Pelo uso inteligente da água na agricultura

Encontro em São Paulo discute irrigação como alternativa eficaz para o aumento da produtividade no Brasil

Rubens Chaves/Pulsar

Hortaliças irrigadas por aspersão em Ibiúna/SP. Foto: Rubens Chaves/Pulsar Imagens

O uso racional da água na agricultura foi tema de discussão, que reuniu entidades, representantes da indústria e de entidades públicas, nesta terça-feira (30), na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que realizou o evento em parceria com a Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI), da ABIMAQ.

“Estamos reunidos hoje aqui para falar sobre as águas, mas também para desmascarar alguns dos preconceitos sofridos pelo agronegócio – o de que somos um setor atrasado; que mantém relações de trabalho escravocratas; e de que não trabalhamos de modo sustentável”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. “Vocês verão hoje que a irrigação não é só uma alternativa viável e sustentável como também um investimento, que precisa estar na agenda das políticas públicas deste País”, completou o secretário.

“O que temos de entender de uma vez por todas é que a água é um recurso finito e que, com o crescimento populacional, temos cada vez menos água, energia e solo e uma maior demanda por alimentos. Este é nosso grande desafio”, disse Marcus Tessler, presidente da CSEI.

Retorno

Após apresentar um breve histórico sobre a irrigação no Brasil, que começou a crescer a partir dos anos 2000, Tessler apontou dados que mostram aumento de produtividade com a adoção da técnica. “Ainda é uma tecnologia cara, mas dá retorno”, disse. De acordo com a CSEI, o incremento de produtividade proporcionado pela tecnologia chega até 55%, em culturas como o café. Na cana-de-açúcar, 33%; citrus, 46%; soja, 25% e no milho, 56%.

“Oitenta e dois por cento da produção mundial de alimentos não vem da irrigação. Apenas 18% é fruto da técnica, sendo que destes 80% é realizado por meio de inundação, que é ineficaz. Este modelo é totalmente insustentável”, alerta Tessler. “Aqui, no Brasil, os números não são tão diferentes. Dos 5,2 milhões de hectares irrigados, cerca de 50% são manejados com inundação; 46% por aspersão e apenas 4% por gotejamento (irrigação inteligente)”, disse.

“Apesar da abundância em recursos hídricos, já temos muitos conflitos em relação ao consumo da água. Exemplos não faltam – Cerrado mineiro, Cristalina, Paracatu, Goiás, Brasília. No Nordeste, em estados como o Ceará e o Rio Grande do Norte, o problema é seríssimo”. De acordo com Tessler, os impactos gerados pela adoção da irrigação estão diretamente relacionados à questão da segurança alimentar, porque refletem em aumento de produtividade e de geração de renda.

A expectativa da CSEI é de que o crescimento da irrigação seja de cerca de 200 mil hectares/ano. “A agricultura será cada vez mais cobrada pelo uso da água, bem como já são indústria e consumidores. E a irrigação vai ao encontro de uma agenda positiva e de oportunidade para o Brasil neste processo de abastecimento pela demanda por alimentos no mundo”, finalizou.

Cartilha

Em dezembro de 2017, a Secretaria da Agricultura do Estado lançou a cartilha “Uso racional da água na agricultura“, editada pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), com supervisão técnica do engenheiro agrônomo Mário Ivo Drugowich, especialista no tema conservação do solo.

Com 35 páginas, a publicação apresenta, de forma simples, as principais práticas difundidas pela Secretaria para que as ações da agricultura não comprometam a qualidade e a quantidade de água. A cartilha aborda conceitos sobre irrigação, proteção de nascentes com plantio de mata ciliar, conservação do solo e tecnologias voltadas à irrigação, que têm o objetivo de reduzir o consumo de água, tornando-o mais eficiente.

 

 

 

 

 

 

 

Projeto Horta Escola estimula microempreendedorismo

Realizado em São José dos Campos, interior de São Paulo, programa é direcionado a população em vulnerabilidade social

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“Fiquei sabendo pela minha filha. Achei ótimo o curso, aprendi muita coisa – a fazer composto orgânico, em como cuidar da horta. Vendemos o que colhemos na feirinha a cada 15 dias e isso tem me ajudado bastante. E vai melhorar ainda mais quando a gente começar a fornecer para restaurantes”. O depoimento animador é de Joseli dos Santos Rodrigues, 53 anos, mãe de quatro filhos e catadora de material para reciclagem há dez anos.

Assim como ela, cerca de 20 famílias em São José dos Campos/SP, em situação de vulnerabilidade social, participam do Projeto Horta Escola, realizado pela ONG Instituto Alpha Lumen (IAL), com apoio de empresas da região.IMG_20170614_155816031 “Trabalhamos com projetos de impacto social e ambiental. Atuamos sob dois eixos – divulgar conhecimento e apoiar soluções criativas”, explica Nuricel Villalonga, fundadora do Instituto. “O que queremos com o Horta Escola é que estas pessoas se tornem microempreendedoras urbanas; que tenham mais recursos para melhorar a qualidade de vida”, completa.

Para isso, o projeto atua na capacitação dos interessados. No curso, que tem duração de seis meses, os participantes aprendem como fazer uma horta, técnicas de manejo e de plantio, além de aulas de educação financeira e também de marketing, para a venda dos produtos. Por conta do valor de mercado, hortaliças e condimentos têm sido priorizados. “Contamos com um grupo de profissionais e de voluntários, que vão de agrônomos, biólogos, administradores e de marketing, que fazem o programa ser uma realidade”, conta Nuricel.

