Anvisa discute nova rotulagem de alimentos

Objetivo é fazer com que consumidores façam escolhas melhores para a saúde

Redação*

rotulos-dos-alimentosNa última segunda-feira (21), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou encontro com o Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Instituto de Defesa do Consumidor e Fundação Ezequiel Dias para discutir nova rotulagem de alimentos e propor soluções para informações nutricionais de produtos a fim de que consumidores façam escolhas melhores.

Durante a reunião, foram apresentadas propostas existentes atualmente e pontos favoráveis ao consumidor. Foi apresentado também um panorama geral sobre a rotulagem de alimentos no mundo e as vantagens e desvantagens de experiências testadas em outros países.

Os estudos científicos revisados pela Anvisa e pelas entidades mostram que a atual tabela nutricional é de difícil compreensão e pouco utilizada. De acordo com o grupo, isso acontece porque a tabela tem um formato pouco atrativo, que exige esforço, conhecimento nutricional e tempo para ser entendida e utilizada pelo consumidor.

Novas propostas

As propostas iniciais que estão em discussão estão baseadas em dois eixos principais: o uso do sistema de semáforo com cores, que sinalizam se algum ingrediente está em excesso, e o uso de símbolos com advertência sobre algum ingrediente em excesso que pode fazer mal.

O tema está na agenda regulatória da Anvisa. O próximo passo é afunilar as propostas discutidas pelo grupo e dar início ao processo de regulação que envolve a realização de consulta pública sobre o tema.

*Com informações da Anvisa

 

Elanco anuncia mudança na venda de antibióticos

Empresa compromete-se a retirar do mercado medicamentos de classe compartilhada para fins de crescimento até o fim deste ano

gado_morguefilePara dar continuidade ao compromisso assumido em um Fórum de Gestão de Antibióticos na Casa Branca em 2015, a Elanco, empresa norte-americana de saúde animal, comunicou na tarde desta quinta-feira (22), em encontro com jornalistas, que até o fim de 2016 vai retirar do mercado antibióticos de classe compartilhada (para uso humano e animal) para fins de crescimento. “Aqui no Brasil, vamos cessar a comercialização do Tylan 40; globalmente serão feitas 75 alterações de bula em nossa linha de medicamentos”, disse Karla Camargo, diretora de Acesso ao Mercado Elanco América Latina.

A decisão faz parte de uma política de gestão apresentada ao presidente dos EUA, Barack Obama, na ocasião desse Fórum, que inclui oito medidas. Entre elas estão: ajudar os clientes a eliminar o uso contínuo de antibióticos de classe compartilhada para fins terapêuticos fornecendo uma alternativa; eliminar a venda de antibióticos de classe compartilhada sem prescrição; eliminar o uso concomitante de antibióticos de classe compartilhada para tratar a mesma doença; desenvolver novos antibióticos para uso exclusivo em animais.

Em substituição aos medicamentos que sairão de linha, a empresa prevê um investimento de US$ 2 milhões em pesquisa, para colocar no mercado 25 novos produtos até 2020. “Somos favoráveis ao medicamento terapêutico com supervisão veterinária; os animais devem ter direito ao tratamento. Somos uma empresa que tem como missão a inovação e, por isso, acreditamos em outras ferramentas que atendam ao mercado”, explicou Karla.

Sem abrir números, mas ressaltando que o Tylan 40 é representativo no orçamento da empresa no Brasil e que isso pode gerar perda de negócios, a Elanco define a medida como pioneira e espera que a ação seja uma tendência de mercado. “Este é um processo evolutivo em linha com a ciência, em melhoria da indústria, da classe veterinária e também para o consumidor”, disse Olcydes Barbarini, diretor de Serviços Técnicos da Elanco. “Estamos entre as três maiores de saúde animal. Queremos liderança na entrega de soluções inovadoras e que outras empresas venham nesse caminho”, completa Karla.

Além da retirada de alguns medicamentos e da alteração de bula para orientação de fins terapêuticos com o objetivo de racionalizar o uso de antibióticos, a empresa se compromete também a fazer um trabalho sistemático com produtores. “Uma equipe de veterinários e técnicos estará no campo conscientizando a cadeia a respeito disso”, disse Barbarini.

Relação com o consumidor

Sob a iniciativa da Elanco, 60 CEOs de empresas alimentícias do mundo todo e cerca de 300 representantes de governos, ONGs e grupos privados reuniram-se em Washington em 21 e 22 de setembro, concomitantemente ao encontro com os jornalistas aqui no Brasil, para discutirem o futuro dos antibióticos e a crescente preocupação sobre a resistência do organismo humano a esses medicamentos.

