Boro exerce função fundamental na nutrição mineral da Palma de Óleo

Eduardo Saldanha*

Eduardo Saldanha

Eduardo Saldanha

O boro é um dos nutrientes fundamentais para que a palma de óleo complete seu ciclo de vida, desempenhando funções metabólicas e estruturais de grande importância para o desenvolvimento vegetal. As plantas que sofrem deficiência desse nutriente apresentam anormalidades no crescimento, desenvolvimento e reprodução, e sua carência se associa a sintomas específicos, que só podem ser corrigidos com a aplicação de fontes desse elemento.

A cultura da palma de óleo é bastante sensível à baixa disponibilidade de boro, apresentando rapidamente sintomas em folhas e raízes. As folhas podem apresentar expansão irregular, malformações, sobretudo nas áreas apicais, comprometendo as zonas de crescimento da planta, observando-se com frequência coloração verde mais intensa nas folhas sintomáticas, além de aspecto enrugado do limbo foliar, que pode se tornar frágil e quebradiço. O boro desempenha funções em importantes processos estruturais e metabólicos, como, por exemplo, a estruturação da parede celular das células vegetais e o transporte e a formação de complexos carboidratos pelo floema, além de funções muito específicas na biologia floral, como a germinação do grão de pólen e a formação do tubo polínico.

A deficiência de boro tem sido relatada como a desordem nutricional mais comumente encontrada em plantios de palma de óleo, em diferentes regiões de cultivo da cultura, sendo sensivelmente agravada em regiões de solos ácidos, arenosos e áreas sujeitas a elevadas precipitações pluviométricas anuais. A deficiência severa de boro inibe completamente o desenvolvimento de folhas novas e culmina na desintegração dos primórdios foliares ainda não expandidos. Nas raízes, a deficiência de boro retarda o crescimento meristemático, determinante na formação, ocorrendo a inibição da divisão celular, o que resulta na emissão de menor volume de raízes, que passam a apresentar anormalidades morfológicas, como, por exemplo, aparência achatada, aglomerados de raízes curtas e grossas, além de coloração.

O monitoramento nutricional realizado em 33 áreas de produção comercial de palma de óleo no estado do Pará, desenvolvido por Matos 2016, utilizando o método DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação), apontou que boro e zinco foram os micronutrientes que mais limitaram a produtividade em plantas adultas e jovens, com grande incidência de deficiência de boro nas áreas avaliadas.

Correção da deficiência de boro

O boro é usualmente aplicado em doses que variam de 10 a 35 gramas por plantas, em jovens e adultas, respectivamente. O fornecimento de boro pode ser feito mediante a aplicação de fórmulas fertilizantes que contenham esse nutriente. Por serem doses muito pequenas, recomenda-se que a aplicação de boro seja realizada em fórmulas NPK nos grânulos que, contenham esse nutriente, evitando a segregação do nutriente, como ocorre em misturas convencionais.

Contar com soluções nutricionais é fundamental para alcançar bons resultados, e os produtores devem investir em programas nutricionais completos para a cultura, sempre alinhado às orientações profissionais dos agrônomos, após avaliação técnica do solo.

*é engenheiro agrônomo, Doutor em Nutrição Mineral de Plantas e especialista agronômico da Yara para a Cultura da palma de óleo.

Nutrição do trigo: desenvolvimento radicular é fundamental para altas produtividades

Diego Guterres*

Diego GuterresA definição do alto potencial produtivo de uma cultura começa no estabelecimento, que é o momento de assentamento da lavoura. Muitos fatores podem impactar esta etapa, interferindo positivamente no desenvolvimento e na produtividade na lavoura. Um manejo nutricional que favoreça o crescimento inicial das raízes de trigo pode fazer toda a diferença a favor do desempenho da triticultura.

Um fator fundamental para o trigo é a máxima redução de alumínio tóxico do solo, pois esse elemento pode danificar os tecidos radiculares, que são responsáveis pela formação da primeira raiz da planta, causando sérios problemas como menor desenvolvimento radicular. Nesse sentido, deve-se realizar um intenso trabalho de correção da acidez aplicando calcário, para eliminação do efeito desse nutriente na camada explorada pelas raízes. Também é necessário dar preferência a fertilizantes com baixo potencial de acidificação do solo, principalmente com fontes de nitrogênio e de enxofre.

