Projetos universitários em sustentabilidade são homenageados por sua relevância

Em sua 9ª edição, Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável avaliou 261 trabalhos, dos quais cinco foram reconhecidos

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“Apesar de todas as dificuldades por que passa a empresa, mantivemos nosso compromisso com a geração futura”. Foi com essas palavras que Juliana Baiard, líder da Odebrecht Transport, abriu a 9ª edição do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu na noite de ontem (25), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, reunindo estudantes, professores, representantes de Universidades, amigos e familiares. “Este projeto vai de encontro aos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU”, completou.

Com 1025 alunos inscritos nas áreas de Engenharia, Agronomia e Arquitetura, de 182 entidades de ensino em todo o país, foram avaliados 261 trabalhos, número recorde. “Há um interesse crescente de jovens. Começamos com 38 projetos e hoje alcançamos 261 trabalhos inscritos. Outro fator é que há professores em Universidades que conhecem o prêmio e têm interesse em fomentar isso, em fazer com que alunos participem cada vez mais porque isso agrega experiência, valor ao currículo, destaque na carreira”, diz Sérgio Leão, diretor de Sustentabilidade da Odebrecht. “E os alunos querem ser reconhecidos por trazerem uma contribuição útil à sociedade”, observa.

“Queremos repensar o Prêmio para sua décima edição, em uma perspectiva mais ampla, na medida em que os alunos estão trabalhando em rede, trabalham colaborativamente e debatem de forma mais ativa os problemas globais. Como é que o Prêmio pode caminhar com isso?”, questiona. “Estamos fazendo um balanço e estudando a melhor fórmula de seguir”, disse.

Convidado a falar sobre o tema “Os jovens e o futuro da sustentabilidade”, Georg Kell, fundador do Pacto Global da ONU, destacou três fatores, que para ele, são fundamentais neste processo. “As mudanças tecnológicas estão transformando a forma como as pessoas se movem, vivem e se comunicam; o consumo é cada vez maior e mais exigente e a Terra passa por um nível de estresse alto, está pagando o preço na eficiência de seus recursos e, por isso, o ambiente nacional torna-se ainda mais precioso e, em terceiro lugar, mas não menos importante, a governança vai determinar como as pessoas lidam com o poder individualmente. O poder de escolha gera fragmentação e radicalização. Esta é uma tendência universal e irreversível”, disse.

“Cada um tem o poder de ser protagonista e o futuro pode ser muito promissor se tivermos em mente que os valores importam. É primordial que pensemos que o que nos conecta é sempre mais forte do que o que nos divide”, finalizou.

Premiados

Os grandes vencedores da noite - alunos de Engenharia Mecatrônica, da USP

Os grandes vencedores da noite – alunos de Engenharia Mecatrônica, da USP

Com cinco trabalhos reconhecidos e homenageados, a empresa anunciou o grande vencedor da noite. Desenvolvido pelos alunos de Engenharia Mecatrônica, da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Antonio Torres Velloso da Silva Neto, Henrique Oliveira Martins e Fernando Paes Lopes criaram um protótipo de seletora de mudas de cana-de-açúcar. “Atualmente, você tem uma sala com diversas pessoas que ficam olhando muda por muda e dizendo se elas estão boas ou não para plantio. O que a gente fez foi construir uma máquina baseada em câmeras que filmam as mudas e conseguem identificar, usando alguns algoritmos de visão computacional e de inteligência artificial, que apontam quais delas estão aptas ou não para o plantio”, explica Fernando Paes Lopes. “Em um estudo inicial, obtivemos um nível de assertividade de 87%”, diz.

“Sem dúvida, esta premiação é um grande incentivo pra gente”, disse o Profº Dr. Eduardo de Senzi Zancul, orientador do trabalho, em agradecimento aos alunos e à Universidade durante a cerimônia.

Esta foi a quinta vez que a USP foi nomeada a grande vencedora da premiação.

