Um novo plano para o agro

Em debate promovido pela FGV, Roberto Rodrigues fala sobre a proposta de programa para o setor que será entregue aos presidenciáveis

robertorodrigues“O projeto que queremos desenhar para o agronegócio é liberal. Tem como mote dois aspectos; o primeiro diz respeito à macroeconomia, que envolve as reformas essenciais para o País – tributária, ambiental, trabalhista, política. E o segundo se refere às claras metas que o Brasil tem de cumprir nos próximos dez anos para atender à demanda mundial por alimentos”. Com essas palavras, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues (foto), coordenador do Centro de Agronegócio da FGV EESP e embaixador especial da FAO para o Cooperativismo, apresentou um pouco do modelo de propostas para o setor, que serão encaminhadas aos candidatos à presidência da República. “Esta é uma proposta de Estado e não de governo”, completou.

“Trabalhei em inúmeros planos de governo para o agro e sempre caí na frustração de serem relegados aos de outros setores”, confessou Rodrigues. “E reconheço que ao longo deste tempo, tivemos um erro de comportamento e de posicionamento em relação à população urbana porque o sucesso do agro não é uma exclusividade do campo. Fertilizantes, equipamentos, defensivos, máquinas etc., tudo é produzido no ambiente urbano, assim como uma série de serviços de que se beneficiam o agronegócio. Por isso, nada mais justo que estes fatores sejam incluídos. Daí, o ineditismo da proposta”, acredita.

De acordo com Rodrigues, o programa será apresentado a todos os candidatos à presidência, em evento que será realizado pela CNA e pela ABAG em maio. “Esperamos que tenhamos muitas reiterações”, anseia.

Desafios

Falando sobre gestão do agronegócio e responsável pela pasta dentro deste projeto que está sendo elaborado, Angelo Gurgel, coordenador do mestrado profissional em agronegócio da FGV EESP, enfatizou desafios que o País terá de enfrentar. “A gestão é um ponto que perpassa outros temas do projeto”, disse. “Sugerimos algumas ações como investimento em educação e treinamento; incentivo e promoção de certificações e selos; crédito rural público; mecanismos de proteção da renda do produtor, além de atenção à logística, armazenagem, perdas e desperdícios”, disse. “Ainda nesta área, temos algumas oportunidades com o Código Florestal, o Plano ABC e a redução e/ou zero desmatamento”, completou.

O responsável pela pasta de sustentabilidade do projeto, Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, falou sobre a complexidade da área aqui no Brasil. “Não é nada fácil estabelecer equilíbrio. Somos um país que tem uma diversidade de biomas incrível, com sistemas de produção e de tecnologia muito diferentes e grupos sociais culturalmente diversos também. O tema não é algo novo, mas que nos demanda uma atenção especial, dada a importância que o Brasil tem na Agenda 2030”, disse.

O debate promovido nesta terça-feira (10) pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP) faz parte da série de eventos “Propostas de Reformas para Destravar o Brasil” que a instituição realizará até 12 de junho.