Esta apreensão deve-se ao fato de que hipóteses sugerem que o consumo de carnes de animais tratados com antibióticos possa tornar bactérias mais resistentes e o tratamento com esses remédios menos efetivo em seres humanos.

Durante essa reunião, Luis Bakker, presidente da Processadora Nacional de Alimentos (Pronaca), do Equador, fez mea culpa, admitindo que a cadeia não se comunicou como deveria, deixando a relação com o consumidor um pouco de lado. “Precisamos agora discutir soluções para isso”, disse.

Este movimento das empresas vai de encontro também a uma demanda cada vez mais crescente do consumidor, que busca produtos certificados, de origem e produção sustentáveis.

As carnes de frango e suína que consumimos no Brasil são saudáveis e boa fonte de proteínas

Carne com selo dos órgãos responsáveis é absolutamente saudável e o sistema de produção se aperfeiçoou muito no Brasil nas últimas décadas garante a engenheira de alimentos Vivian Feddern, pesquisadora da Embrapa Aves e Suínos e uma das palestrantes da AveSui 2016, a feira de aves, ovos e suínos a ser realizada  de 03 a 05 de maio em Florianópolis/SC, onde coordenará o painel “Saúde Animal – Produção Livre de Antibióticos”. Apesar do nome do painel, a especialista diz que esses medicamentos são utilizados, com regulamentação e segurança, para garantir a sanidade da criação. Sobre o uso de hormônios, ela é categórica: seu uso é ilegal e não seria viável do ponto de vista econômico e da produção. 

Vivian_FeddernConfira a entrevista exclusiva com a Dra. Vivian, que trabalha na área de Qualidade de Carnes, mais especificamente com Resíduos de Aditivos Veterinários, da Embrapa, sobre mitos e verdades a respeito da manipulação de medicamentos na produção de carnes de aves e suínos no país, e também sobre bem-estar animal:

CenárioAgro (CA) – Temos presenciado grupos de direitos de consumidores ganhando força e pedindo, com receio do aumento de casos de resistência a antibióticos, o fim de seu uso na produção de carnes. Remetendo, assim, ao nome do painel que vai apresentar neste AveSui 2016, é possível ter uma produção de aves e suínos totalmente livre de antibióticos?

Vivian Feddern (VF) – No sistema de criação intensivo que se tem atualmente, caracterizado pela alta concentração de animais, é praticamente impossível não utilizar nenhum medicamento veterinário ou aditivo na ração. Se um animal estiver doente, este por sua vez pode contaminar os demais, causando grandes danos em toda granja. De qualquer maneira, os antibióticos ainda devem ser usados na prevenção de certas doenças. É possível usar estes aditivos e estes deixarem resíduos nos produtos alimentícios e ainda estes produtos serem absolutamente saudáveis, desde que os resíduos estejam abaixo dos chamados limites máximos de resíduos.

Buscam-se alternativas ao uso de antibióticos no sentido de minimizar seu uso, principalmente por parte dos países europeus, que legislam por precaução e não por evidências científicas. Entretanto, essas alternativas ainda não são completamente eficazes nem estão totalmente elucidadas, principalmente quando se utilizam muitos animais no mesmo ambiente.

Frangos produzidos sem o uso de antibióticos custam mais caro que os convencionais e isso já tem sido percebido pelo mercado e pelo consumidor e está se tornando uma forma de agregar valor ao frango, passando para a categoria de frangos diferenciados.

CA – Qual a função dos antibióticos na produção? Até que ponto são úteis para garantir a sanidade e quando começa o exagero, se é que eles existem? 

VF – A principal função diz respeito à prevenção de doenças, como as respiratórias, por exemplo, que são contagiosas e podem condenar todo um lote de produção.Existem diferentes grupos de contaminantes que são levados em consideração pelo MAPA, os antibióticos estão dentro dos antimicrobianos. Além desses, temos outros grupos de contaminantes como os antiparasitários, sedativos, anticoccidianos, micotoxinas e contaminantes inorgânicos (chumbo, arsênio, cádmio), betagonista, organoclorados e PCBs, dioxinas e furanos, entre outros.

Entre as doenças mais comuns em aves está a coccidiose, que é infecciosa e altamente contagiosa, se propagando de um animal para outro por contato com as fezes, acometendo seu intestino, causando prejuízos como a mortalidade e queda da produtividade. Mesmo a coccidiose não sendo tratada com antibióticos, o uso preventivo destes evita o acometimento dessas aves debilitadas com outras doenças. Os custos com a prevenção com certeza são muito menores do que o prejuízo que o produtor teria na perda de um lote inteiro com o aparecimento de alguma doença. 

CA – O que diz a lei brasileira sobre isso, ou seja, há regulamentação? E fiscalização? E de qual órgão é a responsabilidade?