Com o estudo “Usinas hidrelétricas e mortandade de peixes: desenvolvimento de tecnologia para estudo e mitigação do impacto visando à sustentabilidade no setor elétrico”, a Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ/MG) também foi contemplada. “Quando nos inscrevemos, tínhamos alguma expectativa, mas não esperávamos ser um dos vencedores porque foram mais de 200 inscritos. Foi uma surpresa muito agradável saber que éramos um dos finalistas. Foi muito bacana ver o reconhecimento do nosso trabalho e estamos muito felizes em poder compartilhar esse conhecimento e sendo homenageados por isso”, disse Lázara Rodrigues de Oliveira Fonseca, aluna de Engenharia de Telecomunicações.

Também fez parte do projeto, os estudantes Gustavo Luz Carvalho, da Engenharia Civil, Deysiane Silva Martins, da Engenharia Química e Sarah Santana Menezes, da Engenharia Civil.

O uso de material plástico oriundo de embalagens descartadas como parte do concreto preparado para a produção de lajotas foi o trabalho apresentado pela Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS). “Nós demos um destino diferente para o plástico que iria para um aterro sanitário, por exemplo”, disse Bárbara Pinto do Nascimento, estudante de Engenharia Ambiental. “Além desta questão, chegamos a um produto que possui maior durabilidade e menor absorção dos que estão no mercado”, explica.

Um modelo de janela desenvolvido com um sistema de venezianas que protege contra o calor do sol e ainda permite a ventilação do ambiente foi o trabalho apresentado pelo aluno de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). “Em relação ao modelo de janela mais utilizado em Vitória, conseguimos reduzir em até 36% o consumo de energia”, disse.

Um conversor de energia que utiliza ondas do mar para gerar energia e água dessalinizada para abastecimento e irrigação foi o que propuseram os alunos de Engenharia Naval da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Osório de Castro Portes e Alexander Kataoka Ishikawa. “Em regiões onde os recursos hídricos são escassos ou ainda onde existe carência de rede elétrica, este modelo de usina de energia das ondas pode garantir água e energia para o consumo da população. Este é o maior propósito do trabalho”, disse Ishikawa.

O valor total da premiação, de R$ 300 mil, foi dividido entre os autores, orientadores e Universidades, que ganham R$ 20 mil cada.

Além do Brasil, o Prêmio também foi realizado em Angola, Argentina, Estados Unidos, México, Panamá, República Dominicana e Venezuela.

 

Trabalhos universitários com foco na agricultura familiar e no empreendedorismo são destaque em premiação

Comunidades do Ceará e Alagoas foram diretamente beneficiadas com os projetos

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“São muito responsáveis e comprometidos a mudar o mundo”. É assim que Valéria Militelli, presidente da Fundação Cargill, fala a respeito dos jovens premiados este ano no Prêmio Alimentação em Foco, realizado pela instituição em parceria com a organização Enactus Brasil.

Os dois projetos contemplados, desenvolvidos por estudantes universitários dos estados do Ceará e Alagoas, tiveram como foco a agricultura familiar e o empreendedorismo. O ganhador do primeiro lugar – Projeto Mudas – do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE Iguatu) desenvolveu uma tecnologia para auxiliar na irrigação e no controle eficiente da água. Batizado de PIROTEC, o equipamento é constituído de palito de pirulito, arame e prego, ao custo de R$0,07. “Nosso objetivo era de que o projeto pudesse chegar às famílias nos âmbitos social, ambiental e econômico. Para isso, além de apresentar a tecnologia aos produtores, realizamos treinamentos no campo e demos orientações nas áreas jurídica e financeira”, explica Kevin Brasil, estudante de Química e líder do projeto, constituído por 21 membros.

“Em dois anos, conseguimos com que 966 pessoas fossem impactadas diretamente por meio de cursos de informática, capacitações técnicas, serviços de saúde gratuitos e tratamentos estéticos. Tornamos 920 m², antes improdutivos, em uma área produtora de verduras e hortaliças, que são vendidas em feiras e no comércio local. Com isso, garantimos a 15 famílias um aumento de R$ 800 na renda de cada uma delas. Além disso, realizamos também um curso de processamento de alimentos para as mulheres e, a partir dele, montamos a 1ª fábrica”, anima-se o estudante.