Boa parte do que é produzido no Programa é dividido entre escolas e creches municipais próximas. E o restante é comercializado pelos participantes.

“O que queremos é transformar a realidade destas pessoas e usar a horta como um instrumento para estimularmos o microempreendedorismo” diz Silvia Kato, agrônoma e consultora técnica do curso. “Este curso me trouxe muito conhecimento. Está muito bem estruturado porque não nos ensina só a fazer a horta, mas como mantê-la. As aulas de marketing também foram muito interessantes”, conta Alice Ingrid Rodrigues Martins, 18 anos, aluna do 1º ano do ensino médio. “Minha mãe e minha avó também fizeram o curso e isso foi muito legal também”, diz.

IMG_20170614_161841452“Nossa maior dificuldade hoje é encontrar terrenos para arrendar e fazer a horta. O ideal é que este trabalho seja feito em áreas ociosas, inutilizadas”, diz Nuricel. “Nosso anseio é também de que estas pessoas que estão se formando, sejam multiplicadores de conhecimento e que depois de três ou quatro turmas, o projeto caminhe sozinho com a manutenção somente da consultoria técnica”, finaliza.

 

Fundação Cargill seleciona nove projetos voltados à alimentação

Instituições receberão aporte financeiro e de gestão para o edital 2018

Redação*

alimentacao_saudavel_fund julitaNove instituições de sete cidades brasileiras receberão apoio financeiro e de gestão da Fundação Cargill para projetos voltados à alimentação, que têm como prioridade saúde, segurança, sustentabilidade e acessibilidade. O Edital 2018 contemplará iniciativas de Barreiras/BA, Chapecó/SC, Goiânia/GO, Itapira/SP, Santarém/PA, Santos/SP e São Paulo/SP.

De acordo com a Fundação Cargill, foram inscritos 168 projetos de 141 instituições em 14 estados brasileiros. Os programas foram selecionados levando em consideração aspectos como planejamento e gestão, impacto e relevância, poder de transformação, potencial de inovação e sustentabilidade.

Conheça um pouco dos projetos contemplados nesta edição.

Barreiras/BA

O Projeto Frutos do Cerrado, do Instituto Avançado de Ensino Superior de Barreiras, receberá apoio para iniciar uma pesquisa de um fruto sazonal da região, o cajuí. Com ela, pretende-se entender e mapear a viabilidade econômica e as propriedades nutricionais do fruto, além de treinar agricultores locais para produzirem o cajuí.

Chapecó/SC

A Viver Ações Sociais receberá verba para equipar uma cozinha experimental que servirá para qualificar 240 profissionais que vivem em vulnerabilidade social. Por meio do projeto Pão para VIVER, os cursos de massas, panificação e confeitaria, ministrados em parceria com o Sebrae e o Senac, atenderão a demanda crescente por profissionais de panificação na região e fomentará o empreendedorismo da comunidade.

Goiânia/GO

O Programa de Educação Alimentar e Nutricional desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás (UFG), é voltado para tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares de 200 crianças de Santo Antônio de Goiás. Por meio de atividades para conscientizar as famílias dos alunos sobre a importância da alimentação adequada e oficinas que visam melhorar a qualidade da merenda escolar de escolas municipais e aumentar o consumo de cascas, folhas, talos e sementes a partir do aproveitamento integral do alimento, o projeto quer reduzir em 50% a prevalência dos fatores de risco cardiovasculares, em um período de 12 meses; aumentar em 50% o consumo de diário de frutas e hortaliças e reduzir em 50% o consumo diário de alimentos ricos em açúcar, entre outros.

Itapira/SP

O Projeto Comer na Escola Serve para quê?, da Instituição Avisa Lá, receberá apoio para a formação de profissionais responsáveis pelas merendas. Serão realizadas também atividades com as crianças com o objetivo de incluir hábitos mais saudáveis em suas rotinas.

Santarém/PA

O Projeto Alto Arapiuns de Segurança Alimentar e Conservação Ambiental do Aerocuble de Voo e Vela CTA tem como objetivo melhorar a geração adicional de renda dos integrantes das comunidades ribeirinhas na bacia de afluentes do rio Arapiuns.

Santos/SP

A Cozinha Experimental do Lar das Moças Cegas receberá móveis, equipamentos e utensílios para o ensino e a fabricação de pães, massas e doces para o Projeto Padaria Inclusiva, que visa a formação de 250 pessoas com deficiência visual como mão de obra especializada para o mercado de trabalho.

São Paulo/SP

Em São Paulo, foram selecionados três projetos. Um deles é o Bota na Mesa, desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, que quer incluir agricultura familiar nas cadeias de alimento em grandes centros urbanos.

A Fazenda Aquapônica Urbana, da Associação Reciclázaro, visa implementar duas novas técnicas de produção de alimento em meio urbano com a utilização da aquaponia vertical e aeroponia – combinação de peixes e plantas.

O outro selecionado foi o Sabores e Conexões, da ONG Arrastão Movimento de Promoção Humana. A iniciativa quer capacitar jovens e adultos para a criação de negócios na área de alimentação, acessíveis às comunidades de baixa renda, usando ferramentas de negócio e tecnologia.

*Com informações da assessoria de imprensa