Safra 2016/17 de soja cresce 18% e é recorde 

O levantamento, feito pelo Rally da Safra, estima uma produção de 113,3 milhões de toneladas do grão, cujas lavouras apresentaram alta produtividade e sanidade em todas as regiões do país

Valter Campanato

“Estamos colhendo a mãe de todas as safras de soja. E em todas as regiões brasileiras”, afirmou André Pessôa, da Agroconsult, na tarde desta 5a f, 30, na abertura da apresentação dos resultados da etapa de janeiro a março do 14o Rally da Safra, que coordena e que coletou amostras em 1.163 lavouras.

Clima perfeito (ao contrário da safra anterior, sob efeito do fenômeno El Niño), menor incidência de pragas e doenças e emprego de tecnologias de ponta formaram a fórmula para o alto desempenho das lavouras no campo, que apresentaram produtividade média de 55,8 sacas/hectare. Na safra 2015/16, o rendimento médio das lavouras havia sido de 48,3 sacas/ha.

“Esta é uma safra que confirma que estávamos no limiar de uma mudança de patamar na produção de soja no País”, revelou Pessôa, para quem esta foi ainda a safra mais saudável já acompanhada pelo Rally. Segundo ele, o Brasil “não deve levar mais de 6 safras para colher 60 sacas/ha em média”.

Os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais apresentaram a maior produtividade de sua história. Já no Sul (RS, SC e PR), o destaque foi o bom peso dos grãos. E, no chamado MAPITOBA, região formada por Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, bastante castigada nos últimos dois anos pelo clima, os bons resultados das lavouras de soja – além das de algodão – vão ajudar a recompor a renda dos agricultores.

O emprego de tecnologias de ponta no material genético, na nutrição, no manejo fitossanitário e em máquinas – mais modernas, permitindo até colher em períodos de chuva e adiantar a colheita – marcou esta safra. Outra característica foi a forte presença da biotecnologia, com 53% da área cultivada com sementes resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas, e 40% tolerantes a herbicidas, apenas. Todos os materiais, transgênicos ou convencionais, apresentaram boas produtividades, apontou o Rally.

Impacto na economia

Os técnicos da Agroconsult calcularam em 113,3 milhões de toneladas a safra de soja deste ano, um acréscimo de 18% em relação à do ano passado. Considerando as estimativas para a colheita do milho e do arroz, a safra brasileira de grãos 2016/17 deve atingir 236 milhões de toneladas.

O bom desempenho da soja vai representar um acréscimo de US$ 4 bilhões na balança comercial brasileira, em relação ao ano passado, com a exportação de mais de 61 milhões de toneladas do produto. O faturamento com as vendas do grão devem responder por 0,4% do PIB(*) estimado para 2017, calcula Pessôa. “Mais uma vez, o agronegócio vai salvar o PIB brasileiro”, afirmou, orgulhoso, o ex-ministro e coordenador do GVAgro, Roberto Rodrigues, presente à cerimônia.

A equipe da Agroconsult não prevê graves problemas de infraestrutura logística para escoar esta safra recorde e grãos, especialmente em função do calendário de colheita adiantado e da modernização dos portos do Arco Norte. Mas devem haver problemas de armazenagem no inverno, com a colheita do milho safrinha, avisa Pessôa, informando que a capacidade de armazenagem de grãos no país é de 136 milhões de toneladas.

(*) Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil somou em 2016 R$ 6,266 trilhões, segundo o IBGE. Para 2017, o Banco Central projeta crescimento de 0,5%. 

Conab estima safra de grãos em 215 milhões de toneladas

Montante representa um aumento de 15,3% em relação à safra anterior

Redação*

Assunto Principal: Colheita mecanizada de soja  Local: Bela Vista do Paraiso - PR  Data: 02/2015  Autor: Ernesto Reghran

Foto – Ernesto Reghran

Último levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de grãos para a safra 2016/17 deva ser de 215,3 milhões de toneladas. O montante representa um aumento de 15,3% ou de 28,6 milhões de toneladas em relação à safra anterior.

O resultado positivo deve-se à produtividade média das culturas, em recuperação à influência negativa das condições climáticas da safra passada. De acordo com a Conab, também há previsão de ampliação da área total em 1,3% ou de 745,6 mil hectares, se comparada à safra anterior.

Para a soja, a projeção é de crescimento de 8,7% na produção, podendo atingir 103,8 milhões de toneladas, com aumento de 8,3 milhões de toneladas. O milho de primeira safra deverá alcançar 28,4 milhões de toneladas, com aumento de 9,9% ou de 2,5 milhões de toneladas a mais que a safra 2015/16.

O feijão primeira safra deve obter 1,3 milhão de toneladas, resultado 25,7% superior à safra passada; a previsão para o arroz é de 11,6 milhões de toneladas, um aumento de 9,7%; o algodão pluma deve crescer 10,1% e chegar a 1,42 milhão de tonelada.

Para culturas de inverno, a Companhia apontou que a produção de trigo obteve um crescimento de 21,5%, alcançando 6,7 milhões de toneladas. A cevada teve um crescimento de 42,5% na colheita_morguefileprodução, atingindo 374,8 mil toneladas. Ainda segundo a Conab, canola e triticale apresentaram aumento de área e de produtividade, produzindo 71,9 mil toneladas e 68,1 mil toneladas, respectivamente.

*Com informações do Mapa