O nitrogênio é, sem dúvidas, o nutriente mais importante para a produtividade e qualidade de grãos de trigo, já desde o início do desenvolvimento da planta. Dependendo da forma do elemento encontrado, a planta pode ter diversas maneiras de aproveitamento. A presença de nitrogênio na forma amoniacal favorece o crescimento das raízes, levando a maior produção de citocininas, hormônio responsável pelo crescimento e pela arquitetura do sistema radicular.

Por outro lado, se a cultura anterior for uma gramínea com palhada de alta relação, como o milho, podemos ter imobilização de nitrogênio pela microbiota do solo. Por isso, a aplicação equilibrada deste nutriente nas formas combinadas (nítrica e amoniacal) se encaixa perfeitamente para a produtividade da lavoura.

Outro elemento fundamental para o desenvolvimento radicular é o fósforo, importante na transferência de energia da célula, na respiração e na fotossíntese. A disponibilidade do elemento nas fases iniciais também é essencial para a recuperação do efeito subletal de temperatura baixa, razão pela qual se recomenda sempre o uso de uma dose de fósforo no sulco da semeadura, mesmo que o solo tenha alta concentração desse nutriente.

Já o potássio, por sua vez, atua no controle das concentrações de sais nos tecidos ou nas células, o que determina a pressão de água interna celular, forçando a célula a se expandir. A carência de potássio, portanto, no início do desenvolvimento, pode retardar o crescimento radicular. Vários motivos, principalmente a questão operacional, têm levado parte dos agricultores a optar pela aplicação de toda a dose de potássio em superfície. Para isso, o primeiro aspecto a ser considerado é a disponibilidade do nutriente no solo. A aplicação do elemento deve ser feita obrigatoriamente próximo ao sulco de semeadura, a não ser que a disponibilidade de potássio no solo seja alta. Mesmo assim, a temperatura elevada do solo pode dificultar o processo de absorção do potássio pelo solo.

Em trabalhos de campo, uma equipe de agrônomos observou um incremento médio de 6,9 sc/ha em comparação da aplicação de fertilizante NPK (com as duas formas de nitrogênio) em relação a produtos convencionais na adubação de base do trigo. Por fim, em micronutrientes, o zinco merece grande destaque para o estabelecimento da lavoura de trigo. Dentre as suas funções, destaca-se a importância na síntese de triptofano, aminoácido precursor das auxinas, hormônios que regulam o crescimento das plantas. Porém, vários fatores podem provocar indisponibilidade desse nutriente, como a elevada alcalinidade e aplicação de altas doses de fósforo no sulco da semeadura.

Nesse contexto, o ótimo estabelecimento da lavoura de trigo é fundamental para lavouras produtivas, lucrativas e de menor risco. Plantas com maior desenvolvimento radicular suportam melhor os períodos de estiagem, sofrendo muito menos estresse. Esse é um dos aspectos do manejo da lavoura e parte importante do programa nutricional desenvolvido para a triticultura, que envolve a combinação de produtos que auxiliam o produtor a escolher a melhor fonte de nutrientes, aplicação na dose, época e local corretos para elevar os níveis de produtividade e proporcionar um produto final melhor e de mais qualidade.

*Diego Guterres é engenheiro agrônomo e especialista nas culturas de Trigo e Soja da Yara Brasil

 

Yara Brasil abre inscrições para Programa Jovens Agrônomos

Ao todo, são 29 vagas distribuídas para as regiões Sul e Sudeste e para o Cerrado

Redação*

Aprosoja-JM-lowres-300x199A multinacional norueguesa Yara abre inscrições para a edição 2017 do Programa Jovens Agrônomos para o cargo de analista técnico comercial (ATC), que tem como escopo de trabalho a prospecção de clientes e a geração de demanda em nutrição de plantas. Ao todo, são 29 vagas distribuídas para as regiões Sul, Sudeste e para o Cerrado.

Para participar do programa, os candidatos devem ter formação em Engenharia Agronômica e noções de trabalho de campo. Ter trabalhado em multinacionais agrícolas ou cooperativas são diferenciais.

O Programa terá início em julho deste ano e conta com quatro fases. Na primeira delas, a de integração, o profissional será introduzido ao trabalho, aos processos e à cultura organizacional da empresa. As duas fases seguintes são de viés técnico. A primeira aborda conceitos, ferramentas e práticas em nutrição de plantas; já a segunda o ATC participará de módulos da Academia de Marketing e Vendas da Companhia, que também complementará suas habilidades técnicas em sala de aula. A última etapa é de temáticas comportamentais, que inclui módulos de capacitação de comunicação e influência, encantamento do cliente, gestão de tempo e colaboração.

Para se candidatar, clique aqui.

*Com informações da assessoria de imprensa