O Mudas conseguiu ainda, durante este período, trabalhar com educadores e crianças de duas escolas do município a implementação de hortas. “O projeto mostrou que, com muito pouco, é possível transformar uma paisagem amarela em verde esperança porque é isso que todos merecem. Queremos que mais e mais pessoas conheçam e tenham acesso à tecnologia e, com isso, consigam uma alimentação digna e uma qualidade de vida melhor”, anseia Kevin.

O outro trabalho que recebeu destaque foi desenvolvido por alunos da Universidade Federal de Alagoas. “Amitis era o nome de uma princesa, esposa do rei Nabucodonosor II, para quem ele projeto Amitisconstruiu os Jardins Suspensos da Babilônia. E como nosso objetivo era trabalhar com mulheres, usando a técnica da hidroponia, resolvemos adotar o nome da princesa”, explica Matheus Mendonça, estudante de Design e representante do projeto.

“A técnica que usamos se diferencia da convencional porque utiliza garrafas pet e casca de arroz carbonizado”, explica. “Queríamos trabalhar com o público urbano. Começamos pela comunidade Village Campestre II, um dos bairros mais carentes de Alagoas. O trabalho, além de proporcionar uma melhora significativa na alimentação das famílias, propiciou a comercialização de produtos como tomate cereja e maracujá, que têm valor agregado. Estamos agora em fase de prospecção, buscando parceria com ONGs que atuem no Sertão”, finaliza Mendonça.

Os trabalhos receberam da Fundação Cargill, 7 mil reais e 5 mil reais para o primeiro e segundo lugar, respectivamente. Os interessados podiam se inscrever em quatro categorias: agricultura familiar; combate ao desperdício de alimentos; educação alimentar e empreendedorismo na cadeia de valor da alimentação.

Futuro premiado

Estudantes de Universidades brasileiras são homenageados por seus projetos na 8ª edição do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável

webdoor-premio-odebrecht“Somos o Universo se desdobrando. Se desdobrando em matéria, matéria em vida, vida em pensamento. Somos o pensamento que imagina o Amanhã. Amanhã que é aqui e agora”. A visita à primeira experiência da exposição principal do Museu do Amanhã, “Cosmos”, no Rio de Janeiro parecia anunciar o que aconteceria ali logo mais à noite. Isso porque, estudantes e professores seriam homenageados e reconhecidos por seus projetos em sustentabilidade nas áreas de engenharia, arquitetura e agronomia.

Em sua oitava edição, o Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável premiou na última segunda-feira (17) cinco projetos de estudantes de Universidades de Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo. “Os trabalhos estão a cada ano mais elaborados, mais bem feitos”, anima-se Sergio Leão, diretor de Sustentabilidade da Odebrecht. “Queremos nos aproximar das Universidades e também fazer com que esses jovens conheçam nossa empresa e as necessidades do mercado nos setores que priorizamos no prêmio e claro, sejam estimulados a apresentarem soluções inovadoras”, acrescenta.

Além do Brasil, Angola, Argentina, Colômbia, Equador, Estados Unidos, México, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela realizam o prêmio. “Temos no radar algumas coisas – um prêmio internacional, que promova um intercâmbio entre os ganhadores desses 11 países e contar a história dessas pessoas”, diz Leão.

Nesta edição, a empresa recebeu 250 trabalhos no Brasil, no total de 967 alunos inscritos, número recorde.

Trabalhos premiados

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Catarina Azevedo Borges, da UFMG

De autoria dos estudantes de Engenharia Ambiental, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Catarina Azevedo Borges e Augusto de Assis Temponi Cabral Dias, sob a orientação do Prof. Dr. Carlos Augusto de Lemos Chernicharo, um dos projetos homenageados foi um sistema que transforma resíduos orgânicos em biogás e biofertilizante agrícola. “Depois que soubemos que fomos um dos premiados, muita gente na Universidade veio me perguntar como foi participar e como fazia para se inscrever. Por isso, encaro esse reconhecimento como um incentivo”, diz Catarina Azevedo Borges.

