Trabalhos universitários com foco na agricultura familiar e no empreendedorismo são destaque em premiação

Comunidades do Ceará e Alagoas foram diretamente beneficiadas com os projetos

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“São muito responsáveis e comprometidos a mudar o mundo”. É assim que Valéria Militelli, presidente da Fundação Cargill, fala a respeito dos jovens premiados este ano no Prêmio Alimentação em Foco, realizado pela instituição em parceria com a organização Enactus Brasil.

Os dois projetos contemplados, desenvolvidos por estudantes universitários dos estados do Ceará e Alagoas, tiveram como foco a agricultura familiar e o empreendedorismo. O ganhador do primeiro lugar – Projeto Mudas – do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE Iguatu) desenvolveu uma tecnologia para auxiliar na irrigação e no controle eficiente da água. Batizado de PIROTEC, o equipamento é constituído de palito de pirulito, arame e prego, ao custo de R$0,07. “Nosso objetivo era de que o projeto pudesse chegar às famílias nos âmbitos social, ambiental e econômico. Para isso, além de apresentar a tecnologia aos produtores, realizamos treinamentos no campo e demos orientações nas áreas jurídica e financeira”, explica Kevin Brasil, estudante de Química e líder do projeto, constituído por 21 membros.

“Em dois anos, conseguimos com que 966 pessoas fossem impactadas diretamente por meio de cursos de informática, capacitações técnicas, serviços de saúde gratuitos e tratamentos estéticos. Tornamos 920 m², antes improdutivos, em uma área produtora de verduras e hortaliças, que são vendidas em feiras e no comércio local. Com isso, garantimos a 15 famílias um aumento de R$ 800 na renda de cada uma delas. Além disso, realizamos também um curso de processamento de alimentos para as mulheres e, a partir dele, montamos a 1ª fábrica”, anima-se o estudante.

O Mudas conseguiu ainda, durante este período, trabalhar com educadores e crianças de duas escolas do município a implementação de hortas. “O projeto mostrou que, com muito pouco, é possível transformar uma paisagem amarela em verde esperança porque é isso que todos merecem. Queremos que mais e mais pessoas conheçam e tenham acesso à tecnologia e, com isso, consigam uma alimentação digna e uma qualidade de vida melhor”, anseia Kevin.

O outro trabalho que recebeu destaque foi desenvolvido por alunos da Universidade Federal de Alagoas. “Amitis era o nome de uma princesa, esposa do rei Nabucodonosor II, para quem ele projeto Amitisconstruiu os Jardins Suspensos da Babilônia. E como nosso objetivo era trabalhar com mulheres, usando a técnica da hidroponia, resolvemos adotar o nome da princesa”, explica Matheus Mendonça, estudante de Design e representante do projeto.

“A técnica que usamos se diferencia da convencional porque utiliza garrafas pet e casca de arroz carbonizado”, explica. “Queríamos trabalhar com o público urbano. Começamos pela comunidade Village Campestre II, um dos bairros mais carentes de Alagoas. O trabalho, além de proporcionar uma melhora significativa na alimentação das famílias, propiciou a comercialização de produtos como tomate cereja e maracujá, que têm valor agregado. Estamos agora em fase de prospecção, buscando parceria com ONGs que atuem no Sertão”, finaliza Mendonça.

Os trabalhos receberam da Fundação Cargill, 7 mil reais e 5 mil reais para o primeiro e segundo lugar, respectivamente. Os interessados podiam se inscrever em quatro categorias: agricultura familiar; combate ao desperdício de alimentos; educação alimentar e empreendedorismo na cadeia de valor da alimentação.

Futuro premiado

Estudantes de Universidades brasileiras são homenageados por seus projetos na 8ª edição do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável

webdoor-premio-odebrecht“Somos o Universo se desdobrando. Se desdobrando em matéria, matéria em vida, vida em pensamento. Somos o pensamento que imagina o Amanhã. Amanhã que é aqui e agora”. A visita à primeira experiência da exposição principal do Museu do Amanhã, “Cosmos”, no Rio de Janeiro parecia anunciar o que aconteceria ali logo mais à noite. Isso porque, estudantes e professores seriam homenageados e reconhecidos por seus projetos em sustentabilidade nas áreas de engenharia, arquitetura e agronomia.

Em sua oitava edição, o Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável premiou na última segunda-feira (17) cinco projetos de estudantes de Universidades de Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo. “Os trabalhos estão a cada ano mais elaborados, mais bem feitos”, anima-se Sergio Leão, diretor de Sustentabilidade da Odebrecht. “Queremos nos aproximar das Universidades e também fazer com que esses jovens conheçam nossa empresa e as necessidades do mercado nos setores que priorizamos no prêmio e claro, sejam estimulados a apresentarem soluções inovadoras”, acrescenta.

Além do Brasil, Angola, Argentina, Colômbia, Equador, Estados Unidos, México, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela realizam o prêmio. “Temos no radar algumas coisas – um prêmio internacional, que promova um intercâmbio entre os ganhadores desses 11 países e contar a história dessas pessoas”, diz Leão.

