Pneu feito com óleo de soja faz Goodyear ganhar prêmio na Alemanha

Tecnologia produzida pela empresa, desenvolvida com o conselho de soja dos Estados Unidos, demonstra que o desenvolvimento de materiais sustentáveis beneficia o meio ambiente e a performance dos pneus 

Redação*

foto: Munique Bassoli

foto: Munique Bassoli/Pulsar Imagens

Pensando na necessidade de criar soluções de mobilidade focadas em produtos ambientalmente sustentáveis para a crescente população urbana, nos últimos anos a Goodyear trabalhou com o órgão norte-americano United Soybean Board para desenvolver uma tecnologia baseada em soja, para melhorar o desempenho dos pneus e ainda substituir o petróleo como matéria-prima. Após testes intensivos, a Goodyear está usando a novidade em dois novos pneus Goodyear produzidos para o mercado dos Estados Unidos: o WeatherReady Assurance e o Eagle Enforcer All Weather.

Pela inovação, a Goodyear recebeu o Prêmio Internacional de Tecnologia de Pneus na categoria “Desempenho Ambiental do Ano”, na edição 2018 da Tyre Technology Expo em Hannover, Alemanha. “A industrialização da tecnologia de óleo de soja demonstra que a Pesquisa & Desenvolvimento em materiais sustentáveis pode trazer benefícios não apenas ao meio ambiente, mas também ao desempenho dos pneus. Esse tipo de inovação, que representa uma vitória em todas as frentes, será cada vez mais a norma, e não a exceção, na indústria de pneus do futuro”, disse Graham Heeps, editor da Tire Technology International e presidente do júri.

A Goodyear descobriu que o óleo de soja poderia melhorar o desempenho dos pneus em baixas temperaturas, ajudando a borracha a se manter flexível em climas frios e melhorando a tração em piso molhado e neve ao mesmo tempo. Além disso, os técnicos da empresa chegaram à conclusão que o óleo de soja se mistura mais facilmente aos compostos de borracha e reduz o consumo de energia, melhorando a eficiência na fabricação de pneus.

“Nosso trabalho com a United Soybean Board apresentou um desafio e uma oportunidade únicos para nossos cientistas e engenheiros de pneus, ao usarem o óleo de soja no desenvolvimento de produtos com performance superior”, disse Chris Helsel, Chief Technology Officer da Goodyear, em nota à imprensa.

* com informações da assessoria da Goodyear.

Cooxupé vai recuperar 290 ha de APPs em Guaxupé

Cooperativa vai investir US$ 1 milhão em projeto para preservação de rio que abastece o município, no sul de MG. Em outro programa, distribuirá mais 40 mil mudas de plantas nativas a associados em 2018

mata-atual-e-que-era-pasto-em-1985_vale-do-paraibaA Cooxupé – Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé anuncia a recuperação de 290 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) no município de Guaxupé/MG, onde fica sua sede. O trabalho integra o projeto Minas D’água, criado pela cooperativa para promover a restauração das Áreas de Proteção Permanente – APPs localizadas na cabeceira da bacia do rio Guaxupé, que abastece os mais de 50 mil habitantes da cidade, por meio da revitalização de nascentes e matas ciliares nas propriedades rurais da área.

Junto com as empresas parceiras Mother Parkers, Coffee America e Balcoffee, a Cooxupé doará para os produtores rurais mudas de árvores nativas para plantio nas APP’s, além de auxiliá-los na transferência de tecnologias para a restauração dessas áreas e no fornecimento de materiais, como mourões de cerca e arames farpados.

Com investimento previsto de 1 milhão de dólares ao longo de cinco anos, o projeto envolverá nesta primeira etapa 95 produtores rurais. O trabalho de recuperação acontecerá em três bacias situadas nos bairros Japy, Nova Floresta e Consulta, que concentram 484 nascentes.

“É um projeto inovador para Guaxupé. Com ele, pretendemos garantir a melhoria e a quantidade da água do município, um recurso imprescindível para a qualidade de vida de toda comunidade”, destaca o presidente da cooperativa, Carlos Paulino da Costa. Segundo ele, além de ajudar na preservação do recurso hídrico que abastece o município, a Cooxupé e as empresas parceiras estão colaborando para que os produtores estejam dentro da legalidade estabelecida pelo atual Código Florestal.

“A água é o bem que mais tem valor no mundo e temos que trabalhar em cima disso para a conservação desse recurso tão importante para nós e para as gerações futuras”, afirma Luiz Ricardo Zavagli, engenheiro agrônomo e colaborador do Instituto Estadual de Florestas, de Muzambinho/MG, outro parceiro do projeto.

