ZF reforça aposta em inteligência artificial e automação

Comemorando 60 anos no Brasil, empresa apresentará protótipo de trator semiautônomo, nova linha de eixos e  sistema de eletrificação na Agrishow 2018

Cristina Rappa

Furtado (à dir.): “risco zero e aumento de produtividade são nossas metas”

O tráfego do futuro será “limpo, conectado e inteligente”, acredita a empresa de transmissores alemã ZF,  que aplica a aposta nessa mesma tendência para o campo. Na Agrishow 2018, a feira de máquinas e implementos que acontecerá em Ribeirão Preto/SP de 30 de abril a 04 de maio, a ZF vai apresentar seu protótipo de trator semiautônomo e sistemas de eletrificação para tratores, além de nova linha de eixos.

Os produtos foram adiantados por executivos da empresa a jornalistas em evento nesta 3a feira, 10, em São Paulo. Afirmando estar com “alta expectativa em relação aos negócios na Agrishow, em função da boa rentabilidade da soja”, o diretor de Vendas da empresa na América do Sul, Silvio Furtado, afirmou que “direção autônoma, segurança no trânsito e eficiência energética” são as tendências desse mercado e que os investimentos em Desenvolvimento de Produtos devem retornar aos 4% do faturamento neste ano, após terem caído para cerca de 2% em 2016. Nesse ano, em função da crise, a empresa registrou no Brasil R$ 3,89 bilhões em vendas e investiu R$ 77 milhões, sendo que a área de produtos “fora-de-estrada”, que inclui os destinados a veículos agrícolas, representa 7% desse total.

O trator semiautônomo, desenvolvido em parceria com a montadora austríaca Lindner e dentro do conceito de Smart Farming 4.0, ainda não tem data para ser lançado comercialmente, porque demanda mais testes para aumentar a sua segurança e evitar acidentes, como os que já ocorreram recentemente nos Estados Unidos com veículos de passeio autoguiados.

“Estamos na vanguarda dessa tecnologia e queremos estar prontos para atender a  demanda quando ela ocorrer”, afirmou Furtado, informando que risco zero aliado a aumento de produtividade são as metas da empresa.

Além de propiciar uma visão 360 graus, detecção de pessoas, animais e objetos, modelagem do ambiente e planejamento da trajetória, a tecnologia usa conceitos de Deep Learning, aprendendo e se adaptando às novas situações, como às delimitações do campo. Ou seja, o trator “aprende” o trajeto e passa a trabalhar na lavoura automaticamente, liberando o operador para outras atividades.

Outros produtos

Sistemas completos de eletrificação em tratores agrícolas, que prometem maior produtividade, 5% de economia de combustível e redução de emissões de CO2; uma nova família de eixos dianteiros para tratores com 240 hp, com cabeamento interno de sensores, para evitar danos em caso de colisão com as plantações, que trazem risco de danos à transmissão de informações; e uma nova família de eixos para tratores mais estreitos, para uso em cafezais e pomares de frutas, são outros dos produtos a serem apresentados na feira de Ribeirão Preto.

“O Brasil, com suas duas a três safras anuais, oferece boa oportunidade para testes de produtos”, afirma Furtado, informando que a ZF costuma fazer parcerias nos testes com universidades, como a Unesp de Jaboticabal/SP.

Case IH mostra na Agrishow seu trator autônomo

Veículo, que trabalha sem operador e é controlado via computador ou tablet, ainda aguarda regulamentação específica para ser lançado comercialmente

Lauro Rezende_Case

Lauro Rezende, da Case IH

O design arrojado, com linhas arredondadas e futuristas, por si só já chama a atenção. Mas o grande atrativo do trator Magnum 380, que leva muita gente a tirar selfies no estande da Case IH nesta 24a Agrishow é o fato dele não ter cabine. Afinal, dispensa o tratorista para operar.

Com mais de 300 cv de potência, a máquina é baseada no modelo Magnum, da Case, porém sem a cabine, e, segundo a fabricante, executa as mesmas tarefas de um trator convencional, sendo controlada remotamente e em tempo real por um tablet ou computador.

