WWF lança plataforma de risco hídrico no Brasil

Gratuita e completamente digital, ferramenta já foi utilizada por mais de 1500 organizações de 32 setores da indústria

WWF_lançamento WRFA WWF, em parceria com a instituição alemã de desenvolvimento financeiro KfW/DEG, reuniu nesta 3a feira (21) em São Paulo, parceiros, empresas de diversos setores da economia e a imprensa para anunciar o lançamento de uma ferramenta de risco hídrico (Water Risk Filter em inglês – WRF). Criada e desenvolvida desde 2009, a plataforma foi oficialmente lançada pela organização em 2012, mas somente agora ganha uma versão brasileira.

“A água tem sido questão central em diversas discussões e também na estratégia de desenvolvimento de projetos no país. Podemos falar aqui de escassez no Nordeste, em São Paulo, mais recentemente em Brasília; do caso de poluição no Rio Doce ou ainda da guerra pelo uso da água, em Correntina, na Bahia”, disse Maurício Voivodic, diretor-executivo da WWF-Brasil. “Precisamos enxergar a água não só como uma questão ambiental, mas também de oportunidade para diversos interesses e objetivos”, completou.

“As exportações brasileiras vêm caindo nos últimos cinco anos. E a causa está diretamente ligada aos recursos hídricos. São US$ 126 bilhões que estão em risco”, disse Alexis Morgan, líder global da WWF. “É preciso pensar nisso”, refletiu.

Gratuita e completamente digital, a ferramenta já foi utilizada por mais de 1500 organizações de 32 setores da indústria. Para o desenvolvimento da plataforma no Brasil, a WWF contou com informações oriundas de Universidades e de instituições de pesquisa e também da Agência Nacional de Águas (ANA), com foco em qualidade, quantidade e uso da água. De acordo com a organização, foi realizado ainda um amplo levantamento sobre a governança das principais bacias hidrográficas do Brasil. “Os riscos avaliados pela ferramenta são em níveis físico, reputacional e regulatório. É possível emitir relatórios específicos ou ainda ter acesso ao de outras empresas do setor em que atua”, explicou Bernardo Oliveira, analista de conservação da WWF. “Com isso, você consegue ver o que estão fazendo para mitigar suas ações e fazer uma análise comparativa entre elas”, disse.

“Além de avaliar o risco hídrico e de explorar opções de mitigação, com a ferramenta temos uma visão mais integrada das bacias hidrográficas; podemos envolver outros atores e dimensionar o impacto das ações dentro do contexto em que determinada empresa atua”, disse Oliveira.

Na ferramenta são considerados mais de 100 indicadores de risco. A partir do cruzamento destes dados, a WRF mostra uma visão detalhada dos riscos hídricos de cada região com foco no setor em que a organização está inserida.

Para ter acesso à ferramenta, acesse http://waterriskfilter.panda.org/pt/Maps