Infraestrutura e a segurança alimentar

Por Edeon Vaz Ferreira*

Edeon Vaz FerreiraO Brasil, diante das condições de solo e clima que dispõe, além do domínio sobre a tecnologia, é e será, um grande supridor de alimentos do mundo. Possuímos condições edafoclimáticas que, em boa parte da região produtora, permite cultivar duas safras ao ano sem a utilização de irrigação.

Temos em todo país campeões de produtividade: o arroz no Rio Grande do Sul, a cana em São Paulo, aves e suínos no Paraná e em Santa Catarina, soja, milho e algodão em Mato Grosso e na Bahia, pecuária bovina de corte em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e frutas no Nordeste e em vários estados.

Mas, existe um grande problema que aflige o setor produtivo: a logística. O Brasil transporta 65% de sua safra pelo modal rodoviário, isto é inimaginável em se tratando de commodities (soja e milho). Nenhum país do mundo faz isso. A responsabilidade de países que possuem estas condições aumenta, como é o caso do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai e outros que também são responsáveis pelo abastecimento mundial.

Somente a Argentina transporta 84% de suas safras pelo modal rodoviário, mas a distância média de suas lavouras aos portos é de 300 quilômetros, enquanto no Brasil é superior a 1.000 quilômetros.

O Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e milho, considerando a cidade de Sorriso, que representa o maior município produtor do Brasil, até o porto de Santos, que são 2.250 quilômetros, com custo médio de fretes da safra de 79 dólares por tonelada. Para o transporte de soja, produto que no porto tem o valor aproximado de 400 dólares, embora seja muito alto, ainda viabiliza. No entanto, no caso do milho, cujo valor no porto é entorno de 200 dólares, fica totalmente inviabilizada a sua exportação. Diante deste problema, incentivamos o escoamento pelo Arco Norte, portos localizados na bacia Amazônica, Maranhão e Bahia. Na bacia Amazônica, os portos de Itacoatiara (AM), Santarém (PA), Santana (AP) e Vila do Conde-Barcarena (PA); no Maranhão – Ponta da Madeira e Itaqui – TEGRAM, na Bahia – Terminal de Cotegipe – Aratú.

A utilização do Arco Norte propicia uma redução média de 34% nos custos dos fretes em relação à logística para Santos, beneficiando a região produtora ao norte do Paralelo 16. Estes portos possuem hoje uma capacidade de embarque de 40 milhões de toneladas e projeta-se para 2025 uma capacidade de 72 milhões de toneladas. Em 2009, foram escoados por estes portos (os existentes na época), 3,5 milhões de toneladas. Nesta safra 2016/2017 estimamos 26 milhões de toneladas.

Embora existam gargalos para acesso às estações de transbordo de cargas (quando se retira dos caminhões e carregam as barcaças) – BR 163 no Pará, e aos portos, BR 135 e 222 em São Luiz do Maranhão e BR 242 na Bahia, ainda assim, o crescimento estimado de saída pelos portos do Arco Norte é de 5 milhões de toneladas ao ano.

O Brasil precisa focar seus investimentos em ferrovias e hidrovias, assegurando recursos para a manutenção e pavimentação de suas rodovias.

Sem dúvida, o setor produtivo necessita de infraestrutura de logística que permita escoar sua produção por valores competitivos para que ele possa ter rentabilidade em sua atividade de produção e, assim, garantir a segurança alimentar do Brasil e do mundo.

*membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Diretor Executivo do Movimento Pró Logística de Mato Grosso

Trabalhos universitários com foco na agricultura familiar e no empreendedorismo são destaque em premiação

Comunidades do Ceará e Alagoas foram diretamente beneficiadas com os projetos

pirotec

“São muito responsáveis e comprometidos a mudar o mundo”. É assim que Valéria Militelli, presidente da Fundação Cargill, fala a respeito dos jovens premiados este ano no Prêmio Alimentação em Foco, realizado pela instituição em parceria com a organização Enactus Brasil.