Desenvolvido em parceria com a agência espacial norte-americana (ASI, da sigla, em inglês), o Magnum 380 possui três câmeras, sendo uma na frente e duas atrás, que transmitem as imagens em tempo real ao escritório. O radar frontal, com detecção a laser e infravermelho, faz uma varredura de 180o na frente do trator, permitindo ao veículo perceber os obstáculos parados ou em movimento no seu caminho e parar sozinho até que o operador, notificado por alertas sonoros e visuais, especifique o que deverá ser feito.

“Se alguma coisa – por exemplo, outra máquina ou um animal – atravessar o seu caminho e continuar a mover-se, ele vai parar momentaneamente e tornar a se movimentar apenas quando o caminho estiver livre”, explica o Especialista em Produtos da empresa, Lauro Rezende.

De acordo com o executivo, a vantagem do veículo autônomo é poder funcionar 24h por dia, com mais eficiência operacional, para tarefas como preparo do solo, plantio e pulverização. “Para exercer atividades como aplicação de defensivos, que podem oferecer algum risco ao operador, ele é ideal”, exemplifica Rezende.

“O trator autônomo é o avanço de diversas tecnologias de agricultura de precisão disponíveis hoje. Já oferecemos piloto automático e telemetria em nossas máquinas, que possibilitam o gerenciamento remoto da frota”, diz Rezende.

O Brasil é o terceiro país no mundo a receber o trator, que ainda não tem previsão de data para comercialização. De acordo com Rezende, a empresa aguarda uma definição da legislação para veículos autônomos para poder lançá-lo comercialmente. O que deve ocorrer em cerca de cinco anos, primeiramente nos Estados Unidos, segundo ele, “até porque, na agricultura, o risco de ocorrerem acidentes com um veículo sem operador é menor do que na cidade”.

CNH Industrial apresenta trator autônomo

Produto, inédito, está sendo mostrado nos estandes da Case IH e da New Holland Agriculture na Farm Progress Show 2016, nos Estados Unidos

Redação*

Divulgação CHNTecnologia que até agora era exclusividade dos automóveis já está chegando ao campo. Pois, a CNH Industrial, detentora das marcas Case e New Holland, está apresentando ao público presente à Farm Progress Show 2016, grande feira agrícola que está sendo realizada nesta semana em Iowa, nos Estados Unidos, uma amostra de como pode ser o futuro da agricultura. A empresa realizou nesta 3a feira (30) uma prévia de sua tecnologia de trator autônomo conceitual, que está sendo exibida em duas versões distintas de tratores, nos estandes de suas marcas.

As versões incluem um conceito completamente sem cabine do Magnum, da Case IH, e um trator conceito baseado no modelo T8, da New Holland, que mantém sua cabine para fornecer flexibilidade operacional.

Segundo a CNH Industrial, seu Grupo de Inovação desenvolveu, de forma proativa, a tecnologia autônoma conceitual do trator autônomo, “para ajudar os produtores e o agronegócio a impulsionar, de forma sustentável, a produção e produtividade, usando a capacidade de aproveitamento das condições ideais do solo e meteorológicas, assim como a mão de obra disponível”.

O piloto automático e a telemetria já estão disponíveis nos tratores atuais e as tecnologias autônomas levam esses sistemas a uma nova etapa, significantemente mais avançada. Com base nos tratores convencionais de alta potência disponíveis hoje, Magnum e T8, e usando o GPS em conjunto com os sinais de correção do satélite mais apurados para uma orientação mais precisa, e registro e transmissão imediata dos dados de campo, o conceito do trator autônomo da CNH Industrial foi projetado para permitir a implantação, monitoramento e controle completamente remoto das máquinas.

Para mais informações sobre os tratores autônomos conceituais, incluindo imagens, vídeos e informações técnicas, visite: http://media.cnhindustrial.com/EMEA/CNH-INDUSTRIAL-CORPORATE/Autonomous_Concept_Tractors.

*com informações da CNH Industrial