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Bruno Galdino de Freitas e Juliana Gabriela Moura Brito, da UNICAP

Sob a supervisão da profª. Dra. Leonie Afora Sarubbo, da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Bruno Galdino de Freitas e Juliana Gabriela Moura Brito, alunos de Engenharia Química, apresentaram um biodetergente para deter manchas de petróleo em caso de derrame no mar, evitando assim, a contaminação e a destruição da fauna e da flora. “As vantagens da utilização do biodetergente são muitas – é de origem natural porque é derivado de fontes naturais (melaço de cana, milhocina e óleo residual); é biodegradável, atóxico, estável sob condições ambientais extremas, tem baixo custo (cerca de US$ 1-2/L) e, além disso, pode ser aplicado em águas e solos”, explica Bruno Galdino de Freitas. “Este prêmio é uma oportunidade de termos portas abertas para o mercado”, completa Juliana Gabriela Moura Brito.

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Bárbara Mente, Mônica Martins, Suzana Yamaguchi e Viviane Sanchez, do Instituto Mauá

Uma nova técnica de geração de eteno verde (matéria-prima fundamental na fabricação de plástico), com uso de micro-ondas e sem a queima de combustíveis fósseis foi o trabalho apresentado pelas alunas de Engenharia Química do Instituto Mauá, de São Paulo, Bárbara Bertin Mente, Mônica Caroline Martins, Suzana Mayumi Yamaguchi e Viviane Ciola Sanchez, sob a orientação do profº. Dr. Luiz Alberto Jermolovicius. “Além dos benefícios ambientais, nosso projeto mostrou maior eficiência energética também”, apontou Bárbara Bertin Mente.

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Frederico Ribeiro, Vinicius Battistini , Yuri Florentino, com orientador e diretor, da POLI-USP

Outro trabalho de São Paulo também foi premiado nesta edição. Sob a supervisão do profº. Dr. Flávio Leal Maranhão, os alunos de Engenharia Civil da Universidade de São Paulo (USP), Frederico Zucherato Ribeiro, Vinicius Olmos Battistini e Yuri Libero Florentino apresentaram um projeto de reuso de água nas escavações com o Tunnel Boring Machine (TBM), conhecido como tatuzão, nas obras da linha 5 do metrô de São Paulo. “Nosso projeto é de utilidade pública porque se adotado reduziria custos em obras de infraestrutura e ainda aumentaria a disponibilidade de água”, argumenta Frederico Zucherato Ribeiro. “Participar de um prêmio cujo trabalho tenha sido reconhecido por sua relevância, nos incentiva a termos disciplina e maturidade para alcançar objetivos”, completa Vinícius Olmos Battistini.

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Henrique Luis Hipólito, da UFSC, o grande vencedor do Prêmio

O grande trabalho vencedor da noite foi desenvolvido pelo aluno de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Henrique Luis Hipólito. Sob a orientação do profº. Dr. Sergio Colle, o estudante apresentou um painel solar híbrido capaz de aquecer água e gerar energia ao mesmo tempo. “Além de otimizar a função de um painel solar, é possível gerar de 10% a 20% a mais de eletricidade com essa tecnologia”, explica Hipólito. “É muito gratificante ver que seu projeto, fruto de um trabalho duro está sendo reconhecido. É um sinal de que estou no caminho certo”, disse.

Cada equipe vencedora recebeu R$ 60 mil, divididos entre o autor ou o grupo, o orientador e a universidade. Além disso, os estudantes são convidados a participar de processos seletivos para vagas nas empresas da Organização Odebrecht.

Parceria pela sustentabilidade

Na ocasião, foi oficializada uma parceria entre a Odebrecht Agroindustrial e a equipe britânica de automobilismo Aston Martin Racing para a neutralização de emissões de carbono. “Nós capturamos mais gases de efeito estufa do que emitimos. Com esse crédito, vamos garantir a compensação das emissões da escuderia nas competições da FIA World Endurance Championship GT realizadas em 2017”, disse Luiz de Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial.

“Esperamos que este seja o embrião de muitas outras parcerias que virão. O que queremos mostrar é que é possível que qualquer atividade ou negócio garanta a neutralização de emissões de carbono; é só sobrepor atividades. Esta é a mensagem do Brasil”, completou Mendonça durante o evento.