VF – No Brasil, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão responsável pela regulamentação e fiscalização de produtos e insumos agropecuários e, portanto, autoriza o uso controlado dos antibióticos na ração animal, para que não venham causar resíduos destes aditivos nos alimentos consumidos pela população.

O MAPA, o Codex Alimentarius e diversos órgãos de pesquisa estão atuando para garantir que se possa ao mesmo tempo aumentar a produção e a produtividade e preservar a saúde humana.

Como ferramenta de “Gerenciamento de Risco” e com o objetivo de promover a garantia de qualidade do sistema de produção de alimentos de origem animal ao longo das cadeias produtivas, o governo criou, em 1986, o Plano Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal. Este plano contempla o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) em Carnes, o qual foi implementado em 1988. Os resíduos são monitorados anualmente em uma série de amostras aleatórias de diversas matrizes (matérias primas) e espécies animais, através de laboratórios credenciados pelo MAPA.

CA – Fala-se ainda em uso de hormônios na produção de carne de aves. São de fato empregados e, se sim, com que função?

VF – A adição de hormônios exógenos para produção de carne de aves é ilegal. A maioria dos países que produz carne de frango possui legislação específica. No Brasil, há uma Instrução Normativa do Ministério da Agricultura (MAPA – Nº 17, de 18 de junho de 2004), que, em seu artigo, 1º “proíbe a administração, por qualquer meio, na alimentação e produção de aves, de substâncias com efeitos tireostáticos, androgênicos, estrogênicos ou gestagênicos, bem como de substâncias ß-agonistas, com a finalidade de estimular o crescimento e a eficiência alimentar”.

Além de ilegal, não seria viável do ponto de vista econômico e da produção, principalmente porque as aves, na idade em que são abatidas, sequer têm receptores para eles.

CA – De forma geral, as carnes de aves e suínos oferecidas no Brasil são saudáveis, são uma boa fonte de proteína para a população?

VF – Muitas vezes a população tem o conceito de que a melhor carne produzida é exportada. No entanto, sabe-se que cerca de 70% da carne de frango produzida permanece no Brasil, enquanto que 30% é exportada. Com certeza, todas as carnes que possuem serviço de inspeção federal, estadual e municipal, SIF, SIE e SIM, respectivamente, passaram por criteriosa avaliação por profissionais capacitados. O MAPA regulariza e monitora anualmente através do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), milhares de amostras de produtos cárneos e nos últimos anos, as regularidades beiram 99%, ou seja, carnes de qualidade chegam à mesa do consumidor.

Tanto a carne de aves, quanto a carne suína são excelentes fontes proteicas, podendo alcançar 20% de proteína, dependendo do corte (lombo, peito, pernil, sobrecoxa), do modo de preparo (fritura, forneamento), da linhagem ou espécie animal e da própria ração fornecidas aos animais (adição de antioxidantes, ácidos graxos do tipo omega-3, entre outros).

CA – Além da preocupação com o uso de antibiótico e hormônios, cresce a pressão, especialmente de entidades de proteção animal, com o bem-estar da criação. Como está esta questão no Brasil? Empresas como o McDonalds, por exemplo, já se manifestaram dizendo que em alguns anos não mais comprarão carne de porcos criados em sistema de baias pequenas etc.

VF – A preocupação com bem-estar tem aumentado nos últimos anos. As pessoas estão se preocupando cada vez mais com o sofrimento do animal, sua alimentação, proteção, etc. Atualmente, os animais criados no Brasil recebem todos os cuidados necessários – como ventilação, ambientes com controle de temperatura e entrada de luz, insensibilização elétrica para que não haja dor no momento do abate, dieta balanceada com aminoácidos (componentes das proteínas), vitaminas e minerais adequados para seu crescimento saudável.

Não existe mais aquela ideia de que os suínos são criados em ambientes sujos, se alimentando de lavagens, por exemplo. O sistema de produção se aperfeiçoou muito nas últimas décadas e hoje conta com processos padronizados e eficientes, capazes de atender ao mais exigente mercado externo.

Quanto à empresa citada, imagino que ela esteja se referindo ao alojamento de matrizes suínas em gaiolas de gestação e gaiolas de parição, equipamentos esses que aos poucos estão sendo substituídos por baias de gestação coletiva e baias de parição com proteção para os leitões. Também neste caso, o custo de produção do leitão é mais alto e essa diferença é repassada para os elos posteriores da cadeia, no final sendo coberto pelo consumidor.

Serviço:

O quê? AveSui 2016

Quando? 03 a 05 de maio de 2016

Onde? CentroSul, em Florianópolis (SC)

Informações: avesui@gessulli.com.br e  www.avesui.com