Plantar para não secar

Ainda, dentro do Núcleo de Educação Ambiental, projeto desenvolvido em parceria com a Fundação Espaço Eco, da BASF, a cooperativa mantém um viveiro com mudas de mais de 100 espécies nativas, que são doadas a produtores da região. No ano passado, foram distribuídas 38 mil mudas para recomposição de matas ciliares, proteção de nascentes e recuperação de APPs, além de frutíferas, para atrair pássaros (por sua vez, dispersores de sementes), aos cooperados; e a Cooperativa estima elevar para 40 mil o número de mudas a serem doadas este ano.

Gomes: doação de 40 mil mudas em 2018

Gomes: doação de 40 mil mudas em 2018

A distribuição é feita mediante agendamento e cada cooperado tem direito a receber até 400 mudas, explica o biólogo Reginaldo Gomes, responsável pela coordenação do programa na Cooxupé.

“Este trabalho de conscientização sobre a proteção de nascentes é importante para a sustentabilidade da produção”, diz Gomes. Em 2013 e 2014, as lavouras de café da região sofreram com a estiagem e os produtores aprenderam que reflorestar é importante para manter as nascentes.

Pelo uso inteligente da água na agricultura

Encontro em São Paulo discute irrigação como alternativa eficaz para o aumento da produtividade no Brasil

Rubens Chaves/Pulsar

Hortaliças irrigadas por aspersão em Ibiúna/SP. Foto: Rubens Chaves/Pulsar Imagens

O uso racional da água na agricultura foi tema de discussão, que reuniu entidades, representantes da indústria e de entidades públicas, nesta terça-feira (30), na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que realizou o evento em parceria com a Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI), da ABIMAQ.

“Estamos reunidos hoje aqui para falar sobre as águas, mas também para desmascarar alguns dos preconceitos sofridos pelo agronegócio – o de que somos um setor atrasado; que mantém relações de trabalho escravocratas; e de que não trabalhamos de modo sustentável”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. “Vocês verão hoje que a irrigação não é só uma alternativa viável e sustentável como também um investimento, que precisa estar na agenda das políticas públicas deste País”, completou o secretário.

“O que temos de entender de uma vez por todas é que a água é um recurso finito e que, com o crescimento populacional, temos cada vez menos água, energia e solo e uma maior demanda por alimentos. Este é nosso grande desafio”, disse Marcus Tessler, presidente da CSEI.

Retorno

Após apresentar um breve histórico sobre a irrigação no Brasil, que começou a crescer a partir dos anos 2000, Tessler apontou dados que mostram aumento de produtividade com a adoção da técnica. “Ainda é uma tecnologia cara, mas dá retorno”, disse. De acordo com a CSEI, o incremento de produtividade proporcionado pela tecnologia chega até 55%, em culturas como o café. Na cana-de-açúcar, 33%; citrus, 46%; soja, 25% e no milho, 56%.

“Oitenta e dois por cento da produção mundial de alimentos não vem da irrigação. Apenas 18% é fruto da técnica, sendo que destes 80% é realizado por meio de inundação, que é ineficaz. Este modelo é totalmente insustentável”, alerta Tessler. “Aqui, no Brasil, os números não são tão diferentes. Dos 5,2 milhões de hectares irrigados, cerca de 50% são manejados com inundação; 46% por aspersão e apenas 4% por gotejamento (irrigação inteligente)”, disse.

“Apesar da abundância em recursos hídricos, já temos muitos conflitos em relação ao consumo da água. Exemplos não faltam – Cerrado mineiro, Cristalina, Paracatu, Goiás, Brasília. No Nordeste, em estados como o Ceará e o Rio Grande do Norte, o problema é seríssimo”. De acordo com Tessler, os impactos gerados pela adoção da irrigação estão diretamente relacionados à questão da segurança alimentar, porque refletem em aumento de produtividade e de geração de renda.

A expectativa da CSEI é de que o crescimento da irrigação seja de cerca de 200 mil hectares/ano. “A agricultura será cada vez mais cobrada pelo uso da água, bem como já são indústria e consumidores. E a irrigação vai ao encontro de uma agenda positiva e de oportunidade para o Brasil neste processo de abastecimento pela demanda por alimentos no mundo”, finalizou.

Cartilha

Em dezembro de 2017, a Secretaria da Agricultura do Estado lançou a cartilha “Uso racional da água na agricultura“, editada pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), com supervisão técnica do engenheiro agrônomo Mário Ivo Drugowich, especialista no tema conservação do solo.

Com 35 páginas, a publicação apresenta, de forma simples, as principais práticas difundidas pela Secretaria para que as ações da agricultura não comprometam a qualidade e a quantidade de água. A cartilha aborda conceitos sobre irrigação, proteção de nascentes com plantio de mata ciliar, conservação do solo e tecnologias voltadas à irrigação, que têm o objetivo de reduzir o consumo de água, tornando-o mais eficiente.