção. Mas, mesmo nas chuvas, ela não para, pois é o canal parapé de café levar os nutrientes à planta. “Assim, a planta recebe várias refeições balanceadas ao longo do dia”, explica o agrônomo. Isso porque a planta continua em atividade e desenvolvimento, ou seja, precisando de nutrientes, mesmo em épocas de chuva.

Os avanços da genética, como as novas variedades, mais resistentes, e os cafés clonais, que chegaram nos últimos anos a Rondônia, também estão contribuindo para os saltos de produtividade. Como o alcançado pelo produtor Reinaldo Timpurim, que logo na sua primeira safra cheia, se valendo do gotejamento, chegou a 212 sacas por hectare. “Uma produção dessas faz o investimento no sistema de gotejamento se pagar já na primeira safra”, diz Lapa.

Com a produção recorde de café nesta safra – próxima a 2 milhões de sacas – Rondônia registra um aumento de 22% de produção em relação à safra passada, nos mesmos 87.657 hectares. “O potencial do estado é gigantesco”, afirma Lapa.