Nesta edição, a empresa recebeu 250 trabalhos no Brasil, no total de 967 alunos inscritos, número recorde.

Trabalhos premiados

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Catarina Azevedo Borges, da UFMG

De autoria dos estudantes de Engenharia Ambiental, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Catarina Azevedo Borges e Augusto de Assis Temponi Cabral Dias, sob a orientação do Prof. Dr. Carlos Augusto de Lemos Chernicharo, um dos projetos homenageados foi um sistema que transforma resíduos orgânicos em biogás e biofertilizante agrícola. “Depois que soubemos que fomos um dos premiados, muita gente na Universidade veio me perguntar como foi participar e como fazia para se inscrever. Por isso, encaro esse reconhecimento como um incentivo”, diz Catarina Azevedo Borges.

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Bruno Galdino de Freitas e Juliana Gabriela Moura Brito, da UNICAP

Sob a supervisão da profª. Dra. Leonie Afora Sarubbo, da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Bruno Galdino de Freitas e Juliana Gabriela Moura Brito, alunos de Engenharia Química, apresentaram um biodetergente para deter manchas de petróleo em caso de derrame no mar, evitando assim, a contaminação e a destruição da fauna e da flora. “As vantagens da utilização do biodetergente são muitas – é de origem natural porque é derivado de fontes naturais (melaço de cana, milhocina e óleo residual); é biodegradável, atóxico, estável sob condições ambientais extremas, tem baixo custo (cerca de US$ 1-2/L) e, além disso, pode ser aplicado em águas e solos”, explica Bruno Galdino de Freitas. “Este prêmio é uma oportunidade de termos portas abertas para o mercado”, completa Juliana Gabriela Moura Brito.

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Bárbara Mente, Mônica Martins, Suzana Yamaguchi e Viviane Sanchez, do Instituto Mauá

Uma nova técnica de geração de eteno verde (matéria-prima fundamental na fabricação de plástico), com uso de micro-ondas e sem a queima de combustíveis fósseis foi o trabalho apresentado pelas alunas de Engenharia Química do Instituto Mauá, de São Paulo, Bárbara Bertin Mente, Mônica Caroline Martins, Suzana Mayumi Yamaguchi e Viviane Ciola Sanchez, sob a orientação do profº. Dr. Luiz Alberto Jermolovicius. “Além dos benefícios ambientais, nosso projeto mostrou maior eficiência energética também”, apontou Bárbara Bertin Mente.

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Frederico Ribeiro, Vinicius Battistini , Yuri Florentino, com orientador e diretor, da POLI-USP

Outro trabalho de São Paulo também foi premiado nesta edição. Sob a supervisão do profº. Dr. Flávio Leal Maranhão, os alunos de Engenharia Civil da Universidade de São Paulo (USP), Frederico Zucherato Ribeiro, Vinicius Olmos Battistini e Yuri Libero Florentino apresentaram um projeto de reuso de água nas escavações com o Tunnel Boring Machine (TBM), conhecido como tatuzão, nas obras da linha 5 do metrô de São Paulo. “Nosso projeto é de utilidade pública porque se adotado reduziria custos em obras de infraestrutura e ainda aumentaria a disponibilidade de água”, argumenta Frederico Zucherato Ribeiro. “Participar de um prêmio cujo trabalho tenha sido reconhecido por sua relevância, nos incentiva a termos disciplina e maturidade para alcançar objetivos”, completa Vinícius Olmos Battistini.

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Henrique Luis Hipólito, da UFSC, o grande vencedor do Prêmio

O grande trabalho vencedor da noite foi desenvolvido pelo aluno de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Henrique Luis Hipólito. Sob a orientação do profº. Dr. Sergio Colle, o estudante apresentou um painel solar híbrido capaz de aquecer água e gerar energia ao mesmo tempo. “Além de otimizar a função de um painel solar, é possível gerar de 10% a 20% a mais de eletricidade com essa tecnologia”, explica Hipólito. “É muito gratificante ver que seu projeto, fruto de um trabalho duro está sendo reconhecido. É um sinal de que estou no caminho certo”, disse.

Cada equipe vencedora recebeu R$ 60 mil, divididos entre o autor ou o grupo, o orientador e a universidade. Além disso, os estudantes são convidados a participar de processos seletivos para vagas nas empresas da Organização Odebrecht.

Parceria pela sustentabilidade

Na ocasião, foi oficializada uma parceria entre a Odebrecht Agroindustrial e a equipe britânica de automobilismo Aston Martin Racing para a neutralização de emissões de carbono. “Nós capturamos mais gases de efeito estufa do que emitimos. Com esse crédito, vamos garantir a compensação das emissões da escuderia nas competições da FIA World Endurance Championship GT realizadas em 2017”, disse Luiz de Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial.

“Esperamos que este seja o embrião de muitas outras parcerias que virão. O que queremos mostrar é que é possível que qualquer atividade ou negócio garanta a neutralização de emissões de carbono; é só sobrepor atividades. Esta é a mensagem do Brasil”, completou Mendonça durante o evento.