Os dois projetos contemplados, desenvolvidos por estudantes universitários dos estados do Ceará e Alagoas, tiveram como foco a agricultura familiar e o empreendedorismo. O ganhador do primeiro lugar – Projeto Mudas – do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE Iguatu) desenvolveu uma tecnologia para auxiliar na irrigação e no controle eficiente da água. Batizado de PIROTEC, o equipamento é constituído de palito de pirulito, arame e prego, ao custo de R$0,07. “Nosso objetivo era de que o projeto pudesse chegar às famílias nos âmbitos social, ambiental e econômico. Para isso, além de apresentar a tecnologia aos produtores, realizamos treinamentos no campo e demos orientações nas áreas jurídica e financeira”, explica Kevin Brasil, estudante de Química e líder do projeto, constituído por 21 membros.

“Em dois anos, conseguimos com que 966 pessoas fossem impactadas diretamente por meio de cursos de informática, capacitações técnicas, serviços de saúde gratuitos e tratamentos estéticos. Tornamos 920 m², antes improdutivos, em uma área produtora de verduras e hortaliças, que são vendidas em feiras e no comércio local. Com isso, garantimos a 15 famílias um aumento de R$ 800 na renda de cada uma delas. Além disso, realizamos também um curso de processamento de alimentos para as mulheres e, a partir dele, montamos a 1ª fábrica”, anima-se o estudante.

O Mudas conseguiu ainda, durante este período, trabalhar com educadores e crianças de duas escolas do município a implementação de hortas. “O projeto mostrou que, com muito pouco, é possível transformar uma paisagem amarela em verde esperança porque é isso que todos merecem. Queremos que mais e mais pessoas conheçam e tenham acesso à tecnologia e, com isso, consigam uma alimentação digna e uma qualidade de vida melhor”, anseia Kevin.

O outro trabalho que recebeu destaque foi desenvolvido por alunos da Universidade Federal de Alagoas. “Amitis era o nome de uma princesa, esposa do rei Nabucodonosor II, para quem ele projeto Amitisconstruiu os Jardins Suspensos da Babilônia. E como nosso objetivo era trabalhar com mulheres, usando a técnica da hidroponia, resolvemos adotar o nome da princesa”, explica Matheus Mendonça, estudante de Design e representante do projeto.

“A técnica que usamos se diferencia da convencional porque utiliza garrafas pet e casca de arroz carbonizado”, explica. “Queríamos trabalhar com o público urbano. Começamos pela comunidade Village Campestre II, um dos bairros mais carentes de Alagoas. O trabalho, além de proporcionar uma melhora significativa na alimentação das famílias, propiciou a comercialização de produtos como tomate cereja e maracujá, que têm valor agregado. Estamos agora em fase de prospecção, buscando parceria com ONGs que atuem no Sertão”, finaliza Mendonça.

Os trabalhos receberam da Fundação Cargill, 7 mil reais e 5 mil reais para o primeiro e segundo lugar, respectivamente. Os interessados podiam se inscrever em quatro categorias: agricultura familiar; combate ao desperdício de alimentos; educação alimentar e empreendedorismo na cadeia de valor da alimentação.

Prêmio Josué de Castro de combate à fome abre inscrições

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo

Redação*

alimentacao_saudavel_fund julitaA partir de 17 de julho, o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea/SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista, recebe inscrições para o Prêmio Josué de Castro.

A iniciativa premiará a formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção de segurança alimentar e nutricional, em duas categorias – melhor pesquisa científica e melhor programa ou projeto de política pública.

Podem participar universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas e órgãos públicos municipais ou estaduais de São Paulo. Os interessados podem se inscrever até 15 de agosto por meio do link.

Para outras informações, escreva para consea@consea.sp.gov.br ou ligue para (11) 5067-0444.

Josué de Castro

Influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista do combate à fome, publicou uma extensa obra, partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro. Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos são seus livros publicados. Morreu em 1973.

*Com informações da assessoria de imprensa