Prêmio Josué de Castro de combate à fome abre inscrições

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo

Redação*

alimentacao_saudavel_fund julitaA partir de 17 de julho, o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea/SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista, recebe inscrições para o Prêmio Josué de Castro.

A iniciativa premiará a formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção de segurança alimentar e nutricional, em duas categorias – melhor pesquisa científica e melhor programa ou projeto de política pública.

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo. Os interessados podem se inscrever até 15 de agosto por meio do link.

Para outras informações, escreva para consea@consea.sp.gov.br ou ligue para (11) 5067-0444.

Josué de Castro

Influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista do combate à fome, publicou uma extensa obra, partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro. Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos são seus livros publicados. Morreu em 1973.

*Com informações da assessoria de imprensa

Dia do Campo: o papel da tecnologia na produção de alimentos

Por Roberson Marczak*

Roberson MarczakMuitas vezes esquecido pela população da cidade, o campo é fundamental para a sobrevivência dos seres vivos e para o desenvolvimento humano. Na última sexta-feira (05) foi comemorado o Dia Mundial do Campo, o bioma mais vasto da Terra que, além de produzir alimentos, gera empregos e renda.

A relação do homem com a agricultura teve início com a Revolução Agrícola, há 12 mil atrás, quando nossos ancestrais descobriram ser possível plantar um grão e não somente colhê-lo já pronto da natureza. A partir dali, nossos ancestrais puderam se fixar em locais – que posteriormente se tornariam cidades – em que haviam conseguido cultivar seus alimentos.

É claro que a ampliação da produção de alimentos como conhecemos hoje em dia não aconteceu da noite para o dia e o conhecimento científico – responsável pelo desenvolvimento de culturas resistentes à pragas e doenças -, assim como a criação de tecnologias, foram imprescindíveis para a produção de alimentos em larga escala da forma como conhecemos.

Aliás, muito diferente do que cidadãos urbanos podem imaginar, os produtores agrícolas são alguns dos maiores consumidores/beneficiários da tecnologia. Assim como apps de redes sociais, de exercícios físicos ou book readers, as tecnologias digitais voltadas à agricultura auxiliam os agricultores na produção de mais alimentos para o mundo, a otimizarem suas plantações e aumentarem sua rentabilidade. Mas como a tecnologia consegue auxiliá-los na missão de alimentar a população?

Tecnologia aumenta produtividade da lavoura e é fundamental para a segurança alimentar

De acordo com a ONU, em pouco mais de 30 anos a estimativa é de que o mundo tenha 9,7 bilhões de pessoas, cerca de 2,2 bilhões a mais do que a população atual. Isso significa que precisaremos produzir cada vez mais alimentos e, ao mesmo tempo, diminuir o impacto da agricultura na utilização dos recursos naturais de nosso planeta.

Para isso, as tecnologias digitais aplicadas à agricultura são grandes aliadas dos produtores rurais no aumento da produtividade das lavouras. Segundo dados da CBAP (Confederação Brasileira de Agricultura de Precisão), a tecnologia já é utilizada em 67% das propriedades rurais do Brasil, seja para auxiliar na gestão da fazenda, seja para ajudar na hora da plantação e colheita da produção.

Exemplo de sucesso no agronegócio, os aplicativos são populares, de fácil manuseio e, geralmente, gratuitos. Basta realizar a busca na PlayStore ou na AppleStore para localizar dezenas deles. Apps voltados para o hortifruti e para as principais commodities agrícolas são alguns das opções encontradas.

Outra ferramenta muito utilizada pelos agricultores são as estações meteorológicas. Afinal, tão importante quanto aplicar fertilizantes e defensivos em uma plantação é a previsão do tempo. Sites que fornecem estes dados são os mais acessados por produtores. Agora imagine ter uma estação meteorológica em sua fazenda, que fornece dados muito mais precisos e que te ajudam a economizar milhares de reais em insumos agrícolas. Pois saiba que isso já é uma realidade há algum tempo.

E quem disse que os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs), também conhecidos como drones, não podem ser aproveitados no campo? A agricultura, aliás, é responsável por 25% do mercado desses pequenos veículos que auxiliam o agricultor na identificação de pragas, deficiências e falhas nas plantações.

É evidente que todo o auxílio tecnológico depende também da conscientização sobre a utilização do campo e sua importância para os seres vivos. É preciso usá-lo de forma responsável e inteligente para que seja viável produzirmos alimentos e continuarmos o desenvolvimento humano que só foi possível graças à descoberta da agricultura.

*Roberson Marczak é gerente de Inovação na Adama Brasil S/A, empresa de origem israelense, com sede em Londrina.

Sistema de integração entre piscicultura e culturas agrícolas favorece segurança alimentar e autonomia de produtores

Política pública no Maranhão, Piauí e Ceará, projeto vem sendo implantado no Tocantins

sisteminha

Um projeto de integração de culturas agrícolas com a piscicultura criado em 2012 pela Embrapa Meio Norte tem sido multiplicado pelo Brasil por seus resultados em favor da segurança alimentar de assentados e pequenos produtores rurais. Batizado de “Sisteminha”, o programa “consiste na construção de um tanque de peixes, que além de garantir proteína animal à família, irriga o cultivo de culturas como milho, batata doce, feijão, verduras e frutas”, explica Marcela Mataveli, zootecnista da Embrapa e coordenadora do Sisteminha em Tocantins. “A grama que é irrigada serve ainda de alimento para as galinhas. Tudo está interligado”, completa.

“Os tanques são construídos com materiais simples como palha, barro, papelão, madeira, plástico… com o que o produtor tiver à mão”, diz Marcela, “o que torna o sistema totalmente aberto e adaptável à realidade de cada produtor”.

O projeto desenvolvido a partir de uma tese de doutorado do pesquisador da Embrapa, Luiz Carlos Guilherme, foi inspirado em um sistema usado pelos egípcios há mais de 2.500 anos, em que famílias criavam peixes e usavam a água dos tanques para irrigar a horta ao redor de suas casas.

O Sisteminha pode ser construído em áreas de 100 m² a 1000 m² e os tanques podem ter uma capacidade de 6000 L a 8000 L, que geraria, em média, 30 Kg de peixes a cada 90 dias. “Tudo depende muito da condição e da pretensão de cada família com o programa”, diz a coordenadora. “Importante lembrar que o principal objetivo é garantir a autonomia das famílias em relação à segurança alimentar e melhorar sua qualidade de vida”, diz.

Em fase inicial de implantação no Tocantins, o programa é política pública nos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará. “A Embrapa também já levou o Sisteminha para regiões da África”, informa. “Queremos que, assim como aconteceu em outros estados, o programa se torne política pública aqui também. Estamos capacitando multiplicadores da tecnologia para que cada vez mais produtores tenham acesso a ele”, anseia Marcela.

Mudança de vida

“Muitas coisas mudaram desde que o sisteminha foi implantado aqui. Minha casa está mais verde, mais bonita. Chama até atenção. Recebo muita gente querendo saber como é, como funciona”, conta Paulina Lourenço das Neves, produtora rural em Brejinho de Nazaré/TO.

Com 62 anos, Paulina mora há um ano e dois meses em um assentamento no município e sempre morou no campo. “Estou muito feliz com o sistema. Hoje tenho meu tanque com 100 peixes, meu galinheiro com 80 galinhas e uma horta; já plantei milho, cebolinha, coentro, jiló e até morango”, empolga-se. “Além de fácil instalação, o sisteminha é barato”, finaliza.